The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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10. «ninth»

Dias Atuais
Lanchonete Bolton's
Marblecoast
6 p.m.

Quarta-feira

Não tem problema mesmo para o senhor?- encarei meu chefe, Dane Bolton, com suas bochechas rechonchudas e vermelhas quase completamente cobertas por sua barba branca.

—Scarlett, criança, já disse que não tem problema algum. Não acho que eu poderia evitar a entrada do delegado, de qualquer forma, mas além disso, quero que você passe logo por essa bolha de tensão. Se acha mais confortável que seu interrogatório seja aqui, não vejo problema algum. Aqui também é sua casa.–abri um sorriso de orelha a orelha e me estiquei sobre o balcão para abraçá-lo.

Abri a boca para falar mais alguma coisa, mas ele não esperou já dizendo com a sua voz grave e poderosa, mas ainda sim, reconfortante.

—Não se preocupe com o seu turno, já falei com o Gianni pedindo para ele cobrir você amanhã e depois você faz o mesmo por ele.- eu o abracei novamente e corri para o banheiro pronta para pôr meu uniforme.

Eu trabalhava para Dane desde os meus 15 anos. Ele quase não me aceitou no começo, alegou que eu era muito jovem e que eu tinha uma vida muito estável para ter todo aquele desespero para conseguir um emprego.

Ele tinha apenas dois ajudantes e um deles era uma mulher grávida prestes a dar à luz.

Contei minha história à ela e, graças a Deus, a mulher se comoveu dizendo que se identificava comigo e que sabia muito bem como era o "desespero" por independência financeira.

Momentos depois, ela começou a sentir as fortes dores do parto e me entregou as chaves do seu armário antes de se dirigir ao hospital.

A princípio eu não entendi muito bem, mas resolvi entrar pelos fundos e dar uma olhada no tal armário.

Lá havia um uniforme que eu acreditei que um dia servira na mulher. Só uns pequenos ajustes e ele cairia como uma luva em mim.

Dane estava no hospital acompanhando a sua ajudante e o único responsável restante era um jovem alguns poucos anos mais velho que eu, e estava tendo algumas complicações para lidar sozinho com a lanchonete cheia.

Ele, que eu descobrir que seu nome era Gianni Contini, ficou meio desconfiado ao me ver com o uniforme.

—Você não parece alguém que acabou de ter um filho.- provocou—Você nem mesmo se parece com Sarina- apontou para o crachá no "meu" uniforme.

—Mas eu preciso de ajuda, apenas, não faça nenhuma besteira.–eu assenti com a cabeça olhando para cima. Eu não me considerava uma pessoa baixa, mas perto dele eu era uma formiga.—Ótimo, já temos alguém na cozinha, então eu ficarei no caixa e você dá conta das mesas, tudo bem?

—Tudo ótimo.- respondi já me virando para atender alguns clientes impacientes.

Depois do nosso último cliente quase pedir para carregado para casa, nós desabamos em cima de algumas cadeiras.

Eu, Gianni e Patricia, a cozinheira, discutíamos sobre um dos caras que tentou dar uma de espertinho e sair sem pagar.

—Você é bem corajosa para sua idade. Ele poderia ser um dos bêbados agressivos, poderia ter te machucado- Patricia pegou meu braço e o olhou de todos ângulos tentando achar um arranhão. —Ele te machucou?

Neguei com a cabeça.

—Não poderia deixar ele sair sem pagar, ele tomou algumas das bebidas mais caras.- dei de ombros e me levantei num sobressalto ao ver Dane entrar pela porta.

—O que faz aqui?- ele olhava diretamente para mim.— Como conseguiu o uniforme de Sarina?

Sua voz era daquelas grossas e roucas que parecem mais um trovão do que uma voz. Mas não me abalei.

—Eu só quis ajudar, Sarina disse que vocês precisariam de ajuda. E me deu isto- cacei a chave no bolso e a estendi no ar.

Ele estendeu a dele em baixo da minha e eu as soltei.

—Se quiser realmente o emprego, terá que aprender a seguir as regras, mocinha.

Ele não sabe o quanto sou boa nisso.

—Então o senhor deixa...

—Não! Eu não deixei nada ainda. Vou pensar durante a noite, amanhã você pode passar aqui para saber a resposta. Não posso garantir nada.- Dale cruzou os braços.

—Hm, okay...- eu não era de desistir facilmente.—Vou tirar o uniforme e passarei aqui amanhã.

—Ótimo. Vou conferir o caixa e quero que você venha conversar comigo, Gianni. Tenha uma boa noite, senhorita...

—Westbrook.- informei cabisbaixa e me direcionei ao banheiro quando uma mão tocou o meu ombro.

—Não se preocupe, eu vou fazer um pequeno marketing para você.-Gianni deu uma piscadela e eu dei um sorriso.

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—E eu ganhei mais uma vez, tampinha.- Gianni pegou minha última peça restante no tabuleiro de damas.

Ele segurou o objeto roliço da cor preta como se fosse uma coroa cravada de diamantes.

—Ah, não! No xadrez eu entendo você ganhar, mas eu sou, modestamente, a Rainha da Dama.- cruzei os braços inconformada.

—Não mais, bebê.- Gianni esticou os braços por cima da mesa e apertou minhas bochechas.—Mas, com certeza, adoraria que tivéssemos uma revanche, só para constatarmos que, de fato, eu sou o Rei e você é minha cara súdita.

Ele era como um irmão mais velho. Só que bem mais insuportável do que um irmão mais velho é permitido ser.

Mostrei a língua para ele, que retribuiu o gesto.

O sininho irritante e enferrujado tocou indicando a chegada de alguém, que não deveria ser um cliente pois já estávamos fechados.

O objeto era um contraste na porta de madeira novíssima e majestosa com um vidro no centro.

Dane lucrou bastante no último ano e reformou da melhor forma possível o recinto.

Porém, ele fazia questão daquele maldito sino pendurado na porta, mesmo indo contra todo o novo tema do local.

Ele dizia que aquele sino, além de ter sido o primeiro sinal de que finalmente ele se estabeleceria financeiramente, também já havia pegado vários espertinhos querendo sair sem pagar.

—Seu namorado chegou.- Gianni fez um gesto com ombro e eu nem precisei me virar para saber que o sujeito que havia entrado era Henry.

—Ele não é meu namorado.- murmurei pela enésima vez para Gianni.

—Aproveita que ele parece um cara legal, cavalheiro e te dá mole. Porque, apesar da minha heterossexualidade, se ele me olhasse daquele jeito que ele te olha...

—Gianni!- chutei sua canela por debaixo da mesa e ele deu um gemido exagerado.

—Tá tudo bem?- Henry disse se aproximando com uma cadeira e sentando de frente ao encosto dela.

—Para Scarlett melhorou 100% agora que você chegou.- estreitei os olhos para Gianni que tossiu complementando— Ela estava cansada de perder para mim em qualquer jogo proposto.

Segurei o suspiro de alívio que quase escapou de mim.

—Vou guardar isso aqui.- meu colega juntou as peças e pegou o tabuleiro. Lógico que era uma desculpa para me deixar sozinha com Henry.

A verdade era que eu estava evitando-o.  Não só ele como qualquer pessoa próxima a mim. E ele, como sempre, sabia disso.

—Sabia que uma hora você iria cansar de fugir.- ele pegou uma mecha que se soltou do meu rabo de cavalo e colocou atrás da minha orelha.

—Eu não estou fugindo.- murmurei, mas para mim do que para ele.

—Claro que não.- ele apoiou a cabeça nas mãos com o seu famoso sorriso de lado.—Eu vi o jeito que você saiu da sala do delegado e soube que ele vai conversar novamente com você amanhã. Tá tudo bem?

Sua postura era relaxada, mas seus olhos estavam preocupados. Igualmente ao dia que nos "conhecemos".

—Bem, eu nunca pensei estar nessa situação. Acho que ninguém pensa nisso. Ele disse que meu depoimento é um dos mais importantes para a investigação.

—E você acha que pode ter alguma informação que seja a peça principal disso tudo?- Henry era uma pessoa que me conhecia bem. Ele conhecia bem todo mundo.

"Uma intuição acurada e rara." palavras dele, não minha.

Fiquei calada, abaixei a cabeça. Claro sinais de derrota.

—Kae...- ele era a única pessoa que me chamava pelo meu nome do meio. Ele achava interessante, Henry sempre foi estranho assim mesmo.

—Eu não lembro, Henry.- admiti e ele franziu a testa.

—Não lembra do que?

—Eu não lembro onde eu estava na hora estimada do assassinato de Barbie.

 

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(Notas Finais: hey, good people

como vcs estão?

o que acharam do capítulo? deixem seus comentários, sugestões, teorias etc..

não se esqueçam de votar/favoritar e indicar para aqueles loucos por um mistério.

me sigam no twitter: @/whodat_emmz

até mais

xx)

 
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