The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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Quatro Anos Antes

Mansão dos Faye

Marblecoast

9 a.m.

Domingo

Eu não queria sair do quarto.

Persie já tinha me deixado dormindo e deveria estar se vestindo para o café.

Encontrar Barbara seria horrível. Talvez ainda mais do que quando ela estava em cima daquela mesa falando absurdos para quem quisesse ouvir.

Teríamos que pedir desculpas uma para outra mais cedo ou mais tarde.

No máximo ela me daria um tapa na cara.

Levantei rapidamente da cama. Tomei uma ducha, escovei os dentes e penteei os cabelos.

Coloquei uma calça de montaria caqui, que eu não usava mais há anos, e uma regata branca. Uma bota estava nos meu pés. Estava quase vestida para uma aula de equitação, como nos velhos tempos.

Porém eu apenas daria uma volta por aí antes do almoço. Não tínhamos mais o luxo das aulas de equitação.

Saí do quarto e dei de cara com Gunther com seus cabelos desgrenhados e a roupa amarrotada.

—Wow, não se cansa de usar branco, senhorita ótima futura médica?- ele apontou para as minhas roupas sorrindo. —Sente falta de quando os cavalos estavam aqui?

Assenti com a cabeça. Cavalgar era meu jeito antigo de fugir de tudo.

—Não se cansa de ouvir sua mãe mandando você se arrumar decentemente para o café da manhã?- eu baguncei ainda mais seu cabelo.

—Bom dia para você também, Scarlett.-ele fingiu estar bravo.—Vou contar para mamãe que você contribuiu.

Ele apontou para o cabelo, deu um beijo na minha bochecha e desceu as escadas.

Respirei fundo em frente à porta de Barbie.

Estava fechada, o que significava que ela estava lá dentro.

Tomei coragem para bater no momento que a porta se abriu. O sorriso de Barbara foi de orelha a orelha quando me viu.

Ótimo. Ou ela não lembrava de nada, ou resolvera fingir que nada aconteceu. Não sei se alguma dessas opções eram boas.

—Eu estava indo agora mesmo te chamar, Lettie.- ela passou o braço pelos meu ombros enquanto andávamos em direção às escadas.—Fiz muita merda ontem? Mamãe disse que vou ficar uns meses sem mesada e que eu vou ter que trabalhar. Por favor, até parece... Tenho economias para um semestre praticamente.

Barbs sentou no mesmo lugar de sempre, ao meu lado. O clima da mesa estava pesado. Apenas Barbie parecia num bom humor.

—Não falei nada sem sentido para você, falei? Ou para alguém?- ela sussurrou baixinho enquanto nossos pais estavam concentrados em suas próprias conversas.

Eu queria rir na cara dela, mas apenas neguei com a cabeça enquanto mastigava meu pão.

Me senti uma pessoa péssima. Eu sabia que Barbara não faria nada daquilo que fez na noite anterior de propósito, por Deus, ela estava bêbada, mas eu ainda estava magoada.

»«

O café da manhã se arrastou silencioso.

Fui a primeira a fazer menção de me levantar:

—Eu vou dar uma volta. Estarei aqui para o almoço - minha voz era baixa mas clara e todos conseguiam me ouvir.

—Posso ir com você?- rezei para que aquela voz não se manifestasse, mas ela o fez.

—Eu só vou caminhar um pouco, Barbs, mais tarde nós vamos em algum lugar legal, okay?- seu olhar era surpreso, assim como o de todas as outras pessoas do cômodo.

Menos Persephone. Ela sabia que tinha algo rolando.

—Hm, okay, então.- Barbie deu um sorriso simples e eu estava aliviada de não ter aquela conversa na frente de todo mundo.

Meu alívio não durou muito, entretanto.

Escovei os dentes em velocidade recorde.

Minha mão estava na maçaneta quando ela me chamou:

—Lettie? Espera.- ela segurou meu ombro e fez com que eu me virasse para ela.—Te contaram, né?

Franzi a testa.

—Eu não lembro de quase nada de ontem, mas lembro que eu estava...hm...ficando com o Christopher. Te contaram isso, né? Porque eu lembro de alguém que interrompeu nosso...beijo.- Barbara parecia ter vergonha de si mesma.

—Barbs..

—É... foi isso, não foi? Você gosta dele desde os 15 anos. Você me contou! Eu sou uma péssima irmã.-ela escondeu o rosto entre as mãos.

—Barbie...

—Eu juro por Deus que não foi nada demais. Foi só uns beijos, não teve sentimento nem nada. Mas se você tiver curiosa, ele até que tem uma pegada decente e...

Meu Deus, que garota sem noção.

—Barbara, não.- eu a interrompi e ela me olhou assustada.—Cala a boca, tá bom. Não tem nada a ver com quem você beijou ou deixou de beijar, até porque não tem nada acontecendo. Eu só vou dar uma volta sozinha, nada demais.

Ela soltou os ombros:

—Está bem, estou sendo paranóica, por enquanto é o suficiente para mim, mas de noite vamos dar uma volta como você disse.

Assenti com a cabeça e girei a maçaneta:

—Não vou demorar.

Apesar de que minha intenção era ficar o máximo de tempo possível fora de casa.

O ar gélido me abraçava lutando contra o calor do meu corpo.

Eu estava praticamente correndo, embora a minha roupa não fosse adequada para isso.

Naquele instante eu não estava me importando com aquilo. Esperava que a queimação nos pulmões e a falta de fôlego expulsasse a mágoa.

Para muito parecia uma coisa sem importância.

Sua amiga estava bêbada e falou merda para você. Grande coisa!

Porém anos de convivência com Barbara me faziam acreditar que de tudo o que ela falou sobre mim, muitas coisas não foram por conta do álcool.

Uma figura alta e familiar parou na metade da calçada enquanto colocava o saco de lixo naqueles recipientes coletores.

—Eia, Eia...-o indivíduo disse quando eu passei por ele.

Eu parei de caminhar e me virei para olhá-lo.

Henry passou a mão pela testa limpando o suor enquanto me analisava de cima a baixo.

—Seu cavalo fugiu, amazona?- ele disse segurando o sorriso.

—Resolveu tirar a maquiagem de palhaço hoje?- ele riu me encarando.

—Alguém não está tendo um dia bom.- se apoiou na caixa de correio enquanto eu estabilizava minha respiração.

—Já tentou a carreira de vidente? Você ia dar mais certo do que como médico .- Henry não parecia nem um pouco irritado, ele apenas me olhava e sorria.

—Hm...- ele apoiou o indicador no queixo fingindo pensar. —Eu acho que não, sou o segundo melhor aluno da minha turma, fico apenas atrás de uma garota meio chorona e meio mal humorada. Acho que é uma boa posição, já que pelo menos agora sei que tem alguém mais nerd do que eu.

Senti minhas bochechas esquentarem e o garoto deu um daqueles sorrisos de lado.

Ele se dirigiu a um carro, o qual eu só tinha notado a presença naquele minuto. Foi em direção ao porta-malas e tirou uma caixa de papelão de lá.

—Não sei se você a conhece.- ele disse com um pouco de dificuldade ajeitando a caixa nos braços.—Acho que o nome dela é...Stephanie? Não. Stella? Não, não...

Ele ficou estalando os dedos me obrigando a entrar na sua brincadeira ridícula.

—Scarlett.- eu disse seca e Henry abriu um sorriso iluminado.

—Isso! Como pude esquecer? Apesar de ela parecer querer viver na sombra da amiga. Ela não é muito o tipo que... hm... - ele olhou meu corpo inteiro novamente— Não é muito o tipo que passa facilmente despercebida.

E com isso ele conseguiu arrancar um sorriso do meu rosto.

—Quer uma ajuda aí?- perguntei apontando para o porta-malas aberto.

—Apesar de só ter mais umas 4 caixas, uma ajuda seria bem-vinda, senhorita Westbrook.- ri mais uma vez do jeito pomposo que ele falou meu sobrenome.

Peguei uma caixa média e que tinha um peso razoável. Henry andava na minha frente, mas parou de repente olhando por cima dos ombros:

—Você deveria sorrir mais. Não te deram um sorriso desses para você escondê-lo do mundo. É pecado.- eu tentei dar um chute na sua panturrilha, mas ele desviou.

—Não é todo mundo que merece presenciar minhas emoções sendo expostas.

—Considerando que já te vi chorando, mal humorada e sorrindo em menos de 24 horas, devo ganhar um título de "um cara de sorte"?- Henry empurrou a porta com o pé, revelando uma casa modesta, mas de muito bom gosto.

—Talvez...ou talvez você deveria ficar com medo. Agora que você viu demais seus dias podem estar contados.

(Notas Finais: hey, como vcs estão?

O que estão achando da história até agora?

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Até mais

Xx)

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