The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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7. »sixth«

 

 

Dias Atuais
Delegacia Distrital de Marblecoast
Marblecoast 
11h30 a.m.
Quarta-feira

—Senhorita Westbrook, eu já ouvi o depoimento de quase metade das pessoas que conviviam com Barbara e uma delas me mostrou um vídeo que não pode ser ignorado.-ele abriu uma gaveta e tirou um notebook de dentro.

Digitou algumas coisas enquanto eu esperava impaciente.

Então ele virou o aparelho para mim. Eu queria jogar aquele troço longe.

Demorou um pouco para imagem descongelar e o vídeo começar a rodar.

O vídeo era de péssima qualidade, a música estava alta e o microfone não era bom. Porém, eu não precisava de nada daquilo para repassá-lo em minha mente, já eu tinha vivido aquilo.

Passei os últimos quatro anos tentando esconder isso ou exterminar  da minha mente, mas sempre acabava voltando.

A voz de Barbara soando no microfone era como se ela despejasse as palavras no pé do meu ouvido.

Meu rosto estava seco, mas eu poderia sentir a quentura das lágrimas que rolaram do meu rosto naquele dia.

O ódio em seus olhos era quase possível de se tocar.

A voz e a mão de Henry também era tão presentes como todo o resto da lembrança.

Ainda poderia sentir os objetos, me acertando levemente, mas não chegavam a doer. Não doíam mais do que as palavras de Barbara em cima daquela mesa.

—A qualidade está meio ruim, aparentemente foi gravado de um celular. Mas você sabia que esse vídeo está na internet há 4 anos?

Afirmei com a cabeça. Era lógico que eles iriam postar, mas nunca fui idiota o suficiente para procurá-lo ou assisti-lo.

—Você sabe o que causou essa revolta em Barbara?- o delegado perguntou virando o aparelho novamente para si.

—Bem, não é um motivo plausível, e provavelmente não foi o real motivo porque ela fez isso, mas foi o que ela usou como álibi. Eu a chamei de vadia, como ela diz no vídeo.

—Por que você fez isso?- Barre perguntou, mas sem ser num tom acusatório.

—Barbara sempre pegou pesado nas festas, mas nessa em especial, ela fez coisas absurdas. Todo tipo de bebida que você poderia imaginar, ela bebeu. Todo tipo de droga, ela experimentou. Todo tipo de garoto, passou a mão nela naquela noite. E eu apenas observava tudo.

Eu estava suando.

—Que tipo de pessoa eu era? Eu tinha prometido aos pais dela que não a deixaria fazer nenhuma besteira. Ela era minha melhor amiga e eu estava deixando-a exposta daquele jeito.- fechei os olhos tentando não me exaltar novamente. —Quando olhei no relógio, vi que já tínhamos passado do horário combinado para chegar em casa. Então eu fui até onde ela estava aos beijos com um garoto...

—Christopher Samuels?- afirmei com a cabeça tentando não estremecer só de ouvir aquele nome.

—Ela se recusou a ir embora comigo. Só que quando eu voltava para casa sem ela, Barbara sofria as consequências com os pais. Ela disse que era para eu "relaxar" e esperar mais um pouco, mas eu estava me sentindo mal, estava passando mal, então eu disse que não a esperaria, pois não ia aguentar ficar assistindo a ela agir como uma vadia.

—E então ela resolveu te humilhar na frente de todo mundo?-confirmei e ele ficou parado olhando para mim.— E você acha que ela tinha outros motivos para fazer aquilo?

—Sim, talvez ela só tenha tido a coragem para explodir naquele dia. Talvez ela viesse pensando essas coisas de mim há um bom tempo.- dei de ombros tentando parecer indiferente com aquilo.

—E você teria uma ideia de quando ela pode ter começado a...pensar desse modo sobre você?- ele balançava a caneta entre os dedos.

Forcei a minha mente. Precisava ser honesta comigo mesma sobre Barbs.

—Talvez na nossa festa de quinze anos. O aniversário dela é apenas um mês antes do meu, então seus pais resolveram juntar nossas festas. Eu sei que só de terem marcado a festa para o dia que de fato seria o meu aniversário, já tinha sido um ponto negativo para ela.- eu ri da besteira que aquilo parecia, mas era a mais pura verdade.

—Você poderia me contar essa história?- seu olhar era que como cada vírgula que eu expressasse mudaria todo rumo da investigação então isso me fez voltar a 9 anos antes e contar como foi aquele dia.

»«

Nove Anos Antes 
Salão de festas dos Faye
Meadowfort 
12 p.m.

Quinta-feira

Eu estava sentada na mureta da varanda. Vestia apenas um robe verde água e uma touca nos cabelos molhados.

Poderia sentir gotícula de chuva molhando de tempos em tempos o meu pé, mas só quem conhecia a região sabia que a chuva não viria em instantes, mas em horas. Talvez nem viesse.

Era só o clima indefinido e imprevisível de Meadowfort. Apesar de ter nascido em Wildepond a poucos quilômetros dali, eu cresci em Meadowfort até minha família começar a falir.

—Que horror, Lettie. Você vai precisar de um outro banho se ficar aí sentada.- Barbie encostou na porta da varanda.

Ela era incrível ainda que desarrumada.

—Que nada.-respondi voltando a olhar para frente, para a paisagem de uma emergente cidade grande que nunca havia tido chance de ter virado realmente uma cidade grande. —A brisa daqui é ótima, você deveria experimentar.

Ouvi Barbara dar um risinho incrédulo, mas se sentou ao meu lado.

—A brisa pode até ser boa, mas a paisagem é horrível. Olha esses prédios antigos, feios e sem graça. Argh, deprimente.

Geralmente, Barbie costumava guardar esses pensamentos para ela e fingir aceitar o meu gosto que ela chamava de peculiar, porém, nos últimos meses, ela havia resolvido tirar o filtro entre seus pensamentos e sua boca, embora isso não me incomodasse nem um pouco.

—Gosto de olhar para essa paisagem porque me lembra dos tempos que eu era bem pequena e meu pai estava aqui. Além de me remeter ao passado, ela me leva ao futuro.- Barbs fez uma cara confusa. —Aquele prédio ali feio, antigo e sem graça é onde meu pai estudou e onde eu vou estudar um dia.

A garota fez uma careta, mas depois fez uma cara de assustada.

—Ali é a Universidade de Meadowfort?- eu assenti com a cabeça e ela arregalou os olhos. —Meus pais querem que eu vá para lá e não para uma da capital. Que por um acaso, são lindas e modernas. Que morte terrível.

—É a melhor do país, a que tem a maior variedade de cursos e de longe, a melhor universidade de Medicina.- eu olhei sonhadora para o local.

Além de que eu estaria andando pelos mesmos corredores que meu pai andou um dia. Mataria um pouco a saudade.

—Você não acha meio pretensioso da sua parte querer entrar na UMF? Quero dizer, ainda que você passe nos teste ela é a mais cara do país –o que eu não entendo, já que a infraestrutura é péssima– meus pais vão pagar para você também?- sua pergunta era afiada, mas camuflada pelo jeito espontâneo com que essas coisas saiam da boca de Barbara.

Não liguei muito, afinal era o jeito dela.

—Não, Barbie, não pretendo colocar a carga dos meus estudos nas costas dos seus pais. Por isso estou me esforçando e estudando para conseguir uma bolsa integral. Sei que são apenas 2 vagas, mas pretendo ganhar uma delas.

—Não queria que você me levasse a mal.- ela disse baixinho.

—Não levei.- eu a abracei de lado no momento em que minha mãe apareceu.

—Crianças, saiam já daí. Não querem pegar um resfriado antes de uma das festas mais importantes da vida de vocês, querem?- descemos da sacada e fomos guiadas pela minha mãe.

Enquanto andávamos o que Barbara me falou ficou em minha mente. Ela estava certa, eu estava me aproveitando da boa vontade de seus pais. 
Por isso decidi que assim que acabasse o recesso de inverno eu acharia um emprego para começar a juntar e ter meu próprio dinheiro.

(Notas finais: Hey, desculpem pelo pequeno atraso. Espero que gostem do capítulo!

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Até mais

xx)

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