The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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9. »eighth«

Quatro Anos Antes
Casa de Henry Samuels
Marblecoast
11h30 a.m

Domingo

—Meu Deus! -olhei no relógio de parede na sala de Henry.

Ficamos as últimas horas conversando sobre a vida dele depois que terminamos de ajeitar as coisas em seu quarto.

Ele me contou que a mãe dele tinha problemas com bebidas e que o pai desistiu da família. A mãe dele o colocou num internato até a faculdade. Quando se formou, descobriu que sua mãe estava em uma clínica de reabilitação, que seu pai ainda estava desaparecido e que, como ele ainda tinha 17 anos, sua guarda estaria com seus tios até fazer 18 anos.

"Me esforcei ao máximo para conseguir uma bolsa integral. Não queria ser um peso para os meus tios."Henry dissera.

Eu sabia bem como era não querer ser um peso para alguém.

—O que foi?- ele perguntou quando eu me levantei de sua poltrona confortável.

—Eu prometi que voltaria antes do almoço e já está quase na hora.- eu ajeitei minha blusa e tirei a poeira inexistente da minha calça enquanto Henry me observava.

—20 anos e ainda tem horário para voltar para casa? Eu sabia que estava certo de achar que você fazia o estilo boa moça .- ele se levantou também e eu estreitei os olhos.

—E o que seria o seu conceito de boa moça?- coloquei as mãos na cintura. Minha bota me deixava praticamente da sua altura.

—Te explicarei outra hora. Quero ter uma desculpa para conversarmos novamente.- Henry ajeitou sua postura fazendo com que eu sentisse como se o salto de minha bota não alterasse nada.

—Acha que amanhã não olharei mais na sua cara? Não confia na sua simpatia?- provoquei e ele chegou mais perto.

Fingiu pensar por alguns instantes e disse:

—Hm... não é insegurança, só quero ter certeza que a sua curiosidade é maior do que a influência da sua...é, amiga.- e eu sabia que ele estava se referindo a Barbara.—Agora vá, não quero estragar a pontualidade e obediência da boa moça.

Fiz uma careta e ele me deu um daqueles sorrisos de canto.

Nos vemos por aí?- ele perguntou, mas não esperou uma resposta. Fez uma continência com a mão e voltou para dentro de casa.

»«
Mansão dos Faye
Marblecoast
6 a.m.

—Hm... será que a minha Lettie está fazendo o que eu estou pensando?- Barbie pôs as mãos no meu ombro enquanto eu lia uma revista aleatória com desinteresse.

Persie estava na aula de violino, que por sinal ela não gostava muito, mas fazia porque era uma tradição de família.

Mamãe tocava violino, eu tocava violino e sempre era assim com todas as mulheres da família da minha mãe.

Logo, Persephone tinha aulas com a melhor professora de violino no distrito.

Queria estar tendo aula no lugar dela naquele dia.

—Se você pensa que estou lendo uma revista de fofocas, então não, não estou fazendo o que você pensa que estou.- dei um sorriso simples para Barbara que se sentou ao meu lado fingindo decepção.

—Ah, não foi dessa vez.- ela cruzou os braços, porém mudou sua expressão rapidamente. —Mas, na verdade, eu estava falando de outra coisa.

Olhei para ela confusa.

—Não sabia que você e o Henry Samuels estavam...-Barbs deixou as palavras no ar.

Arregalei os olhos.

—O quê? Não! Eu nem o conheço direito.- fechei a revista e coloquei na mesinha ao lado.

Ela lançou um olhar estreito para mim.

—Não gosto dele, mas o garoto está a fim de você desde sempre.- Barbie disse com certeza.

—Isso é loucura.

—Temos as mesmas aulas, vejo como ele olha para você.-ela piscou.—Acho que ontem à noite Henry ficou olhando a festa inteira para você, lembro de ter visto vocês juntos depois de um tempo.

—Na verdade, ele só veio falar comigo porque...-parei no meio da minha fala.

Se eu continuasse: "porque você estava falando muita merda de mim" e então eu teria que contar a história toda para ela.

E fazê-la se sentir culpada por te bebido demais e dito coisas que não devia, era de longe uma opção impossível.

—Nós... conversamos um pouco só isso. Fiquei surpresa de não me lembrar dele nas aulas.- engoli a seco e ela me lançou um olhar malicioso.

—Vocês ficaram?- neguei com a cabeça. —Então o papo foi bom para você ir tomar um ar fresco na casa dele.

O que ela queria? Me empurrar para o primeiro que aparecesse e que eu desse um selo "Pode deixar o Christopher te comer porque eu já estou em outra"?

Era o que parecia.

Mesmo assim senti minhas bochechas esquentarem.

Henry, apesar de ter passado despercebido por mim, era atraente de um jeito contido e misterioso. Do jeito que se misturava fácil numa multidão. Não sabia se isso era exatamente bom.

Era o oposto de Christopher que sempre estava no centro das atenções. Impossível de passar despercebido uma vez sequer na vida dele.

Henry tinha um bom papo, leve e bem-humorado. Já Christopher tinha conversado comigo poucas vezes e sempre parecia com pressa. Como se seu tempo fosse valioso demais para desperdiçar com conversa fiada.

—Eu só me ofereci para ajudá-lo com as caixas de mudança. Apenas.

—Ah, a boa moça fazendo sua graça do dia.- pensei ter visto uma expressão amarga em seu rosto, mas deveria ser coisa da minha cabeça pois o sorriso característico da boneca Barbie e da própria Barbara estava ali na minha frente. Inabalável.

—Sei que você acha que para ir para o céu você tem que estar puríssima, mas uns beijinhos não fazem mal. Além do mais, Henry também não é de se desperdiçar.

Boa moça. Será que era o apelido escrito na minha testa agora?

—Você disse que não gostava dele - estreitei os olhos, mas ela fez um gesto para que eu ignorasse o assunto —Eu estou bem assim, Barbs- tentei soar sincera.

—Vê se não pega a síndrome de  não gostar de se divertir um pouco.- ela acariciou os meus cabelos.—E sobre os Samuels, escute o que eu digo, infelizmente quanto mais tentamos afastá-los, mais nos aproximamos deles. É quase uma maldição.

Era riu descontraída. Me puxou escada acima para escolhermos juntas uma roupa para a volta que eu prometi dar com ela à noite.

Quando passamos pela porta, eu não me lembrava mais porque poderia ter sentido raiva dela.

Talvez essa fosse a maldição destinada a mim. Barbara poderia fazer o que quisesse comigo e sempre conseguia de volta o meu perdão e a minha confiança.

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