The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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Quatro Anos Antes

Mansão dos Faye

Marblecoast

3h30 a.m.

—Meninas? Vocês falaram que iam estar em casa às uma. Já são praticamente quatro da manhã.- minha mãe parou de falar assim que me viu.

—Graças a Deus, eu já estava mandando Adolph ir buscar vocês.- a voz de Audra, mãe de Barbara, ecoou pela casa anunciando sua chegada na sala de visitas. Ela ficou séria quando nos viu e esperou 3 segundos para dizer. —Cadê a Barbie?

—A... B-Barbie..- comecei.

—Ela não quis vir com a gente.- Persie falou por mim.

—Ela não quis vir. -Audra deu um sorriso que não refletiu nos seus olhos.—Ótimo. Perfeito. ALDOOOPH.- Ela tinha a voz mais potente que eu já tinha ouvido na minha vida.

—Senhora.- Adolph praticamente se materializou na nossa frente.

—Quero que busque Barbara em Meadowfort. Não importa se ela não queira vim, traga-a nem que seja pelos cabelos, mas antes passe no meu quarto e acorde o senhor Faye. Ele vai gostar de recebê-la pessoalmente.- ela lembrava muito Barbara numa versão mais velha.

Era esbelta demais para idade e sabia convencer as pessoas a ficarem do seu lado.

A única diferença era que Audra era boa e fazia as coisas certas, ao contrário de sua filha.

—Anallise, querida, leve suas filhas para a cama e descanse. Não se preocupe comigo. Daqui para frente eu dou conta .- ela alisou os cabelos da minha mãe e deu um beijo na testa de Persie e na minha.

—Vamos, crianças. Vocês ainda precisam de um banho antes de dormir.- minha mãe nos guiou até a escadaria, seguindo na frente com Persephone.

Senti uma mão segurar meu antebraço delicadamente.

—Lettie, querida, me diga a verdade. Barbie estava com alguém ou fazendo algo errado? Não quero minha filha agindo como uma vadia por aí.

Eu quase ri. Eu tentei fazer a filha dela não se prestar a esse papel, só que não adiantou muito.

Veja só no que deu. Fui humilhada publicamente.

Imagens de Barbara ora se agarrando com Christopher, ora chapada de maconha, ora virando copos de vodcas, inundaram minha mente, mas eu as expulsei.

Encarei os olhos azuis atentos a cada uma das minhas expressões e disse com uma falsa convicção:

—Não, Auddy, Barbie não estava com ninguém nem fazendo nada de errado. Ela só estava...aproveitando a festa.- Audra passou a mão no meu cabelo e sorriu sincera para mim.

Ela sabia que eu nunca entregaria Barbara, mas ainda sim ela tentava.

—Queria que ela fosse mais como você.- ela me liberou e eu subi as escadas rapidamente cruzando com o senhor Faye, que já estava com sangue nos olhos só de ouvir de Adolph que Barbara não havia chegado junto comigo e com Persie.

O andar de cima era um corredor enorme. Do lado direito ficava o lado dos adultos, do lado esquerdo ficava o das "crianças". Era onde ficava o meu quarto, o de Persie, o de Barbie e o de Gunther, irmão mais novo de Barbie.

Entrei no meu quarto e encontrei Persie deitada na minha cama com seu pijama no colo.

—Será que eu poderia dormir aqui? Não acredito que eu vá conseguir dormir com os barulhos quando Barbara chegar.- ela disse enquanto mexia no meu celular.

Ela tinha razão. Quando acontecia do senhor e da senhora Faye esperarem acordados Barbs chegar, a noite nunca era silenciosa.

Sempre eles iam discutir no quarto dela que era em frente ao meu e ao lado do de Persie.

Saiam de lá palavrões, gritos, ofensas e até tapas.

—Eu vou tomar um banho, fique à vontade.- pisquei para Persephone que soltou um "Pode ter certeza".

Fiquei um tempo olhando meu rosto no espelho. Não parecia que eu tinha sido passado o que passei naquela noite. Minha expressão era normal, os olhos quase não pareciam mais inchados de chorar e a ponta do meu nariz não estava vermelha.

Entrei embaixo do chuveiro quente e deixei a água limpar toda raiva que ainda poderia estar em mim.

Barbie era minha melhor amiga, minha irmã. Compartilhávamos roupas, ideias e ela nunca se importaria com isso. Meus segredos–que não eram nada comparados aos dela– eram compartilhamos com ela. Barbie era minha confidente.

Ela apenas estava bêbada e chapada. Nunca pensaria aquelas coisas de mim. Nunca ficaria com o garoto que eu gosto para me atingir. Acho que nem gostar dele eu gostava de verdade.

Ela nunca me faria chorar em público, nunca diria coisas ruins sobre mim.

Mas ela disse. Fez. Ficou. Pensou. Se importou.

Saí do banho não mais esclarecida do que entrei.

Coloquei meu pijama e escovei meus dentes. Prendi meus cabelos num rabo de cavalo e ouvi Persie dizer enquanto saía do banheiro:

—Você sabia que o Samuels tinha um primo na faculdade?

—Não, e ele ainda tem todas as aulas comigo. Somos do mesmo curso e eu nunca o vi.- eu me deitei ao lado dela me esticando em todas as direções.

—Talvez você tivesse ocupada demais olhando para o Christopher.-ela me provocou.

—Eu não fico olhando para o Christopher!- rebati mas ela continuou.

—Eu só apareço na sua faculdade duas vezes por semana, na hora da saída e você sempre está lá babando por ele, por favor. Sem contar o fato que você o venera desde os quinze anos.

—Você é ridícula.- eu a empurrei de leve e Persie riu.—Para quem não gosta dos Samuels você parecia bem interessada no Henry hoje.

Ela quase se engasgou com a própria saliva.

—Ha ha ha, suas piadas ficam a cada dia melhores. Não fui eu que fiquei quase uma hora com ele enquanto minha irmã estava preocupada comigo no carro.- suas bochechas estavam vermelhas e ela estava evitando me olhar.

Culpada.

—Estava chovendo e praticamente nem conversamos direito, diferentemente de você que quase faltou suspirar com um simples beijo na mão.- ela pegou uma almofada e jogou em mim.

—Eu te odeio, Scarlett. AH!- ela pegou o travesseiro e colocou no meu rosto tentando me sufocar.

—Meninas- ouvi a voz de mamãe na porta.—Menos barulho, já é hora de dormir. Persephone saia de cima de sua irmã. Boa noite, crianças.

—Boa noite, mãe.- respondemos em uníssono.

—Persephone Westbrook apaixonada por um Samuels. Essa é uma coisa inesperada.- eu ri e ela mostrou a língua para mim enquanto se levantava.

—Eu não estou apaixonada por ninguém. Vou tomar um banho.-disse pegando suas roupas e rumando para o banheiro.

»«

Eu estava abraçada com Persie quando começou.

Primeiro foram os passos furiosos pela escadaria.

Depois pelo corredor.

E então a porta do quarto à frente bateu com força.

Uma, duas vezes.

"Olhe para você, Barbara, que estado deplorável!"

"Deplorável? Isso ainda é um elogio para ela."

"O que foi que a putinha informante contou para vocês?"

A voz dela estava abafada e estava distante mas era como se ela estivesse falando ao pé do meu ouvido.

"Ela falou que eu estava bebendo? Transando com o garoto que ela gosta? Ou desaparecendo em meio a fumaças de maconha?"

Silêncio.

"Como você pode falar assim dela? Ela é quase uma irmã sua."

"Irmã, o caralho."

Som de um tapa.

"Você deveria ter mais respeito e consideração. Scarlett negou que você estava se prestando a esse papel ridículo em público."

Mais silêncio.

Se ainda restava algo da minha Barbara, ela estaria chorando. Eu estava.

"Bem, você é adulta, sabe o que faz e por que faz. Se não vai respeitar as minha regras, não vamos respeitar os seus desejos. A partir de hoje, se quiser algum dinheiro vai ter que trabalhar para ter. Ou torrar o dinheiro que está na sua poupança. Pode escolher, se você já é dona do seu nariz para sair por aí fazendo o que quer, já pode bancar suas coisas sozinha."

"Você só pode tá de brincadeira."

Respirei tentando conter os soluços ou acabaria acordando Persephone.

"Eu realmente não queria que as coisas fossem desse jeito." A voz de Audra era de cortar o coração.

"Espero que você perceba quem está realmente ao seu lado e quer o seu bem, antes que seja tarde demais."

A porta novamente abriu e fechou com clique muito mais singelo do que das primeiras vezes.

Eu era uma pessoa terrível. Deveria ter ficado um pouco mais na festa com Barbara.

Nada disso estaria acontecendo e a culpa não seria minha.

Apertei Persie um pouco mais contra mim até os soluços pararem ou eu ter pegado no sono. Não lembro a ordem.

(Notas finais: Hey, se você leu até aqui eu gostaria de dizer muito obrigada e se você estiver gostando, deixe um comentário dizendo o que está achando da história ou apenas um "oi".

Não se esqueçam de votar/ favoritar e indicar para os amigos.

Essa história é postada também no Wattpad, Social Spirit e Nyah!Fanfiction.

Qualquer dúvida estamos aí!

Até a próxima

Xx)

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