Drama

Tudo pode acontecer na véspera de Natal, principalmente estar em uma cidade desconhecida, sem sinal, em um aeroporto na chuva, lidando com um garoto que diz que Papai Noel usa All Star.
Será que um café pode melhorar as coisas?

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2. Papai Noel usa All Star

 

      O movimento estava baixo e para contar não iria para a casa tão cedo, horário normal de trabalho, e nem havia comprado os presentes isso porque odiava procrastinar. Até que ela chegou e parecia perdida, de fato estaria se não conhecesse Louise. Agora tentava a ajudar a chegar a sala dos funcionários, ela hesitou, talvez não confiasse em mim.

 

Ela sentou no sofá tentando se acostumar com o local. Não era muito grande na verdade parecia um quarto de um micro apartamento, tinha as paredes brancas, uma mesa para refeições, dois sofás para descanso além de uma mini cozinha embutida, esse ano acabamos colocando os enfeites de natal que não couberam na decoração da cafeteria. Notei que ela reparava no papai Noel sentado no sofá a frente, sim, ele usava All Stars por causa de um pequeno acidente com o sapato no transporte. Sentei na cadeira ao lado da mesa.

- Tudo bem com a cabeça? - Perguntei, ela estava pensativa.

- An...sim. - Ela me observava. Certo, conhecia aquele olhar.

Então Louise entrou na sala e ela pareceu mais calma.

- E então mocinha, você está bem?

- Sim, muito obrigada por se preocupar, mas estou bem. - Ela esboçou um sorriso.

- Hum...bem, Thomas leve Elyssa até a casa dos avós dela na cidade. Vá com o carro da empresa e tire o restante do dia de folga.

- Não, não precisa. Sério, eu vou pegar um táxi e...

- Não, você acabou de bater a cabeça sem contar que não tem táxi mais. - Louise quis ter certeza que foi clara. Sem nenhuma objeção. - Thomas irá te levar. Quando chegar ligue, estarei esperando. Agora vão antes que você mude de ideia e me processe.

Seguimos até o estacionamento, já havia levado as malas para o carro antes de Louise pedir, sabia que ela diria isso e eu estava contando com a tarde livre. Ela hesitou novamente talvez não quisesse entrar em um carro com um garoto estranho funcionário da cafeteira do aeroporto.

Estava chovendo e a estrada vazia. Não era surpresa já que o aeroporto ficava no meio do nada há uma hora de distância da cidade. Observei a estrada livre a frente, precisava chegar a tempo das lojas não fecharem.

- An...tudo bem com a cabeça mesmo? - Tentei puxar assunto, ótimo tema. Ela me observou, queria saber o que pensava.

- Não precisa dizer isso toda hora. - Foi tudo.

- É que eu precisar ter certeza que você não vai ter um ataque epilético. Estamos longe do hospital. - Ela me encarou queria saber se estava falando sério.

- Pode parar ali?

- Por que?

- Você não acha que vou até a cidade com você, não é? - Ela tirou o cinto e colocou a alça da bolsa no braço, mas se ela pensa que vou deixa-la andando na estrada sozinha está muito enganada.

Fiz o que ela pediu mas deixei as portas trancadas. Ainda chovia e não era uma boa solução sair do carro.

- Certo, me desculpe. - Ela continuava quieta observando a situação. - Mas eu cumpro ordens e dei minha palavra que te deixaria na casa dos seus avós então você não vai sair.

- Já terminou com o discurso? Agora pode abrir a porta?

Tirei minhas mãos do volante e as chaves do carro. Aquela conversa iria longe e eu ainda tinha presentes de natal para comprar.

- Se você sair, não vamos a lugar nenhum. - Ela esboçou um sorriso, era sincero.

- Por que? Acha que eu não consigo?- A observei, ela não podia estar falando sério.

- Não, na verdade acho que o sinal já voltou e da pra chamar um táxi. Claro, é natal. 

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