Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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12. Um presente, um aviso

Myranda está ajudando outra empregada do Forte quando dois guardas aparecem e pedem para que ela os acompanhe. 

- O que querem comigo? - Ela não entende porque os guardas estão tão sérios, portanto, pergunta a razão de estarem ali.

- São ordens de Lorde Ramsay. Venha conosco. – Um dos guardas diz em tom autoritário.

Myranda pressente que essa situação não significa coisa boa. Se Ramsay quisesse vê-la ou estar com ela, ele mesmo a procuraria. Ele nunca mandou mensagens por outros.

- Não sairei daqui enquanto não me contarem do que se trata. – Myranda insiste. Seus instintos costumam ser certeiros quando ela desconfia de algo. 

- Vou repetir pela última vez. – O guarda diz sem paciência. - São ordens de Lorde Ramsay Bolton. É melhor nos acompanhar, garota. 

Ela protesta mais uma vez, então os guardas a pegam a força, cada um segurando um dos braços dela e a machucando no processo.  

Myranda é jogada na cela da torre do forte e trancada lá. Ela grita com toda a força de que é capaz, mas é ignorada e deixada lá sozinha.

Ramsay aparece algumas horas depois. Ela grita com ele, mas mais uma vez é ignorada. Ele espera até ela se acalmar e a olha nos olhos calmamente, com um esboço de sorriso debochado nos lábios. Quando ela finalmente para de gritar e protestar, ele se aproxima, pela grade, e lhe beija a testa.

- Nos veremos novamente muito em breve. – Ele diz.

- Qual o motivo de tudo isso? Porque está me trancando aqui? – Ela pergunta chorando.

- Você sabe o motivo, minha ruivinha. Nos veremos em breve, mas você não gostará de nosso reencontro. Até logo.

Ramsay a deixa e ela continua chorando, temendo por seu futuro.

 

*****

 

Ramsay entra no quarto e vê Amyra olhando pela janela, absorta em pensamentos tão profundos que nem ouve quando ele entra. Ainda é possível ver manchas roxas e vermelhas pelo pescoço, braços e costas dela, e ele sorri diante da cartela de cores diversificadas que marcam o corpo de sua esposa, sentindo um orgulho doentio por ser o autor de tais marcas. 

Ele se aproxima e beija seu pescoço. Ela se assusta e pula, apavorada. Ele sorri mais ainda e seu sorriso é suficiente para que ela se sinta enojada.

- Te assustei, meu amor? Sinto muito. – Ele diz.

Ramsay nota também as olheiras profundas que se acumulam sob os olhos dela. “Amyra não é tão bela como costumava ser e isso é uma pena”. – Ele pensa.

- Amanhã teremos um jantar de comemoração aqui. Já enviei convites às casas nobres da região. Quero que vista seu melhor vestido. – Ele diz.

Amyra continua em silêncio. É uma tortura ter de conversar com ele.

- Enfim... Era isso que eu tinha para lhe dizer. – Ele se aproxima e a beija nos lábios. Ela continua com os lábios fechados e automaticamente pende a cabeça para trás, em uma tentativa inconsciente de se desviar dos beijos dele.  – Boa noite, minha linda e doce esposa.

Ele se deita e Amyra respira aliviada. Ao menos essa noite está livre das torturas de Ramsay.

 

*****

 

O dia é agitado. Convidados de casas nobres do Norte chegam a todo momento, comida e bebida também chega aos montes e o salão de festas, assim como o pátio do Forte, são preparados para a ocasião.

Amyra estava preocupada, com um pressentimento ruim. Não havia nenhuma data comemorativa para que Ramsay desse um jantar. Ela conversou com Walda, mas ela também não sabia de nada. Nem mesmo Roose soube dizer do que se tratava tudo aquilo que o filho havia preparado.

Entardece e o sol se põe. Ramsay entra no quarto e se dirige até o cômodo onde Amyra toma banho, pedindo para Adelaid sair. Amyra fica apreensiva e tenta esconder o corpo embaixo d´agua. Ele se coloca atrás da banheira e massageia os cabelos da esposa, de onde um perfume maravilhoso exala. Ele adora os perfumes e óleos Dorneses que ela usa. 

- O que estou fazendo hoje é para você. – Ele diz enquanto derrama um pouco de água quente sobre os cabelos de Amyra, retirando a espuma cheirosa que acumulara-se ali.

- Para mim? – Amyra pergunta sem entender. – Não é meu aniversário, nem nenhuma outra data comemorativa.

- É um presente. E um aviso.

Amyra se cala. O tom de voz de Ramsay soa ameaçador, embora também brando. Ele faz isso como ninguém, ameaçar usando um tom de voz amável.

Ao terminar de enxaguar os cabelos de Amyra, ele puxa o rosto dela e a beija.

- Já escolhi seu vestido, está em cima da cama. Hoje poderá usar um colar, que também está em cima da cama. Não demore, os convidados estarão no salão em pouco tempo.

Ele deixa Amyra sozinha e desce até o salão.

Amyra se arruma com a ajuda de Adelaid e desce também. Os convidados já estão reunidos no grande salão de jantar. Todos comem, bebem e se divertem com música. Amyra permanece em silêncio, pensando no que Ramsay lhe dissera. “É um presente e um aviso”.

- Já jantamos, bebemos, ouvimos boa música. Agora tenho algo para lhes mostrar, meus senhores. Me acompanhem, por favor. – Ramsay diz aos convidados.

Ele pega Amyra pela mão e vai com ela na frente dos convidados, guiando o caminho. Vão para o lado de fora, onde cadeiras estão espalhadas pelo lugar. Todos se acomodam. 

Em frente às cadeiras uma pira com vários troncos secos está arranjada. Aquilo não é um bom presságio e Amyra se sente nervosa, mas não pode deixar o lugar.

- Tragam o presente! - Ramsay se coloca em pé e grita para seus homens.

Dois soldados trazem Myranda amarrada, amordaçada e nua. Ela se debate desesperadamente, tentando se soltar das cordas, mas não consegue.

Um buchicho indecifrável se forma. Ramsay se mantém em pé e olha atentamente para Myranda. Ela é amarrada na pira.

Amyra se desespera. Não morre de amores por Myranda e teve sua vida ameaçada por ela, mas isso é demais. Ela nunca concordaria com tamanha atrocidade. Ela se levanta e implora para que Ramsay solte Myranda. Agarra os braços dele, chacoalha, quase grita. Ramsay continua com o olhar fixo na pira.

O burburinho entre os convidados aumenta. Algumas empregadas, amigas de Myranda, choram desesperadamente.

Ramsay faz um sinal, um leve manejo com a cabeça. O soldado ateia fogo em Myranda.

Amyra se desespera ainda mais. Ela grita e leva as mãos à boca, chocada. Alguns convidados gritam, outros se levantam e olham Myranda queimar, chocados demais para fazer qualquer outra coisa. Alguns cochicham entre si, sem se chocar.

Ramsay mantém o olhar em Myranda, seduzido pelo fogo.

Myranda geme e grita. Um grito insuportável, mesmo com a mordaça. Um cheiro de carne queimada invade o local e a fumaça densa paira sobre os convidados.

Amyra não consegue mais olhar ou ouvir ao horror que acontece à sua frente. Ela fecha os olhos e tampa os ouvidos com as mãos, chorando copiosamente. Ao vê-la assim, Ramsay pega suas mãos e a obriga a olhar o corpo de Myranda, agora já sem vida, queimar. 

- Por favor... – Amyra implora quase sem voz, chorando desesperadamente, enquanto é obrigada a ver Myranda queimar.

- Faço isso por você, meu amor, porque ela quis te matar. Mas também faço para que saiba até onde sou capaz de ir contra aqueles que me traem. Um presente e um aviso.

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