Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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9. Inveja e ciúmes

Já é noite e Amyra está sozinha no quarto. Ela se olha em um espelho. Nunca se sentira tão estranha em toda a vida. A brutalidade, a violência, as coisas horríveis que Ramsay fala e faz. Ela nunca imaginou que sofreria violência do marido e não sabe o que fazer, uma vez que está tão longe de sua família. Além disso, ela não se reconhece nos vestidos sérios que Ramsay a obriga a usar. Agora ela entende o que ele pretende. Ele quer apagá-la, fazer com que ela não se sinta ela mesma, matar todo o significado que suas raízes Dornesas e criação representam, toda a sua força. E ele está conseguindo. Ela se sente um fantasma sem nenhuma cor.

Ramsay entra e a abraça por trás, olhando-a pelo espelho. O estômago de Amyra se embrulha em uma resposta natural com a presença dele.

- Sei que gostaria de vestidos coloridos, mas não correrei o risco que homens lhe desejem. – Ele beija o pescoço dela e aspira seu perfume delicioso. Ela se sente enojada.

- O que pensa de mim? – Ela pergunta ainda olhando para o espelho. – Acha que eu o trairia? Que eu me daria ao desfrute?

- Não confio em mulheres Dornesas.

- Chega! – Ela se solta das mãos de Ramsay, se vira e o encara decidida. – Não permito que deboche de meu povo, estou cansada disso! Não é a primeira vez que fala mal das pessoas da minha terra, especialmente das mulheres. Você nunca conviveu com nenhum Dornês para falar coisas tão odiosas contra nós! - O rosto de Amyra é tomado por uma vermelhidão raivosa. 

- Isso não é jeito de falar com seu marido. – Ramsay fala calmamente, mas seus olhos a fuzilam.

- Um marido também não deve debochar do povo de sua esposa, no entanto você o faz sempre. – Os olhos de Amyra brilham de raiva. – Não permitirei mais isso.

- E o que pretende fazer? – Ramsay fala debochado e Amyra percebe que para ele a situação não passa de entretenimento. Ele se diverte, não a leva a sério.

- Você não se casou com uma moça frágil e submissa, Milorde, muito pelo contrário. – O tom de voz dela se acalma, mas seu olhar se torna ameaçador.

- Calada, Amyra. Apesar de me divertir com sua prepotência, é bom que você saiba com quem está lidando. Esse é seu último aviso. - Ramsay muda de feição imediatamente. O deboche o deixa e assume uma seriedade gelada. 

Amyra sorri. Um sorriso ao mesmo tempo desafiador e debochado. Um pequeno movimento com os lábios formando uma leve curva torta que indica que ela não se renderá. 

- Boa noite, Milorde. – Ela faz uma reverência e vai dormir, deixando-o sozinho.

Ramsay deixa o quarto, furioso.

Ele vai até o quarto de Myranda, do lado de fora do Forte. Entra sem nem ao menos bater. Ela se desperta rapidamente, assustada, e no momento em que o vê fica em pé em frente a ele imediatamente.

- Porque demorou tanto, meu senhor? Te esperei ansiosamente desde que chegou, mas você não veio me ver. - Ela diz com uma voz baixa e sensual. 

- Não me aborreça, Myranda. Deite-se. - Ele ordena com a voz ainda carregada de raiva. 

Ela se deita de barriga para cima e o olha ao mesmo tempo em que morde os lábios. Sem dizer nada, ele tira a própria roupa, a vira de bruços e a penetra. É tudo muito bruto, mas Myranda está acostumada a esses rompantes. 

- Eu sabia que ela não te satisfaria. – Myranda fala entre gemidos. – Aquela Dornesa estranha...

- Calada.

- Diga, Ramsay. Diga que sou melhor que ela, que te dou mais prazer.

- Calada! – Ele coloca a mão sobre a boca dela, apertando.

Ao terminar, ele sai da cama, coloca a roupa e abre a porta. 

- Onde vai? Então vem, me usa e depois me deixa aqui sozinha? - Myranda se coloca em pé e passa a gritar com ele.

Ramsay fecha a porta e volta para perto dela, olhando-a nos olhos.

- Você se dá importância demais, garota.

- Ela não é boa o suficiente para você, Ramsay. Não é! – Myranda começa a chorar.

Ramsay ri diante do choro dela e depois inspira e expira o ar pausadamente. Está perdendo a paciência e Myranda sabe que isso não é um bom sinal.

- Ela é linda, tem um corpo escultural e é de uma família importante. Além disso é culta, diferente de você. Como ela pode não ser boa para mim, Myranda?

Myranda se aproxima, controlando o choro, e aperta a virilha de Ramsay enquanto o olha sensualmente nos olhos.

- Eu sei do que você gosta.

Ramsay ri.

- Amyra pode não saber ainda, mas aprenderá, por bem ou por mal. – Ele retira as mãos de Myranda de sua virilha. – Quanto a você, não pense que é tão importante.

Ele faz um leve aceno com a cabeça e a deixa.

 

*****

 

Na manhã seguinte Amyra é acordada por uma moça de meia idade e rosto gentil.

- Perdão por acordá-la, Milady, mas o Senhor Ramsay ordenou que eu a ajudasse. Sou sua nova aia. – A mulher diz olhando para o chão.

- Está tudo bem, gosto de acordar cedo. – Amyra diz com a voz doce e com um sorriso. Apesar de detestar o marido e a nova casa, não quer que esses sentimentos e pensamentos ruins a envenenem. - Como é seu nome?

A mulher a olha surpresa. Não apenas pelo tom de voz doce ou pelo sorriso dispensado a ela, mas pela pergunta. Não está acostumada com gentilizas, especialmente em Forte do Pavor, onde os de sangue real desprezam os de sangue não real.

- É... Adelaid, Milady.

- Bom dia, Adelaid. Seja bem-vinda. – Amyra sorri.

- Obrigada, Milady. – Adelaid também sorri.

Adelaid preparara o banho de Amyra e depois a ajuda a colocar um dos terríveis vestidos que Ramsay mandou fazer para ela.

As duas estão agora em frente à penteadeira de Amyra. Amyra sentada e Adelaid lhe arrumando os cabelos.

- Eu gosto do seu penteado, Adelaid. – Amyra diz. – Poderia fazer em mim? - Os olhos de Adelaid brilham com o pedido, ela se sente honrada.

O penteado é bastante simples, consistindo em várias tranças laterais que se encontram na parte de trás do cabelo. Ela passa a trançar os cabelos de sua senhora e as duas conversam sobre os mais variados assuntos. Amyra é doce e se importa de verdade com Adelaid, lhe fazendo perguntas sobre sua família e até sobre sua infância.

São interrompidas por batidas na porta. Adelaid a abre, é Myranda.

- Se retire, Adelaid. Eu termino de auxiliar Lady Amyra. – Myranda nem mesmo olha para Adelaid e sua voz sai autoritária e grosseira.

- Mas... sou a nova aia de Lady Amyra e preciso...

- Ajude as mulheres da cozinha por enquanto. E ande logo com isso, não tenho o dia todo. Se não sair daqui logo falarei com o Senhor Ramsay, e você sabe que ele não gosta de ser perturbado por assuntos banais. Ele a esfolará viva.

- Não fale assim com ela! – Amyra deixa bem claro que não gosta do tom de voz de Myranda.

- Perdão, Milady. – Myranda diminui o tom de voz e passa a falar baixo e de maneira submissa. - Mas recebi ordens para vir ajudá-la. 

- Pode ir, Adelaid. Volte depois, continuará sendo minha aia. – Amyra diz docemente.

Adelaid as deixa.

Myranda continua o penteado de onde Adelaid parou.

- Perdoe, Milady, mas é preciso ter pulso firme com esses empregados preguiçosos. – Myranda diz.

- Ela estava apenas fazendo o trabalho dela, não há nada de preguiçoso nisso.

Amyra não trata Myranda da mesma maneira que tratou Adelaid, pois algo lhe diz que a garota não é boa.

- Senhor Ramsay saiu cedo hoje. – Myranda ignora o que Amyra havia dito e parte para outra conversa. – É de se espantar que ele saia tão cedo, especialmente agora que casou-se com milady. A senhora é tão linda.

- O que está tentando insinuar?

- É só que... não quero fazer fofoca, mas todos sabemos o quanto Ramsay pode ser insaciável.

- Já esteve com ele, não?

- Não... Claro que não, Milady. – Myranda se assusta.

- Diga a verdade, garota. Você está com ciúmes, do contrário não perderia seu tempo vindo até aqui, expulsando minha Aia e tentando colocar caraminholas em minha cabeça.

Myranda para de pentear Amyra e a encara pelo espelho.

- Você não é boa o suficiente para ele. Agora você é uma novidade exótica, mas logo ele se cansará de você e fará o mesmo que fez com as outras. Talvez ele espere até que você dê um filho a ele, mas depois você se tornará sua caça.

- Caça? – Amyra se mantém sentada e com o semblante tranquilo, mas a menção á palavra a deixa inquieta. Ela já ouvir falar do "esporte" praticado por Ramsay, mas achou que fossem apenas rumores. 

- Sim, caça. É um dos esportes favoritos de Ramsay. Ele a soltará na floresta, colocará cães famintos atrás de você e deixará que eles rasguem sua carne. - Myranda parece sentir certo prazer ao narrar o acontecimento. 

Por mais que ouvir isso e conhecer outro lado maligno e sombrio de Ramsay faça o estômago de Amyra embrulhar, ela continua calma por fora. Não demonstrará medo nem para Ramsay e nem para garotas apaixonadas bobas que fazem tudo por ele.

- Você o ama, não ama? – Amyra fala. – Pensou que se casaria com ele, mas então eu apareci e estraguei tudo. Você não me assusta, garota. Eu sou uma Martell, não me assusto com facilidade. – Amyra volta a se olhar no espelho e a arrumar o próprio cabelo. – Agora desapareça de perto de mim e mande Adelaid voltar, ela é bem melhor que você.

Myranda sai do quarto com muita raiva e bate a porta ao sair. Amyra então se permite extravasar o medo que sente. Com os olhos arregalados e cheios de terror, ela leva as mãos à boca e tenta se controlar apesar da dificuldade para respirar. Então é verdade. Todos os rumores terríveis sobre Ramsay Bolton estão se mostrando verdadeiros, e ela está presa ao lado dele, sem ter para onde fugir.

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