The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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16. «fifteenth»

Dias Atuais
Universidade de Meadowfort
Meadowfort 
9h30 a.m.

Segunda-feira

Cada dia a pressão se tornava pior.

Primeiro, a notícia. Depois acreditar no pior, ver o pior e os depoimentos. Então os urubus sobre você.

E agora os sonhos. Sonhos não, pesadelos.

Os pesadelos eram o que eu poderia chamar de último estágio. Pelo menos eu esperava que fossem.

Apesar de ser alarmante o fato de eu não me lembrar de muita coisa na noite do assassinato, aquelas cenas eram surreais demais para me deixar alarmada comigo mesma.

Ainda sim, eram cenas fortes e macabras. Em todas elas, Barbara me pedia ajuda. Em todas elas eu virava as costas para ela ou não fazia simplesmente nada.

Muito sangue, muito sangue. Muito lamento, muita súplica.

Eu sempre acordava no meio da madrugada suando e chorava no chão abraçando os joelhos.

Rezava que onde quer que ela estivesse para que ela não sofresse. Para que ela estivesse em paz.

Andar pelos corredores da faculdade voltou a ser uma tarefa complicada. Minha opção de me afastar de todos tinha suas consequências afinal.

Meus amigos estavam me dando espaço, mas ao mesmo tempo era apenas eu para enfrentar os olhares acusadores.

Eles não perdiam a oportunidade. As notícias diziam que o delegado já havia aparecido por aqui para ouvir algo dos funcionários e também havia pego o telefone de vários alunos.

A única pessoa que recebia mais atenção do que eu era Christopher. Nós não nos falávamos desde o dia do ocorrido, nada de ligações ou mensagens, e aquilo era ótimo, nós não precisávamos de mais atenção em cima de nós dois, quem dirá nós dois juntos.

Ele estava tão mal quanto Audra, parecia que não dormia há dias, e eu não duvidava que ele realmente não estivesse dormindo. Sua roupas estavam desleixadas, seu cabelo opaco e sua barba por fazer.

Mas seu olhar ainda era...normal. Isso não era bom. Era como se ele não estivesse sofrendo como deveria e esse olhar podia lhe dar um ar de suspeito. De repente, seus olhos encontram os meus e eu desviei o olhar rapidamente.

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O sinal tocou e minhas coisas já estavam arrumadas.

—O seminário sobre o Juramento de Hipócrates é para vocês entregarem na semana que vem e na seguinte. Eu quero pesquisas interessantes. Não quero aquele texto decorado sobre o que é. Quero que vocês entrem na história, façam suas próprias interpretações e me apresente como se vocês estivessem lá no dia que foi feito esse juramento.- meu professor William disse enquanto a sala não dava o mínimo de atenção para ele.

—Posso falar com você um instante, senhorita Westbrook?- o senhor William me chamou.

Ele era um senhor baixinho de pele escura, incrivelmente brilhante e bem cuidada.

Eu me virei tomando a direção contrária à porta e fui até sua mesa.

—Primeiramente, eu gostaria de prestar minhas condolências. Eu sei como você e Barbara eram muito ligadas e imagino que não deve está sendo fácil em sua casa com todas essas investigações acontecendo.- ele pôs a mão em meu ombro me confortando. —Quero dizer, que prestarei todo o meu apoio para você. Se você tiver problemas com a matéria ou datas de entregas, é só me avisar.

Eu apenas assenti minha cabeça, mas por dentro me sentia grata. Não poderia parecer indiferente então disse:

—Muito obrigada, senhor Williams.- ele fez uma cara de compaixão e me liberou.

—Logo tudo isso irá acabar, Scarlett. Não se preocupe.- eu pude ouvi-lo dizer quando eu alcancei a maçaneta.

Acenei com a cabeça e me retirei da sala. No minuto seguinte, fui puxada para uma das salas onde ficam os instrumentos de limpeza.

—Mas o que est...- Christopher me impediu de gritar, tapando minha boca com sua mão.

—Shh...- quando ele garantiu que eu não gritaria nem nada do tipo ele me soltou e me abraçou.

Christopher nunca foi de abraços ou de muitas demonstrações de afeto que não fossem com segundas intenções.

Porém, aquele abraço parecia como uma pura demonstração de...medo?

—Christopher, você é louco? Por que me puxou pra cá? Você imagina o que vão dizer se nos virem juntos?- eu o afastei de mim.

—Eu precisava ver como você estava. Se não fizeram algo com você também.- de perto ele parecia ainda mais desgastado. —A polícia não sai da minha porta, Scar. Eles acham que fui eu. Eles acham que fui eu que matei Barbs. Você sabe que eu não faria uma coisa dessas, não sabe?

Seus olhos beiravam o desespero por um suporte de quem quer que fosse, me fez esquecer momentaneamente que estávamos brigados. Então eu o puxei de volta para o abraço.

—Eu sei, Christopher, eu sei. Ainda estamos na fase dos depoimentos, eles ainda não tão julgando ninguém. Eu acho.

—Não importa, quando essa fase acabar eu ainda serei o principal suspeito. É o que sempre acontece.- Christopher me afastou e sussurrou. —Tome cuidado, Scar. Não aguentaria se tirassem você de mim também

Ele encostou os lábios nos meus e me beijou profundamente como nas primeiras vezes.

Resisti no começo, mas minhas emoções não estavam equilibradas.

Você é uma vadia, eu disse. Nem sabemos o que realmente aconteceu comigo e você já está se atracando com o meu noivo. Imagina se todos ficassem sabendo? O que ia ser de você, Lettie? Tsc, tsc... o que será de você?

A voz de Barbara foi como um choque elétrico e eu empurrei Christopher.

Agora já sabe como estou.- disse seca e limpei minha boca enfaticamente —Não ache que nada mudou entre a gente só porque Barbie não está mais aqui. Muito pelo contrário...

Abri a porta da saleta devagar e espiei para ver se havia alguém no corredor, mas não tinha.

Andei em direção à minha próxima sala de aula, sentindo como se estivesse sendo observada, mas, parado no meio do corredor, com um sorriso quase imperceptível, estava apenas Christopher me observando partir.

Alguma coisa no seu olhar me fez sentir calafrios e não gostei nem um pouco disso.

»«

 

"Acredita que sou seu amigo há quatro anos e ainda não sei seu café favorito? SHAME ON ME*. Espero que goste de chocolate quente...xx Seu Admirador Indiscreto"

Ouvi meu celular vibrando em cima da mesa e acordei da minha madorna não desejada em uma das mesas da biblioteca.

Dei de cara com um recipiente e o bilhete de Henry. Esfreguei os olhos e olhei em volta procurando-o.

Tomei um gole do chocolate quente e não reprimi o meu som de satisfação. Logo notei que atrás do copo havia mais coisas escritas.

"Sei que você pediu um pouco de espaço, mas pelo menos levante o polegar se estiver tudo bem ou abaixe se estiver algo acontecendo."

Consegui curvar meus lábios num sorriso, sabendo que Henry estava em alguma fileira de estantes de livros me observando. Levantei o polegar, mas o chamei com a mão.

Usávamos o negócio do polegar há uns três anos. Sempre quando um de nós dois chegávamos na universidade com cara de que a noite não foi boa, nós trocávamos bilhetes antes de se aproximar.

Era perceptível que, de nós dois, eu era a que mais precisava  de espaço frequentemente.

Como se nunca estivesse estado ali, Henry saiu de trás da estante de livros de História com as mãos no bolso.

—Já começou o trabalho, senhorita perfeitinha?- ele disse um num tom de voz aceitável para uma biblioteca e se sentou na minha frente.

—Era minha intenção, mas como pode ver os livros e a pesquisa só me ajudaram a dormir o que eu não durmo há dias. Obrigada, professor William.- eu tomei mais um gole do chocolate quente. —Hm, onde você comprou isso, hein? Está muito bom.

—Eu fiz.-levantei uma sobrancelha e ele deu um sorriso orgulhoso, mas logo voltou a sua expressão preocupada.—Você precisa descansar, Scarlett.

—Então quer dizer que você presta na cozinha? Estou impressionada.- comentei ignorando seu comentário.

—Já te disse, eu presto em muitas coisas, sim? Obrigado. Porém, falo sério quando digo que você precisa realmente descansar. Você vai acabar adoecendo.- ele pegou minha mão e colocou em sua bochecha.

Uma troca de temperatura bem simples, mas que me deixou mais calma por alguns instantes.

—Eu não consigo, Henry. Simplesmente não dá. Hoje eu tive que sair pelos fundos porque a frente da casa estava abarrotada com repórteres. Todo lugar que eu olho me lembra Barbie. É completamente angustiante ver os Faye definhando de tristeza.- eu acariciei  sua bochecha e ele juntou sua mão com a minha.

—Você precisa se preocupar com você mesma também, Lettie. Você precisa cuidar da sua saúde mental também, o choque que você levou não pode ser considerado menor do que o de ninguém. Só você sabe. - ele passou a mão no meu pulso e franziu a testa. —Podia jurar que você usava diariamente uma pulseira aqui desde que te conheço.

Olhei para o meu pulso que parecia mais vazio do que usualmente e respondi:

—Não precisa jurar, eu realmente uso, mas por algum motivo eu devo ter me esquecido na pia do banheiro ou algo do tipo.- foi a minha vez de franzir a testa.

—Enfim, por enquanto minha casa não está tão requisitada assim, você poderia ficar algumas horas. Assistir alguns filmes? Olhar para a parede? Dar mais valor ao silêncio? O que acha?

Eu suspirei fundo:

—Eu adoraria, mas...- falamos juntos com Henry imitando minha voz e eu ri.

—Posso fazer mais chocolate quente...

—Isso é suborno. - eu bati de leve em sua mão.

—Ainda bem que estamos querendo ser médicos não advogados.- Henry deu um sorriso aberto. —Mas pensa com carinho, tá?

Eu assenti com a cabeça.

—Sempre penso com carinho.- eu pisquei para ele.

—Flerte é golpe baixo quando meu coração tem uma queda por você.- nós rimos.

—Ainda bem que quebrar corações não é crime.- dei de ombros brincando.

—Alguém deveria mudar isso.

 

*Shame On Me: tradução literal de "vergonha sobre mim", seria algo como "estou envergonhado", "que vergonha!" ou "vergonha de mim mesmo".  A tia Emmz também é profª de inglês.

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(Notas Finais: hey, good people

a atrasadinha voltou

mil perdões

Aqui está o caps dessa semana! desejo a vcs uma boa páscoa e muuuuito chocolate!!!

o que acharam? deixem seus comentários, sugestões, ideias, teorias....

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até mais

xx)

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