The Good Girl

Scarlett Westbrook tinha 20 anos quando foi humilhada publicamente.
Aos 23 anos presenciou a celebração de noivado do seu amor da adolescência.
Aos 24 anos estava numa delegacia prestando depoimento sobre um assassinato.

Graças a uma única pessoa, esses momentos marcaram sua vida: Barbara Faye.

A família Faye amparou a família Westbrook quando esta passava pela pior fase de sua história. Devido a isto Scarlett e Barbara conviveram como melhores amigas, confidentes, irmãs...

Dividiam praticamente tudo, exceto suas personalidades. Nisso elas eram absolutamente opostas. Barbara ignorava todas as regras, Scarlett as seguia metodicamente

Scarlett nunca pensou que as coisas acabariam daquele jeito para Barbara.
Nunca pensou que estaria no velório da amiga.
Muito menos que a boa moça viria a ser, além uma das peças mais importantes da investigação, também a sua principal suspeita.


Conteúdo +18: Pode conter tortura, mutilação, suicídio, violência gratuita/banalização da violência, pena

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19. »eighteenth«

Casa de Eric Barre
4 a.m.
Terça-feira

Foi difícil dormir naquela madrugada.

Esses casos me levavam de volta a quando meu irmão morreu e era como se eu estivesse vivendo tudo outra vez.

Quando finalmente minha mente, vencida pelo cansaço, resolvera desistir, meu celular tocou no criado mudo.

Queria ser aquelas pessoas que têm a opção de não atender, mas se fizesse isso estaria negligenciando o meu trabalho.

—Alô?- minha voz era tão rouca que quase era incompreensível.

—Delegado Barre? Desculpa incomodá-lo a essa hora da noite, mas temos novidades sobre o caso. Acho que o senhor gostaria de ser um dos primeiros a saber.- uma voz feminina disse, provavelmente uma das peritas.

Sua voz soava tão carregada e profunda que não deveria ser algo tão normal assim.

—Claro, claro. Poderia ir me adiantando por aqui mesmo?- perguntei sem certeza se queria saber naquele momento.

—Acho melhor o senhor dar uma olhada com... os próprios olhos.

Ao desligar o telefone me apressei em tomar uma ducha e coloquei pelo menos três blusas, devido ao frio que congelava-me já dentro do meu quarto.

O céu estava cinza escuro quando estacionei o carro na frente da casa de festa.

Os cães farejadores estavam inquietos enquanto eu tomava um copo grande de café num gole só.

Eu tinha uma ideia do que me esperava.

—Que bom que chegou, delegado.- a mulher que falou comigo ao celular –quem eu acabei descobrindo que o nome era Cadence– me recebeu prontamente quando eu me aproximei do grupo de pesquisa.

—Como o senhor sabe, colocamos os cães para trabalhar no começo da noite. Estava meio difícil pelo cheiro de chuva, terra e lama, só há uma hora quando foi tudo ficando mais seco que eles começaram a se agitar impetuosamente.- ela esfregava as mãos umas nas outras enquanto explicava. —Tentamos fazê-los entrar na floresta, mas lá ainda está completamente inundado.

Eu só queria que ela fosse direto ao ponto. Meu corpo já era consumido de curiosidade e calor.

—Enfim, alguns deles cavaram aqui no quintal e um, que cavou atrás da construção, encontrou isto...

Ela apontou para o saco preto em cima da mesa improvisada.

Respirei fundo.

—Não precisa hesitar em abrir, nós já fizemos uma limpeza cuidadosa para poupá-lo de certos... traumas. Só coloque essa máscara o cheiro não está muito agradável.- ela me entregou a máscara branca junto com um par de luvas da mesma cor.

Todos estavam me observando enquanto eu desfazia o nó.

Abri lentamente o saco e a visão misturada com o cheiro que ainda conseguia penetrar a máscara fizeram subir um gosto de bile na minha boca.

Ali estava o tórax em decomposição de Barbara. O comprimento ia desde às entradas da virilha até os ombros. Não tinha os braços.

Como parte de uma boneca que foi desmontada membro por membro.

A parte do corpo ainda estava vestida com a sua roupa em decomposição, mas era possível ter certeza de que era de uma mulher.

Olhei todos os detalhes, apesar de meus instintos estarem me forçando a largar aquilo ali.

Eu não poderia dar para trás. Talvez, eu era a única pessoa ali que não poderia fazer isso.

Sua blusa tinha rasgos com manchas aparentemente de sangue e eu a levantei deixando sua barriga descoberta.

Havia cortes profundos de várias facadas em lugares aleatórios. Sem o corpo inteiro era impossível saber se foi assim que ela morreu ou se recebeu as facadas quando já estava morta.

Olhei para onde ficaria seus braços, suas pernas e o resto de seu pescoço e me enojei ao reparar que a pessoa que fez isso teve o cuidado de cauterizar todos esse lugares mutilados.

—É o suficiente, delegado Barre?- Cadence disse ao meu lado me tirando daquele lugar obscuro que aquela visão me levou.

—Sim, senhorita Cadence. Obrigado por ter feito contato diretamente comigo.- disse com minha voz abafada pela máscara.

—Sei que é chocante e que todos nós estamos abismados com isso, mas não se preocupe em avaliar tanto. Garanto ao senhor que faremos nosso trabalho com excelência e que não deixaremos nada passar. E que Deus a tenha.- Cadence fechou o saco e eu agradeci mais uma vez.

Mesmo sem o teste de DNA todos já estavam convictos de que aquela era Barbara, inclusive eu.

As roupas batiam com a descrição das testemunhas interrogadas e até o tipo físico.

Agora eu precisava abordar uma questão muito mais delicada que era saber dos donos da Late Nights o que parte do corpo de Barbara Faye estava fazendo enterrado no jardim de seu clube.

»«

—Por que eles enterrariam parte do corpo no próprio quintal?- Sarot perguntou cético sentado no outro lado da mesa da cozinha do casarão.

—Eles podem não ter enterrado, mas o quintal continua sendo deles. Deveriam saber o que acontece na própria propriedade.- Camille, a detetive, tinha acabado de chegar para o caso.

Ela cancelou mais duas semanas de férias com a namorada para acompanhá-lo. Segundo ela, essas coisas nunca aconteciam quando ela estava em "ação" e ela não perderia por nada.

Queria trocar de lugar com ela. Daria tudo por não participar de algo assim novamente, mas isso não era uma opção para mim.

—Não vai falar nada, delegado?- Sarot perguntou me tirando de devaneios.

—Acho que não tenho nada para acrescentar.- respirei fundo e me levantei da cadeira sentando no batente da janela. —Eu preciso de um suspeito. E rápido.

—E você não tem ninguém em mente? A imprensa vai cair em cima de nós logo, logo.- Camille observou.

—Eu ainda acho que devíamos ficar de olho aberto para a mais velha dos Westbrook.- O policial disse reafirmando sua opinião.— Se me permite, delegado, o senhor tem um fraco por mulheres. Você vê nelas uma inocência que não existe.

—Olá, eu sou uma mulher e estou presente.-Camille disse e eu segurei o riso.

—Você é praticamente um homem para mim,  Hirten.

—Ei, ei, chega vocês dois. Minha cabeça está doendo.- passei a mão na testa. —Gostaria de ouvir a fita dos depoimentos, Camille?

—Claro, essa chuva não deixa muitas opções de diversão. Gostaria de ouvir a fita do noivo primeiro.- ela disse prendendo os cachos negros no topo da cabeça enquanto eu sorria por saber previamente que ela me pediria para ouvir essa fita em especial.

—Seu pedido é uma ordem.

»«

(Notas Finais:

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xx)

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