Trabalhos

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  • Publicado: 30 jan 2017
  • Últimas Atualizações: 30 jan 2017
  • Status: Movella acabada
-Tem um cara aqui dizendo que precisa falar com você. E ele não se parece nada com Matheus... Hummm... - Michael...- Suspirei. Leo era meu parceiro de trabalho. - Já estou descendo. - Tenho certeza que ele vai esperar, Lise. Certo, Leo Bernard estava na entrada no prédio e Michael provavelmente estava aproveitando da situação para fazer piadas. Peguei meu celular e as chaves do apartamento e desci atrás do que seria meus pontos para a faculdade. E esse trabalho daria certo?

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1. Capítulo 1

 

      O interfone tocou, sinal que eu devia descer para acolher minha grande visita. O que não fazemos por pontos na faculdade? E olhe só, minha tutora ouviu minhas preces.

 

O som do interfone soou em minha mente, precisava atender.

"Senhorita Young".

- Oi, Michael. Como vai? - Michael, o porteiro mais jovem do mundo, tem vinte e seis anos e trabalha como aprendiz de porteiro para pagar sua grande festa do mês retrasado.

- Melhor impossível na portaria, Jovem. - Escutei um riso abafado ao fundo. Como sempre.- Agora vou voltar ao meu trabalho antes que João diga que isso não é um telefone.

- Isso realmente é ótimo. Quantas pessoas desligaram na sua cara hoje?

- Há...hoje você seria a primeira.

- Eu nunca fiz isso. - Ele voltou a rir.

- Certo, hoje você será a primeira. Agora o trabalho. - Ouvi um chiado no telefone, trocou de orelha de tantas conversas. - Tem um cara aqui dizendo que precisa falar com você. E ele não se parece nada com Matheus... Hummm...

- Michael...- Suspirei. Leo era meu parceiro de trabalho. - Já estou descendo.

- Tenho certeza que ele vai esperar, Lise.

Certo, Leo Bernard estava na entrada no prédio e Michael provavelmente estava aproveitando da situação para fazer piadas. Peguei meu celular e as chaves do apartamento e desci atrás do que seria meus pontos para a faculdade.

Márcia, minha tutora, havia me procurado para nossa conversa mensal na ultima semana, sempre fiquei despreocupada quando ela dizia que era obrigatório pelo menos uma tutoria, mas então ela me chamou de verdade. Pela segunda vez.

- Você precisa se inturmar Elise. - Ela disse em nossa segunda conversa.

- Como...fazer amigos?

- Não, quer dizer, também mas a situação é outra. Me refiro a grupos de bônus estudantil, você sabe o que estou tentando dizer?

- Sim. - Não, na verdade, eu sou caloura.

- Ótimo, então também sabe que precisa de pontos para o fim do ano para somar junto as matérias.- Ela me observou acho que minha expressão de "sim eu entendo" falhou.- Ah...OK. Existe trabalhos voluntários, ser auxiliar, mas o que conta mesmo são os intercâmbios de ajuda.

- Mas eu tenho boas notas.

- Mas isso não é suficiente, Elise. Olha, andei checando sua ficha e você não tem nenhum ponto.- Ela mostrou a ficha branca. - No meu papel de tutora...preciso te alertar antes que seja agosto.

- Eu ainda consigo passar?

- Até o terceiro? Claro, mas você precisa de vinte pontos.

Tudo que uma pessoa quer ouvir quando precisa de uma segunda escolha, que não existe uma.

- Vou conseguir um intercâmbio de ajuda. Talvez você consiga dez pontos o que já é ótimo.

E isso resume a minha vida. Leo Bernard resume a minha história de conseguir pontos estudantis. Uma aluna de Produção Editorial fazendo intercâmbio de ajuda com um aluno de publicidade. Certo, não era tão maluco assim.

Leo estava encostado na parede ao lado do balcão, Michael observava a situação calmamente escondendo o riso. Leo parecia cansado, seu cabelo estava bagunçado e a blusa amassada, além da mochila pesada que pendia em um lado dos ombros e a expressão apagada. Não parecia muito com O Cara da Univer.

O Cara de publicidade, que sempre esta rodeado de amigos alem de ser membro do conselho estudantil. O Galã do prédio 3A, luz dos olhos de quase todos os professores. Queridinho das garotas e de todas funcionárias.

Leo as vezes me deixava intrigada. Como pode uma pessoa ser popular em uma faculdade?

Mas havia outras coisas que eu precisava de resposta, começando com o porquê dele procurar ajuda: a minha ajuda.

Segui até ele.

Leo aparentemente seguiu com o plano dele. O intercambio. Sorriu.

- Oi Elise. Então é aqui que você mora.

- An... Você conhece ele?- Michael perguntou encarando Leo sorrindo maliciosamente.

- Sim... an Michael se alguém chegar ligue pelo interfone.

- Claro, senhorita Young. - Ele fingiu abaixar o quepe do chapéu enquanto voltava a escada.

"E aí cara, sou Michael."

Ouvi Michael se apresentar ao fundo. Ótimo, tudo o que eu precisava era Michael e suas insinuações hoje.

- Leo Bernard. - Leo respondeu.

- Você vem? - Perguntei. Não podia perder tempo.

- Por que pela escada? - Leo perguntou quando estávamos subindo.

- Porque não quero que ninguém te veja.

Ele parou para absorver minha frase e eu tentei não esquecer que tínhamos somente a noite para conseguir 10 pontos para eu passar na faculdade.

- Isso foi uma piada, Elisabeth? - Ele perguntou observando meu rosto. Bem, foi uma tentativa.

- Você tem saúde, não precisa de elevadores.

- Ah... Isso tem a ver com vida alternativa? Seu nome realmente é Young? - Sorri. Leo começou a me intrigar.

- Não. E vamos temos mais quatro andares.

- Quatro andares? Você é louca, Young.

Chegamos ao meu apartamento, o lugar mais acolhedor e minúsculo do mundo onde um tapete com emoji sorridente nos dava boas vindas.

Nunca conversei com Leo, começando por ele nem perceber minha existência na faculdade, claro havia inúmeros motivos para ele não fazer, cursos divergentes, corredores invertidos, popularidade, classe estudantil e amigos diferentes. Nenhuma coisa em comum. Mas as coisas pareciam ter se invertido como Alice no país dos espelhos.

- Elise...- Márcia me tirou dos meus pensamentos.- Consegui alguém para você ajudar. É um outro tutor meu que se inscreveu para buscar um auxilio com literatura e você é a garota perfeita para isso.

- Ah...obrigada.

- Não agradeça, estou apenas fazendo o meu trabalho e por falar nele lá está o meu tutor.- Foi aí que tudo começou.- Elise esse é Leo. Ele é estudante de publicidade e precisará de sua ajuda.

- Oi. - Foi tudo o que ele disse. E eu apenas acenti.

Leo mexia no celular enquanto Márcia checava suas anotações e eu imaginava como ela poderia ser tutora de alguém de um curso totalmente diferente do meu.

- Tudo bem. Preciso ir, então vocês terão o tempo para começar o trabalho. Qualquer coisa me procurem.- Márcia se afastou enquanto Leo me observava atento.

- Então, você é a garota que vai me ajudar?

- Sim...sou.- Leo arqueou uma sobrancelha. Dúvida? De mim?

- An...bem, sou Leo.

- Eu sei quem você é.- Elise...

- Hum...certo. - Ele inclinou a cabeça um pouco para a direita, seu celular não estava mais na sua mão. - Vamos poupar apresentações. Quando começamos?

- An...como assim?

- Como assim...?- Ele pareceu não entender. Ótimo, além de conquistador é egocêntrico.

- Bem, eu nem sei para que é a ajuda.- Leo me olhou pensativo, seu rosto agora tinha um sorriso e o pouco que eu sabia dele podia jurar que não era felicidade.

- Fica tranquila, não tem nada a ver comigo.

- An...espera.

- Olha eu preciso criar um aplicativo que seja relacionado a literatura. Márcia disse que você estuda Produção Editorial, poderia ser alguém de Letras mas na época atual não está dando para escolher, mesmo assim isso é perfeito, então pode me ajudar. Viu? Nada de um maluco te levando a um encontro forjado.

E é por isso que evitei Leo por todo esse tempo. Um garoto que não pensa em ninguém apenas em si mesmo.

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