Drama

Tudo pode acontecer na véspera de Natal, principalmente estar em uma cidade desconhecida, sem sinal, em um aeroporto na chuva, lidando com um garoto que diz que Papai Noel usa All Star.
Será que um café pode melhorar as coisas?

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4. Thommy

 

     Tentei não observar Elyssa ela estava vermelha. Caminhamos até o centro da praça da cidade, com o trabalho antes do natal até agora não havia parado para notar os enfeites nas árvores. Sinos e guirlandas brilhavam ao lado de pequenos flocos de neve com lâmpadas de pisca-pisca, luzes caiam como cascata penduradas ao seguir de cada rua e no centro da praça uma grande árvore cheia de bolinhas coloridas chamavam atenção com pequenos anjos tocando uma música natalina calma porém festiva. Olhei para Elyssa que estava tão encantada como eu.

 

- Você não veria isso na cidade, não? - Perguntei e ela apenas acentiu. Sorri, era a melhor resposta.- An, preciso ir até a livraria.

- Livraria?

- Ah...sim, preciso comprar o presente da Clara.- Ela me olhou surpresa.

- Ela te pediu um livro?- Sorri, havia esquecido que conversava com uma aspirante a jornalista.

- Sim. Bem, preciso ir. Quer ir junto?

Ela seguiu ao meu lado. Chegamos a livraria que para a minha grande surpresa ela estava fechada. Ótimo, não basta deixar para a última hora agora não tinha um presente nem nada.

- Ah Thomas. - Não podia ter feito isso.- Não acredito.

- Não tem uma outra livraria ou um sebo que possamos comprar o livro? - Possamos? An...mesmo que existisse estariam fechados.

- Não, na verdade a cidade é pequena e essa é a única livraria. - Observei o livro na prateleira atrás de um senhor idoso sentado arrumando as últimas caixas para ir embora. Se a porta pelo menos estivesse aberta.- Espero que Clara entenda.

- Tem certeza que não há outro jeito?

- Acha que eu já teria tentado se houvesse. - Parei, Elyssa me observou não precisava dizer o que disse.- Desculpe. Bem, preciso ir para o plano B, preciso comprar comida.

- Hum, ok. Vou te esperar aqui, Thommy. - Ela esboçou um sorriso.

Por sorte o mercado ainda estava aberto, comprei tudo que devia e voltei até a praça. Elyssa estava sentada em cima de uma das malas, acenou pra mim quando me viu tinha um embrulho rosa em sua mão.

- O que você fez? - Perguntei ela estava com uma cara misteriosa.

- Bem, acho que Clara não vai ficar mais sem presente. - Ela estendeu o embrulho para que eu pegasse.

- Aonde conseguiu isso?- Ela sorriu.

- Devia me agradecer não me levar a um interrogatório.

- Elyssa você roubou o livro?!

- O que? Não, Thomas! Eu só fiquei implorando tempo o bastante para que senhor convecesse que ele precisava abrir a porta. Mas você me ofendeu.

- Desculpe, mas você não me contaria se não dissesse. - Ela esboçou um sorriso tímido. - Quanto te devo?

- O que? Não, nada. Digamos que é um presente, não é todo dia que temos uma garotinha que pede um livro de presente.

- Digamos então que você também já foi uma garotinha que pedia livros? - Peguei uma das malas com rodinhas enquanto ela colocava a mochila nas costas e seguimos andando pela calçada. Elyssa havia me feito um favor, um grande favor, agora nada mais justo que deixa-la "em casa". O mais engraçado é que parecia ter a conhecido antes, gostava da sua companhia.

- Não, eu sempre pedia bonecas. - Nós rimos. Certo. - Mas depois comecei a pedir livros e mais livros, hoje eu compro meus próprios livros mas é sempre bom ver que alguém ainda incentiva isso.

- Não sabe como ela vai ficar feliz.

- Ah, pode ter certeza que sei.

Caminhamos até chegar a uma rua silenciosa, já havia escurecido passava das sete da noite a maioria das pessoas já estavam em casa festejando a chegada do natal. Paramos em frente de uma casa colorida cheia de pisca-pisca além de uma placa pregada no jardim com um emblema de feliz natal ao lado de um boneco de neve amigável, mesmo com todos os enfeites a casa não deixava de ser aconchegante.

- Bem, é aqui. - Ela disse virando para mim.

- E sua cabeça? Ainda está doendo? - Ela riu e acabei rindo também.

- Eu já me esqueci dela a um bom tempo, quer dizer, ela não dói mais foi só um susto mesmo.

- Bem, de qualquer modo se conseguir sinal pode ligar para Louise.

- Ah...- Ela parecia desapontada, mas Louise realmente queria saber dela. - vou ligar.

- Desculpe pelo carro.

- Desculpe pelo idiota. - Ela pegou a mala da minha mão e seguiu até a porta. - Feliz natal, Thomas.

Acenei mas não consegui responder de volta. Elyssa já havia entrado.

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