The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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Quatro Anos Antes

Festa da Faculdade

Meadowfort

1 a.m.

»Scarlett«

—Barbara, acho que está na hora de irmos.- eu a cutuquei de leve tentando tirá-la do amasso alucinante em que ela estava com um cara aleatório.

Ela se soltou a contragosto e mal me olhou:

—Eu estou ocupada, Scarlett, consegue perceber?- sua voz estava enrolada e aguda.

Olhei para ela e depois para o rapaz que estava com ela.

Bem, ele não era tão aleatório assim, como eu tinha pensado.

Era o garoto que eu gostava, Christopher Samuels. Barbara sabia disso, mas estava bêbada demais para perceber.

Eles voltaram a se agarrar.

—Hm, então eu... eu vou indo.

Ela empurrou o garoto no mesmo instante.

—Você não pode ir, pois se você for sabe que se aparecer sem mim, meu pai vai vim aqui fazer seu showzinho barato. Senta aí, em algum sofá e dorme.

Seus olhos pareciam brasas fulminantes.

—Eu não estou me sentindo bem, Barbs.

—Bebe alguma coisa. Fuma um baseado. Acha alguém para transar. Sei lá, só sai do meu pé.- disse sorrindo de um jeito sádico.

—Eu vou embora, não vou ficar aqui vendo você agir como uma vadia.- não esperei que ela respondesse.

Apenas virei determinada a sair dali. Meu celular vibrou com uma mensagem.

Estou perto da porta te esperando. Não aguento mais esse cheiro de maconha.- Persie

Persephone, minha irmã mais nova, não deveria estar ali.

Meus pais pediram para que eu a levasse porque achou que nós iríamos passar um tempo na casa de alguma amiga de Barbs, mas eu sabia que não iríamos para amiga nenhuma.

Ouviu-se um chiado de microfone.

—Essa droga funciona?- ouvi uma voz conhecida ecoar pela sala acima daquela música horrível. —Gostaria da atenção de vocês.

Era Barbara. Em cima de uma mesa não tão confiável, com um microfone na mão. Ela olhava diretamente para mim.

—Persie, vá para o carro e me espere lá.

—Mas, Scarly?

—Só faça o que eu estou pedindo está bem? Não posso deixar Barbara se arruinar desse modo.

Ela rolou os olhou, mas me obedeceu.

—Por favor, podem iluminar aquela garota ali? Aquela ali na porta.- Barbara apontava para mim com os olhos afiados. Scarlett Westbrook, pessoal. Eu quero uma salva de palmas para ela.

O cômodo rompeu em abraços. O que deu nela? Ela era minha melhor amiga.

—Scarlett Westbrook, vinte anos, segundo ano de medicina. Filha dos sonhos, exemplar, impecável. Quer mais adjetivos?- ela piscou para mim. —Todos a amam, seus pais, seus amigos, sua família, e, ora ora, a minha também.

—O que todos não sabem é que ela é uma vadia que quer tomar tudo que é meu. Quer ser tudo o que eu sou. Finge ser minha amiga, mas não passa de uma frustrada, pobre coitada que não tem onde cair morta.

Eu deveria me virar e ir embora. Flashes explodiam na minha frente, aumentando minha vontade de chorar, celulares com suas lanternas ligadas ou filmando aquele momento ridículo.

Aquela ali em cima da mesa não era a minha amiga. Barbie era praticamente minha irmã, mas aquela ali não era nada parecida com ela.

—A mãe idiota dela confiou todo o dinheiro da família na mão de um tio bêbado e viciado em jogos. Ou seja, foram parar na sarjeta.-ela riu e todos a acompanharam.—Se não fossem os meus pais, eles estariam arruinados.

—Fui obrigada a mudar toda a minha rotina de vida, dividir tudo com ela e com aquela irmã dela. Dividir roupas, atenção...Ela deve a vida a mim, e agora eu peço para que ela fique na festa por mais algumas horas e ela não pode? O que acham disso, pessoal?

As vaias vieram de todos os lados. Copos de plástico, guardanapos e almofadas me acertavam de leve.

Eu estava em choque, não me mexia, até as lágrimas pareciam ter congelado a um segundo de caírem.

—Não os escute. Quer que eu os faça calar a boca? Ou te levar daqui?- uma voz soou ao longe e parecia que só eu poderia ouvi-la.

Não respondi. Eu não absorvia mais nada.

—Onde você quer chegar com isso, Faye?-a mesma voz que falou ao longe comigo questionou Barbs.

Minha vista estava embaçada e eu quase me desequilibrei.

—Onde eu quero chegar com isso, querido? Eu apenas quero deixar claro que esse narizinho empinado que ela sustenta pelos corredores é bancado pela minha família, e aí ela se acha no direito de dizer que eu estou agindo como uma vadia?- agora estava tudo misturado. Vaias, empurrões, xingamentos... Nada fazia sentido na minha mente. —Talvez se você agisse que nem uma vadia como eu, estaria sendo comida pelo Samuels no meu lugar. Não é isso o que você sempre quis?

Era o suficiente. A única coisa que meu olhar focou do lugar foi Barbara me encarando com um olhar triunfante, como uma rainha, enquanto seus súditos apoiavam-na.

Saí praticamente tropeçando nos meus próprios pés.

—Ei, ei, tá tudo bem.- a voz que soava longe na minha cabeça, agora era única voz que eu ouvia a centímetros de mim.

Agora ela vinha acompanhada de mãos segurando meus ombros.

—Me deixa em paz!-eu disse tentando me desvencilhar de suas mãos. —Me solta!

—Tá bem, tá bem, já soltei.- enxuguei minhas lágrimas a fim de ver o dono da voz.

Ainda era possível ouvir Barbara no microfone mas não conseguia distinguir o que ela dizia, e também não ansiava por isso.

O dono da voz estava de costas para mim, apoiado na sacada da varanda.

—Se você não se lembra, eu tentei defender você lá dentro.-a voz dele tinha um pouco de mágoa.

—Olha, desculpa se eu não estou muito animada para fazer amizades depois de ser humilhada por alguém que eu chamava de melhor amiga.- olhei para a chuva que caía desesperadamente.

Meu guarda-chuva estava no carro.

—Não esperava sua amizade, mas um "obrigada" cairia bem.- então eu o olhei.

Era um rapaz da minha idade, cabelos curtos e bem cortados, era alto e sua pele era bronzeada. Devia ter aproveitado bastante nossas "férias" de duas semanas. Seu corpo estava escondido sobre sua jaqueta preta de couro, calças largas e um tênis surrado.

Seu rosto ainda era desconhecido pois ele estava de costas para mim.

—Desculpa...hm...Obrigada?!

Ele mexeu no bolso tirando um maço de cigarro e um isqueiro. Respirei fundo.

—Bem melhor assim, com o tempo você pega a prática.- ele provocou se virando para mim com um cigarro já na boca. —Quer um?

Então era a minha oportunidade de olhá-lo. Seus olhos eram de um castanho claro hipnotizantes. Seus cílios eram espessos e suas sobrancelhas arqueadas davam a impressão que ele sabia algo que eu não.

Seus lábios apertavam o cigarro, mas ainda faziam um esboço de um sorriso esperto.

Pisquei rapidamente para sair do transe. Ele parecia familiar.

—Não, melhor não. Estou bem assim.-cruzei os braços rezando para que Persephone tivesse um pouco de bom senso, concluísse que eu não andaria até o carro naquela chuva e voltasse para me buscar.

—Então você é mesmo a filha dos sonhos, exemplar e impecável.- o estranho disse ao soltar a fumaça pelo ar.

Eu fechei a cara.

—Não estou querendo te ofender. Às vezes sou confundido por um desses também. Sobretudo quando estou ao lado do meu primo.-ele travou intensamente antes de dizer.—Prazer, Henry Samuels.

Eu congelei.

—Você é primo do...

—Do cara que você queria que dormisse com você? Esse mesmo.- senti meu rosto esquentar. —Relaxa, não estou te julgando por querer dormir com alguém, estou te julgando por querer dormir com o idiota do Christopher.

—Eu nunca te vi por aqui, eu acho.

—É porque todo mundo que olha rapidamente acha que sou o Christopher, afinal ele é muito mais popular. Porém acho que ficaria chocada se eu te contasse que nesses dois anos eu estou presente em todas as suas aulas.

Como? Impossível.

—Por que me tentou me defender?- perguntei sem pensar.

—Me identifiquei com você? Já estive no seu lugar antes, posso afirmar que foi até um pouco pior do que foi com você. Pode me chamar de defensor dos oprimidos e indefesos.

Um riso escapou da minha boca e não passou despercebido por Henry que aumentou seu sorriso ladino.

Ficamos nos encarando enquanto seus ombros subiam e desciam a cada tragada.

—Scarly? Por que não me mandou uma mensagem dizendo que já estava aqui fora e...? Olá?-Persie olhou de mim até Henry. —Eu poderia jurar que você era o Christopher se você fosse um pouquinho mais feio.

Henry deu uma risadinha.

—Henry Samuels, prazer.-ele sorriu mostrando os dentes brancos e alinhados para depois que minha irmã estendesse a mão ele dar um beijo delicado.

—Persephone Westbrook. - podia perceber a voz da minha irmã ficando mais desconcertada e melosa. Revirei os olhos.

—Meu celular descarregou.- eles olharam para mim saindo do mundinho particular deles e eu esclareci —Respondendo sua pergunta, Persie.

—Ah.- ela disse como se eu tivesse cortado o seu barato.

Henry continuava com seu cigarro. Me encarando.

—Eu realmente preciso ir agora, Persie.- anunciei e ela apenas assentiu com a cabeça.

Persie se despediu de Henry, que repetiu o gesto de beijar sua mão.

Eu apenas ia acenar para o garoto, mas ele se inclinou para me dar um beijo na bochecha.

—Espero que não deixe isso que aconteceu hoje afetar a sua mente. Quando estiver prestes a enlouquecer e precisar de alguém só me procurar.- ele disse perto do meu ouvido. Seu perfume era tão cativante quanto os seus olhos ou a sua voz.

Ele me deixou ir e eu me enfiei embaixo do guarda-chuva ao lado de Persephone.

Arrisquei olhar para trás e lá estava ele. Me encarando com um sorriso de lado . Mais um Samuels prestes a ocupar um espaço na minha vida.

»«

(Notas Finais: Hey,

Essa história é um projeto ainda não finalizado.

A atualização ocorrerá sempre que possível no prazo entre 1 semana e 1 mês.

Todo comentário, crítica (construtiva) e opiniões são muito bem-vindos.

Não se esqueçam de votar/favoritar e indicar para os amigos.

É muito importante.

SEJAM BEM-VINDOS A "The Good Girl" espero que gostem!!

xx)

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