Drama

Tudo pode acontecer na véspera de Natal, principalmente estar em uma cidade desconhecida, sem sinal, em um aeroporto na chuva, lidando com um garoto que diz que Papai Noel usa All Star. Será que um café pode melhorar as coisas?

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1. Drama

   

      Tudo que eu precisava era de um copo de café. Talvez isso recuperasse o meu dia ou apenas melhorasse o gosto amargo da minha boca por causa dos biscoitos do serviço de bordo do avião. O aeroporto estava vazio, obviamente era véspera de natal todos já estavam em casa ou simplesmente mudaram seu vôo para uma cidade que não fosse perdida no mapa. Segui até a cafeteria.

 

Não estava vazia, pelo menos havia um casal compartilhando um cappuccino, um senhor bebendo um expresso e uma mulher com o que parecia ser sua filha adolescente que odiava viagens. Notei o garoto atrás do balcão vidrado no celular, devia estar acostumado ao grande movimento da cafeteria. Escolhi uma mesa ao lado da janela agora podia notar pequenas gotas de água escorrerem pelo vidro, adorava a chuva e ela parecia saber disso, nada como café e chuva. Peguei meu celular não havia o visto desde a saída do vôo, talvez alguém tivesse mandado alguma mensagem importante. Pensei nas pessoas que poderiam fazer isso e cheguei a conclusão que precisa conhecer outras. Como sempre estava certa, nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nenhuma notificação de vida somente a reluzente barrinha que poderia indicar sinal vazia. Era tudo o que eu queria. Como se viajar por duas horas para passar o natal com seus avós porque seus pais estavam em uma viagem ao outro lado do mundo realizando um trabalho voluntário não fosse ruim. Tudo bem, eu entendia a situação mas tinha que ser no natal? Exclui o pensamento egoísta o garoto do balcão estava sorrindo.

- Olha quem está aqui! - A atendente disse ao meu lado. Na verdade a conhecia por Louise, ela era vizinha dos meus avós me tornei amiga dela com todos as datas importantes que passei aqui. Agora ela tinha um crachá de gerente e um sorriso radiante de sempre. - O que está fazendo aqui? Pensei que passaria o natal em casa.

- É, eu também pensei. - Ela sentou na cadeira a frente. Havia pontos positivos em pegar um vôo cansativo.

- Bem, mas o que importa é que você veio. O que vai querer? É por conta da casa. Quase nunca temos convidados especiais.- Sorri, ela sabia como me fazer sentir melhor.

- O de sempre.

- Hum...então que seja O De Sempre. Já trago em um minuto.

Ela saiu me deixando sozinha com meus pensamentos egoístas. Agora só restava eu, o homem com segundo expresso e o casal que no momento fazia juras, esperava que o casamento não fosse hoje pois realmente queria tomar meu café em paz. O garoto do balcão observava a cena um pouco entediado, esperava que minha expressão fosse diferente, segurei o sorriso e ele pareceu notar. Certo, aquilo estava ficando interessante. Voltei ao celular, ainda bem que havia o blocos de notas.

- Prontinho.- Louise entregou meu café. - Mais alguma coisa?

- Ah não, pra mim isso já é suficiente. - Ela sabia qual era o tom de uma frase animadora e aquela estava bem longe disso.

- Nem sempre temos o que queremos mas o que necessitamos. Talvez o café seja tudo o que você precisa. - Ela sorriu.

- O que houve com o movimento de fim de ano? - Perguntei desviando o olhar do garoto, sabia que ele olhava de vez em quando queria saber o porquê.

- Ah querida, sabe como é, aeroporto pequeno, cidade pequena, um pouco de crise econômica, outros pontos turísticos e voilá temos esse lugar. Sem contar que muitos estão mudando os vôos por causa das chuvas fortes dos últimos dias, quem chega acaba pegando um ônibus para uma cidade mais próxima para retornar. É, sem movimento.- Ela observou meu café e deu um sorriso. - Bem, mas agora é melhor você toma-lo antes que esfrie. Qualquer coisa estarei na sala da gerência.

- Obrigada, Louise.

- É muito bom saber que você veio.

- É realmente bom estar aqui. - Absorvi as palavras, talvez elas fossem uma espécie de adoçante.

Ela sorriu e saiu me deixando novamente. O movimento ainda era o mesmo a não ser uma mulher um pouco molhada pela chuva que agora tomava um café extra forte, conseguia sentir o cheiro de onde estava, podia deixar qualquer um vivo ou mostrar o que é viver. Escutei a conversa dela com o senhor em seu terceiro expresso, é ele realmente queria se manter acordado, eles falavam a respeito do horário de fechamento do aeroporto, da chuva, da falta de sinal que eu já tinha percebido e dos últimos táxis do dia que sairiam em minutos pois era natal. Era natal. E essa talvez fosse a deixa que precisava para ir.

Levantei e peguei minha mala, me agradeci por ter comprado uma com rodas talvez assim chegasse a tempo. Corri até a porta da cafeteira e para minha surpresa eu não chegaria até o táxi, escorreguei em uma poça d'água.

Acordei com o garoto do balcão me observando, as pessoas que restavam também olhavam curiosas para a garota caída no chão, me levantei aos poucos minha cabeça estava dolorida mas não achava que era grave, Louise se aproximou.

- Ai minha nossa! Você está bem? Sua cabeça está doendo? Você vai nos processar?

- O que? Não, eu estou bem e não vou processar vocês, foi eu quem saiu correndo e escorreguei.

- Você realmente está bem? - Ela me ajudou a se levantar. - Não, você não está bem.

- Louise, tudo bem, é verdade. - Ela me encarou, queria ver se eu realmente estava dizendo a verdade.

- Mas por precaução. Thomas, leve Elyssa até a sala dos funcionários, certifique que ela não vá fugir. Eu já vou até lá.

- Claro. - Então ele era Thomas?

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