Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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22. Monstro

- Hey, vocês ficaram sabendo? – Um lutador se aproxima de Hemon e Jarin, que estão almoçando. – Lord Bolton morreu.

Ambos se olham sem saber o que pensar sobre a morte de Roose.

- Como aconteceu? – Hemon pergunta.

- Parece que ele estava caçando com o filho, Lorde Ramsay, quando um javali o atingiu. - O lutador explica.

- Javali? – Jarin se surpreende. Quando o rei Robert Baratheon morreu assim, as pessoas se surpreenderam com o azar dele, mas muitos começaram a levantar hipóteses e teorias conspiratórias sobre traição e assassinato. 

- É, eu sei... sujeito azarado. Mas algumas pessoas andam dizendo coisas. – O rapaz olha ao redor, se aproxima mais dos dois e diminui o tom de voz. – Estão falando que pode ter sido o filho dele, Ramsay, que o matou.

Hemon e Jarin se olham mais uma vez, mas agora com medo. Se Ramsay é capaz de matar o próprio pai, o que não faria com a esposa, com a qual ele já provou não se importar e não ter nenhum sentimento ou respeito?

 

*****

 

Ramsay recebe alguns nobres em sua sala. Eles estão preocupados com os rumos que as coisas tomarão agora que Roose Bolton está morto. Ele os acalma, dizendo que suas alianças e apoios estão a salvo e permanecerão inalterados.

A alegria e eloquência de Ramsay é surpreendente. Para alguém que acabou de perder o próprio pai, ele está radiante. Os nobres notam isso. Alguns não dão importância, pois apoiam Ramsay. Mas os outros acham ultrajante.

Ao saírem dali, os nobres que apoiavam Roose e duvidam de Ramsay fomentam o bochicho popular. Rapidamente, como fogo em palha seca e pólvora, o que se espalha pelo Norte é que Ramsay Bolton está ficando louco.

 

*****

 

Alguns dias se passam. Walda e Amyra caminham vagarosamente pelo quintal do forte. Walda continua triste e suas olheiras e olhos vermelhos revelam que ela foi incapaz de dormir mais uma noite. Ainda chora e se sente fraca pela dor, mas Amyra insistiu em um passeio, dizendo que um pouco de ar lhe faria bem.

A barriga de Walda já demonstra a vida do pequeno bebê que está ali. Amyra a acaricia, diz coisas doces e gentis a fim de dar alguma esperança á Walda e levantar o espírito dela. Consegue arrancar um sorriso ou outro e se sente um pouco melhor por ver a melhoria na amiga. 

Ramsay se aproxima delas. Beija Walda na testa e a abraça apertadamente. “Eu sempre estarei com você, mãe”. Ele diz após o abraço. Amyra o observa e através do olhar dela ele é capaz de saber que ela não acredita nele. A verdade é que ela vem desconfiando cada vez mais de Ramsay. Não disse nada á ninguém, muito menos á Walda, pois não quer que ela se sinta pior, mas o comportamento de Ramsay desde a morte do pai é extremamente suspeita. 

- Amyra, meu amor. Será que não poderia nos deixar sozinhos? – Ramsay pede com uma voz doce. – Gostaria de conversar com minha mãe por um momento, a sós.

Amyra olha para Walda, como se pedisse autorização. Diante do movimento afirmativo do rosto da amiga, ela aceita deixá-los a sós. 

- Claro. Se precisar de mim estarei lá dentro, querida. – Amyra beija as mãos de Walda e os deixa.

- Quero lhe mostrar uma coisa que papai adorava. Acredito que isso servirá para aplacar nossa saudade.  - Ramsay oferece o braço a Walda e ambos passam a caminhar.

Chegam ao canil e Walda pressente que algo ruim está prestes a acontecer.

- Ramsay... o que quer me mostrar? – Walda não consegue esconder o medo.

Ramsay não responde. Ele tranca a porta do canil e caminha para as jaulas.

- Ramsay... O que você está fazendo? – Walda insiste. Seu coração acelera e ela começa a suar.

- Será rápido, eles estão com fome. – Ramsay diz enquanto abre algumas portas.

Com os olhos arregalados e cheios de terror, Walda implora por sua vida, mas não adianta. Os cachorros correm até Walda e se aglomeram ao redor dela, rasgando sua pele e dilacerando sua carne. Muito sangue jorra, manchando as paredes e os cachorros, que continuam a se alimentar sem parar. Walda grita, mas a força dos cachorros não permite que ela se mova. Ramsay observa a tudo passivamente, com um sorriso sinistro pregado á boca. 

 

*****

 

Amyra está inquieta, mas não sabe porquê. A conversa de Ramsay e Walda está demorando demais e ela não tem bons pressentimentos quanto a isso.

Theon chega na sala, onde ela está, esbaforido e vermelho por causa da corrida que fez até chegar ali.

- Amyra! – Ele diz sem fôlego. – Walda... Walda está morta!

- O que?! – Ela quase grita, em choque.

- Ramsay a matou... no canil.

- Não... não pode ser! – Amyra vai correndo para fora. Theon tenta impedi-la, mas não consegue.

Ela vai correndo até o canil, de onde Ramsay está saindo. Ao ver os restos do vestido de Walda e sangue fresco no chão e nas paredes, ela entra em desespero. Vai para cima de Ramsay e dá murros nele. 

-MONSTRO! – Amyra grita e chora enquanto bate em Ramsay. – VOCÊ É UM MONSTRO!

- Pare com isso imediatamente! – Ramsay a controla, segurando suas mãos.

- VOCÊ OS MATOU! PRIMEIRO MATOU SEU PAI, DEPOIS MATOU WALDA! – Amyra se agita para tentar sair dos braços de Ramsay, mas mesmo que não consiga, continua gritando. Sua voz fica rouca e sua garganta arde. Seus olhos ardem pela quantidade de lágrimas. Ver todo aquele sangue, sangue que ela sabe ser de sua melhor amiga, é demais para ela suportar. Seu coração acelera e sua garganta se fecha. Sem ar, ela continua gritando, cheia de dor e desespero. 

Os empregados do Forte se agrupam ao redor deles, curiosos pela gritaria. Todos percebem do que se trata imediatamente. Ramsay planejava limpar a bagunça, mas Amyra atrapalhou seus planos. Todos sabem o que Ramsay fez.

 

*****

 

Ramsay leva Amyra até a torre do forte e a prende lá. Coloca um guarda para garantir que ela não fuja e nem receba visitas. Durante todo o percurso até a torre, Amyra continuou gritando para que todos saibam o que Ramsay fez. 

Ao sair da torre, Ramsay vê os empregados ainda aglomerados no quintal, chocados. Ele chama a atenção deles e pede que ouçam o que ele tem a dizer atentamente.

- Vocês já sabem o que aconteceu, não adianta mais eu tentar esconder. – Ramsay diz. Sua voz sai calma, porém ameaçadora. Todos ali se sentem desconfortáveis e, principalmente, com medo. – Não vou negar o que fiz com meu pai nem com minha madrasta. Isso é para que saibam quem sou eu, se já não souberem. Amyra permanecerá trancada e se alguém tentar vê-la, morrerá como Walda e meu pai morreram. Se eu souber que algum de vocês disse algo para alguém fora daqui, será esfolado vivo diante de todos. Agora voltem ao trabalho.

Ramsay sorri antes de deixá-los.

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