The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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Quatro Anos Antes
Universidade de Meadowfort 
Meadowfort
7 a.m
Segunda-Feira

—Olá, Scarlett, se eu te der um dinheiro para ajudar sua família falida, você faz uns... favores para mim?

Fingi que não ouvi e continuei andando.

—Aposto que ela com certeza presta uns favores para o senhor Faye...

Desviei do embuste na minha frente.

—Eu sempre soube que ela não era uma santinha e sim uma aproveitadora.

Virei no sentido contrário no final do corredor.

Nada adiantou.

Graças a Deus, encontrei o meu armário sem esses urubus em volta.

—Lettie, quem foi o idiota que saiu contando para todo mundo que minha família ajuda a sua?- Barbie sussurrou ao meu lado e eu apenas dei de ombros. —Pois fiquem sabendo que ninguém se aproveita de ninguém aqui, okay? Scarlett é como uma irmã para mim.

O burburinho parou, mas ainda era possível ouvir alguns corajosos dando risadinhas.

Eu estaria dando risadinhas por Barbara estar com tanta ressaca que ela não se lembrava do que havia dito e feito. Porém a questão era muito mais profunda.

A questão me envolvia.

—Prometo que no intervalo eles não te perturbarão mais.- ela acariciou os meus ombros e seguiu o seu caminho.

Seja lá para onde fosse.

Peguei meus livros para a primeira aula do dia e rumei ao banheiro.

Me olhei no espelho. Respirei fundo. Desmenti para mim mesma todas as acusações que ouvi naquela manhã. Levantei a cabeça.

Eu sabia quem eu era. E não era nem um pouco parecida com o que eles achavam.

Não derrubei lágrimas e isso foi surpreendente.

Olhei no relógio e aquele seria o primeiro atraso do semestre e de todo o curso, a menos que eu achasse um jeito de chegar ao outro lado do prédio em um minuto.

Trombei com alguém assim que saí disparada do banheiro.

A pessoa assobiou e segurou o meu braço.

—Olha, se você vai falar alguma gracinha, primeiramente eu quero que você vá se...- parei de falar quando percebi o sorriso de lado.

—Desculpa a pergunta, mas por que você parece sempre com pressa ou fugindo quando eu te vejo? - Henry soltou o meu braço e se encostou na parede preguiçosamente.

—Talvez eu seja a louca dos horários que odeia socializar.

Seu rosto estava inchado como quem dormiu demais, o que deixava suas feições infantis, só que de um modo fofo. Se é que isso era possível.

—E por que você seria a "louca dos horários se ainda faltam praticamente meia hora para começar a aula?- franzi a testa e olhei o meu relógio de pulso.

Dizia que eu estava 10 minutos atrasada, mas eu também poderia jurar que talvez os ponteiros não tivessem saído nem um centímetro do lugar onde estavam há 5 minutos.

—Não acredita em mim? Olhe em volta, acha que todo mundo resolveu fazer greve estudantil?

Ele tinha razão o corredor estava lotado de vários grupinhos fofocando ou tirando sarro de alguém.

Tirei o relógio para consertá-lo.

—Problemas técnicos. Desculpa.- dei de ombros sem graça. Eu estava ficando paranóica.—Hm, e obrigada por me parar.

—Não precisa pedir desculpas porque essas coisas acontecem. E não foi nada, sei que às vezes é fácil perder a cabeça nessas horas. Como eu disse, já passei por isso.

Olhei para ele admirada.

—Como você não enlouqueceu?- Henry gargalhou jogando a cabeça para trás.

—Reaprendendo a ser invisível novamente, me camuflar.

—Devo admitir que você é muito bom nisso.- sorri de lado e ele riu mais um pouco.

—Ou talvez eu seja razoável e você seja bem distraída.- fingi estar ofendida.

—Talvez...- encostei ao seu lado na parede.

Observei os cabelos loiros de Barbs esvoaçar pelo corredor. Ela poderia estar preocupada com algo que ela mesma causou, mas isso claramente não a afetava. Sua vida continuava normalmente e isso era injusto.

—Ela ainda não se lembra?- Henry virou a cabeça para me olhar.

Ele vestia uma camiseta polo azul clara com uma jaqueta jeans. Enquanto o ajudava a descarregar sua mudança notei que ele era um grande fã de jaquetas.

Neguei com a cabeça respondendo sua pergunta.

—Se ela lembra, está disposta a fingir que não.- tentei olhar nos olhos dele, como ele fazia comigo, mas não consegui. Seu olhar era intenso demais.

—Talvez seja melhor assim. Pelo menos você ainda tem a "amiga" ou ela está a disposta a continuar fingindo que sim.

—Seja o que for, ainda prefiro que ela seja honesta, não importa sobre o quê.

Ele assentiu com a cabeça e olhou para frente.

—Hm, bom dia.- uma voz fez meu corpo superaquecer. —Henry, por acaso minha planilha não ficou na sua bolsa?

Christopher parou ao meu lado, enquanto Henry abria a mochila.

Podia sentir seu olhar sobre mim, mas continuei encarando o chão.

—Sua mãe pediu para que eu passasse lá antes de vim para cá, pois você esqueceu na mesa do café.- Henry se levantou novamente e eu me sentia entre duas muralhas.

—Ah, obrigado. Ela sente sua falta em casa. Sabe que pode ficar lá quando quiser, né?

Henry deve ter assentido com a cabeça pois não respondeu verbalmente.

Christopher ajeitou a postura para sair, mas se conteve de repente.

—Ah, Scarlett...-levantei meu olhar para os seus olhos azuis profundos.

Nota mental para continuar respirando involuntariamente.

—Eu soube, ou melhor, assisti o que aconteceu na festa e peço, hm, sinceras desculpas.

—Não deveria ter ficado só presenciando a humilhação.- Henry disse secamente.

Christopher passou a mão nos cabelos e suspirou.

—É, eu sei, mas eu, quer dizer, acho que nenhum de nós que participou daquilo estava em sã consciência, por isso peço desculpas. Se precisar fazer os idiotas sem noção calarem a boca, só chamar. - ele deu um sorriso triste e saiu.

Fiquei lá parada, digerindo o que acabou de acontecer.

—Vamos, vou levar você na enfermaria?- Henry pôs a mão no meio das minhas costas e tentou me guiar.

Eu o olhei confusa.

—Para que você vai me levar na enfermaria, Samuels?

—Ah, pensei que você iria desmaiar com o Christopher falando com você.- arregalei os olhos e o empurrei.

—Você é um idiota, Samuels. E mesmo se fosse verdade de eu querer ficar com ele, você disse que não me julgaria por querer ficar com alguém.

Senti minhas bochechas esquentarem.

—Você também não tem uma boa memória, Westbrook. Eu disse que não te julgaria se você quisesse dormir com alguém, já com o Christopher... por favor, não desça na minha escala.- ele sorriu mas seus olhos eram tristes.

—Você tem uma escala?

—Garotos não podem compartilhar essa escala com as garotas, desculpe.-Henry enlaçou o braço no meu e eu não reclamei. —Agora deixe-me acompanhar a senhorita para nossa sala de aula, antes que certas "distrações" a impeçam de chegar no horário de fato.

Dei um risinho sem vontade e seguimos em direção ao outro lado do prédio.

As pessoas ainda me acompanhavam com olhares julgadores, mas graças a Henry, elas não ousavam dirigir uma palavra a mim.

Me perguntei como pude ficar tanto tempo sem notá-lo nesses corredores.

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(Notas Finais: hey, good people.

atualização meio atrasada, mas tá valendo.

quero saber o que estão achando da história e o que acharam do capítulo!

logo logo a história vai começar a ficar movimentada ;)

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até mais

xx)  

 

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