Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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8. Se acostume ao meu jeito

Amyra procura por sua lança em todos os cantos do amplo quarto, pretende voltar a treinar o mais rápido possível, mas não a encontra.

- O que procura? - Ramsay pergunta ao entrar no quarto e ver Amyra debruçada no chão, olhando embaixo da cama.

- Minha lança. - Ela se levanta e o olha. - Você a viu?

- Um dos empregados a guardou, mas não se preocupe, você nunca precisará dela aqui. - Ele sorri e mais uma vez causa desconforto nela.

- É que eu queria...

- Deixe de bobagens. - Ele a interrompe. - Um alfaiate chegará daqui a pouco, mandei fazer vestidos para você. Escolha tecidos bonitos.

Ramsay a deixa e Amyra fica com uma impressão ruim quanto á sua lança, como se sentisse que Ramsay a tivesse escondido. 

 

*****

 

O alfaiate chega ao Forte. Amyra e sua aia vão com ele até o quarto, onde Amyra escolhe tecidos.

- Lorde Ramsay disse que poderá escolher quantos quiser. – O alfaiate diz.

- Mas... você só tem essas cores? – Amyra pergunta desapontada. Não há tecidos muito variados em cor, são apenas em tons de preto, marrom, verde escuro e cinza.

- Perdoe, Milady, mas foram ordens de Lorde Ramsay. – O alfaiate responde constrangido. – Ele me deu ordens específicas para não trazer tecidos coloridos, disse que a senhora não poderá usar nada colorido.

- Ele disse isso? Que não poderei usar nada colorido? – Amyra pergunta espantada.

- Ele foi muito enfático, Milady. - O alfaiate responde. 

Amyra respira fundo. Ramsay havia comentado sobre as cores das roupas Dornesas e de como isso chamaria atenção masculina indesejada, mas ela não se preocupou com o comentário dele e não achou que isso se tornaria realidade um dia. Cores vibrantes são sua marca registrada, marca de seu povo, de sua cultura. Nunca imaginou que Ramsay iria tão longe e a obrigaria a desistir de uma característica tão própria.

- Está bem, façamos com esses. – Ela diz aceitando sua realidade. Tentará mudar isso depois, não quer criar atritos desnecessários agora. – Não faço ideia do que escolher de modelo, os modelos Dorneses são muito diferentes, portanto confio em seu bom gosto.

O alfaiate imediatamente começa a fazer rabiscos em um papel pardo que rapidamente se transforma no desenho de um vestido. Mostra para Amyra com os olhos brilhando, orgulhoso de sua obra. Ela aceita, um pouco a contragosto. Os vestidos são fechados demais, sérios demais. Isso também foi ordem de Ramsay. 

Os vestidos chegam alguns dias depois. São todos muito sóbrios e fechados e para Amyra são todos muito parecidos e sem graça, mas ela não quer começar uma briga com Ramsay por causa disso. Apenas os aceita, na esperança de conseguir, talvez um dia, mudar a mente fechada e machista do marido.

O alfaiate a deixa sozinha com sua aia no quarto e ela veste um dos vestidos. Sua Aia termina de fechá-lo quando Ramsay entra no quarto.

Ele observa Amyra e seus olhos brilham, mas não é por achar a esposa bonita.

- Está belíssima, mas há uma coisa errada. – Ele se aproxima da esposa e aponta para o quase imperceptível pingente do colar que ela usa. É minúsculo, apenas um pequeno pingente de ouro que ela ganhou ao nascer. – O que é isso?

- O que quer dizer? – Amyra pergunta sem entender.

- Isso chama atenção para seu colo! E sem falar disso... – Ele aperta a cintura de Amyra, que está adornada por um cinto costurado ao vestido. – Suas curvas ficam muito perceptíveis com esse vestido. É um convite para que os homens a olhem. Chame aquele alfaiate novamente. - Ele diz para a empregada. 

A aia o chama.

- Refaça todos os vestidos de minha esposa, mas dessa vez sem esses cintos de prostituta que marcam as curvas dela. - A voz de Ramsay sai ameaçadora.

- Isso é mesmo necessário? – Amyra pergunta. – É um vestido muito sério, não há nada de errado com ele.

- Você não usará essas porcarias. – Ramsay responde quase gritando.

O alfaiate pega todos os vestidos e deixa o quarto ás pressas, com medo.

Sozinhos no quarto, Amyra olha para Ramsay atordoada.

- O que foi? – Ele pergunta enquanto se senta a uma pequena mesa e se serve de um pouco de vinho.

- Aquilo foi um exagero. - Ela diz. 

- Sei que está acostumada a vestidos escandalosos, mas não os usará aqui. Acostume-se a meu jeito.

- Mas...

Amyra não termina a frase. Ramsay a olha ameaçadoramente. Seu olhar faz com que um arrepio gelado percorra a espinha de Amyra e ela decide se calar. Não entende porque, mas Ramsay a faz se sentir frágil e desprotegida.

- Arrume-se para o jantar. – Ramsay ordena. - Estarei esperando lá embaixo.

Ele deixa o quarto e Amyra vai para o banho. 

 

*****

 

Ela desce e sua nova família já a espera para o jantar. A comida é boa e farta.

- O que acha do vinho, meu amor?  - Ramsay pergunta com uma voz doce e a surpreende. Ele não parece ser do tipo carinhoso. – Trouxemos um número considerável de garrafas de vinho Dornês para que você fique feliz, mas essa noite eu quero que você experimente um dos nossos.

- É muito saboroso. – Amyra responde depois de tomar um gole do vinho.

Ramsay sorri satisfeito.

O jantar acontece normalmente, com Ramsay ou Walda tentando manter uma conversa com Amyra enquanto ela simplesmente respondia às perguntas monossilabicamente.

- Vamos, está ficando tarde. – Ramsay diz à Amyra. – Boa noite pai, boa noite mãe. - Ele sorri. 

Ele se levanta e ajuda Amyra a se levantar também. Ela deseja um boa noite aos sogros e vai com Ramsay para o quarto.

“Talvez todas aquelas coisas que dizem sobre ele sejam mentira. ” Amyra pensa. “Ele está sendo tão gentil comigo... Talvez sejam mesmo apenas rumores vazios, as pessoas falam demais”.

 

*****

 

Ramsay fecha a porta atrás de si e lança um olhar diferente para Amyra. Um olhar que ele ainda não havia utilizado e que ela não consegue interpretar. Seria desejo? luxúria? Mas há algo de animalesco também, algo de cruel.

Ela tenta afastar essa sensação, afinal, ele é seu marido, nunca a machucaria. Certo?

Sorrindo de maneira estranha e doentia, ele a puxa para si e a beija. Novamente um beijo rápido e intenso, sem romantismo, carinho ou cuidado. Amyra o beija também e imagina se será sempre assim, sempre tão urgente e grosseiro.

- Deite-se. – Ele ordena de maneira seca.

- Como é? – Ela pergunta atônita. Ninguém nunca lhe dera ordens de maneira tão bruta.

Ramsay rola os olhos, impaciente. Em um movimento rápido, ele a pega no colo e a joga na cama.

- O que você está fazendo? – Ela pergunta ainda mais assustada.

- O que maridos fazem. Agora fique quieta.

- Ramsay... Pare com isso... eu não quero!

Ele pega o queixo dela e a olha intensamente. Seu olhar é suficiente para fazer Amyra estremecer de medo.

- Cale a boca, Amyra. Para seu próprio bem.

A maneira como ele falou com ela, o uso das palavras grosseiras e das ordens, o fim repentino do cavalheirismo. Tudo contribuiu para deixar Amyra congelada de medo, sem conseguir agir ou raciocinar.

Amyra sofreu sua primeira violência sexual. Tentou sair, mas apanhou. Dormiu depois de muito tempo, chorando e gemendo de dor. 

 

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