The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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18. «seventeenth»

Dias Atuais
Mansão Late Nights
Meadowfort 
p.m.
Segunda-Feira

»Eric«

Já havia perdido as contas de quantos copos de café eu havia terminado tomando apenas um gole.

O gosto do café puro, e cada vez mais forte, nem me causava mais nenhum amargor.

Eu estava naquele lugar desde às sete da manhã. Aquele era o primeiro caso que realmente estava prendendo minha atenção em cinco anos.

Já havia interrogado várias pessoas e não via quem poderia estar faltando.

Os depoimentos que mais me importavam eram o de Scarlett Westbrook e Christopher Samuels e eu não me cansava de repetir o áudio de cada um deles compulsivamente.

Eu sabia que ambos eram peças chave para essa investigação.

—Eu ainda acho que essa Scarlett deve ter dado cabo da loirinha.-o policial Sarot disse firmemente, me surpreendendo com a sua certeza.

—Por que parece ter tanta certeza disso? Você sabe de alguma coisa?- perguntei andando pelo cômodo.

Estávamos instalados onde teria sido a pista de dança na fatídica noite. Os donos foram gentis o suficiente para não nos deixar do lado de fora com aquele vento de outono.

—Não é óbvio? Você viu aquele vídeo da festa de quatro ano atrás? A loirinha fez uma humilhação bem digna de filme com ela. Isso está na internet até hoje.- Sarot disse ajeitando o uniforme.

—Não sei, o depoimento dela é importante, mas não encontro muitas falhas que valham tomar notas. Além disso, ela me pareceu bem abalada com tudo isso.- assim que eu terminei de falar ele estalou os dedos e apontou para mim.

—E não é esse o ponto dos psicopatas? Fingir-se de vítima ou passar despercebido como suspeita?- eu sorri para o homem calvo à frente.

—Calma aí, rapaz. Agora você está levando isso para outro nível. Não anda vendo muitos filmes ou lendo romances policiais demais, não?- Sarot fez uma careta para mim e esfregou as mãos nas bochechas.

—Escute o que eu digo, essa garota esconde mais do que a gente pensa.- e então ele virou em direção à porta. —Vamos ver se a perícia encontrou algo interessante.

»«

O perímetro estava completamente cercado com as fitas "Não ultrapasse."

A lama se aderia ao meu sapato com uma facilidade irritante e até chegava a atrasar o meu passo.

—Se o criminoso deixou alguma marca no chão, teve muita sorte. Vai ser muito difícil achar algo depois da chuva desses dias.- um dos peritos disse, mas eu não prestava muito atenção.

Um carro pequeno e discreto havia acabado de parar na frente da Late Nights. Olhei em volta procurando alguém que soubesse algo sobre, mas todos estavam ocupados demais em suas funções.

Bebi o resto do meu café num único gole e deixei o copo em cima da mesinha improvisada.

Enfiei as mãos dentro do bolso do casaco e me pus a andar.

As pessoas haviam sido avisadas que o clube estaria fechado para investigação.

Limpei a lama do meu pé e entrei novamente na construçãol.

—Gunther, tudo certo?- uma voz conhecida feminina disse, mas não consegui ouvir a resposta. —Então, vamos.

Ao virar no corredor dei de cara com Persephone Westbrook e Gunther Faye. Os olhares surpresos dos dois provavelmente refletiam o meu.

—Senhorita Westbrook e senhor Faye, a que devo a honra da presença de vocês?

—É...- Gunther começou ainda surpreso por me ver, mas Persephone concluiu a resposta.

—Eu perdi meu chaveiro. Tem um valor sentimental enorme. Achei que tinha esquecido na universidade, mas lembrei que poderia ter deixado aqui no...-ela olhou para os pés sem graça e acrescentou baixinho. –Naquele sábado.

Ficamos em silêncio por um minuto como em um acordo até que eu disse:

—Mas e então, conseguiu achar?.- ela confirmou efusivamente com a cabeça e mexeu no bolso tirando um chaveiro com a imagem de uma coruja, cravado com alguns brilhantes e provavelmente de ouro. —Que bom que conseguiu, corria o risco de ter ido para o arquivo da investigação

Ela sorriu genuinamente, mas sua expressão se tornou dura de repente.

—Gunther, por que não vai na frente? Está frio aqui e você está sem casaco.- o garoto realmente estava congelando desde a hora que começamos a conversar.

Ele apenas assentiu com a cabeça se despediu e saiu pela porta.

—Ele está muito abalado, mas também quem não está? Eu mesma não consigo dormir, minha irmã está no ápice emocional dela. Estou vendo todos desgastados e eu não posso fazer absolutamente nada.- ela esfregou as mãos nas têmporas. —Barbara era muito amada por nós. Todos nós.

Eu me recostei na parede.

—Eu imagino. Por isso que está tão difícil achar um suspeito.- minhas palavras soaram um pouco ácidas, mas não liguei já que Persephone pareceu não perceber.—Sei que é difícil responder isso, mas você não tem nenhuma ideia de quem poderia ter uma motivação para isso?

Ela pareceu meio desconfortável por apontar alguém como suspeito.

—Sinceramente, como disse ao senhor no meu depoimento, eu não consigo achar alguém com motivos suficientes para isso. A pessoa teria que ter muito ódio para fazer uma coisa dessas e olhe lá.- ela ajeitou os cachos dos cabelos.— Se bem que para falar a verdade, do jeito que o mundo está hoje, eu não me surpreenderia se quem fez isso foi alguém que nem ao menos conhecia a Barbara.

—Você quer dizer que alguém pode ter feito isso só para seu prazer?- abri um sorriso com a inocência dela.—Como um começo de uma jornada de um serial killer.

Ela realmente não parecia descartar essa opção:

—Por que não? Não seria tão absurdo assim, essas coisas vivem acontecendo o tempo todo na Capital.- ela disse firmemente.

—Você tem razão, não podemos descartar nenhuma possibilidade.- passei a mão pelos cabelos enquanto Persephone me observava, quando viu que eu  percebi, abaixou o olhar rapidamente envergonhada.

—Perdoe a minha indiscrição, não sei se é permitido revelar, mas minha casa está um caos, vocês conseguiram achar alguma coisa, uma pista para onde estaria o corpo, sei lá, alguma pista para qualquer coisa?

—Ainda não achamos nada relevante. Pensamos em procurar pegadas na parte de terra ou quem sabe alguma coisa que informe que, pelo menos, Barbara passara por ali, mas a chuva desses dias nos atrapalhou muito.- a expressão de desapontamento preencheu o seu rosto.

—Sabe, eu quero que isso acabe logo. Sei que essas coisas não se resolvem do dia para a noite, mas não aguento mais ver as pessoas em minha volta definhando. Scarlett, por exemplo, não come direito há dias, às vezes ouço ela chorando ao invés de estar dormindo... se o senhor pudesse conversar com ela, porque eu juro que já tentei...- ela balançava o peso do corpo para frente e para trás.

—Ela e Barbara eram inseparáveis, é inacreditável que alguns idiotas ainda usam aquele vídeo ridículo de quatro anos atrás para acusar minha irmã dessas coisas terríveis. Ela é tão boa, não teria esse sangue frio. Na verdade, não deveria estar nem divagando sobre ela ter sangue frio ou não, ela nunca faria isso e...

—Estão acusando, Scarlett? Quem? -perguntei interrompendo-a.

—Ah, o pessoal da faculdade, fora as pessoas que nem a conhece e lançam olhares acusadores.- seus olhos estavam marejados. —Desculpe, é que sinto que nunca voltaremos a ser como éramos antes de tudo isso, e é muito difícil, sabe? -assenti com a cabeça.

—Acusar sem provas é crime e eu irei conversar com ela, não se preocupe. Tenho certeza que tudo se esclarecerá o mais rápido possível.

—Sinto muito por atrapalhar seu trabalho.- Persephone disse impedindo as lágrimas de caírem.

—Não foi nada.- ela deu o primeiro passo para ir embora, mas sua bota prendeu no chão e eu segurei sua cintura impedindo-a de cair.

—Perdão.- ela disse sem olhar para o meu rosto, mas pude ver a coloração preencher suas bochechas.

—Até breve.- ela deu um aceno breve da porta e eu respirei fundo.

Queria que realmente nesse caso pudesse ser algum serial killer previsível que escolhe suas vítimas sem motivo, mas pela minha experiência eu sabia que esses casos eram ainda mais macabros por quase sempre serem realizados pelas pessoas mais próximas das vítimas.

Olhei para os meus pés e vi pegadas similares a da minha própria bota.

Estranho, eu podia jurar que havia tirado completamente toda lama do meu calçado.

»«

(Notas Finais: hey, good people

o que acharam desse primeiro capítulo do ponto de vista do delegado Eric Barre?

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até a próxima

xx)

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