Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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20. Esperança

Hemon e Jarin chegam em terras Nortenhas algumas semanas depois de embarcarem no navio. Durante a viagem, discutiram muito sobre o que fariam quando chegassem e concluíram que entrariam para o time de justas a fim de reconhecerem o local e até, quem sabe, chamar outros homens para ajudá-los. Mas antes precisam falar com Theon.

Jarin vai até o forte sozinho para que não corram o risco de que alguém reconheça Hemon. Ele se passa por um entregador de pães – havia espancado o verdadeiro e roubado sua cesta – e entra no forte. Ao levar a cesta de pães até a cozinha, Theon estava lá, arrumando uma bandeja. Jarin reconhece o sujeito sujo e esfarrapado, espantando-se com tamanha diferença, já que em Dorne Ramsay o poupou das humilhações e privações. Ele discretamente lhe entrega um bilhete escrito por Hemon. Theon pede para que ele o espere do lado de fora.

Cerca de meia hora depois Theon aparece. A magreza do rapaz, juntamente com feridas inflamadas e expostas, faz a espinha de Jarin gelar. Ele pensa em Amyra. 

— Onde ela está? Ela está bem? – Jarin pergunta preocupado.

— Ramsay a mantém trancada no quarto.

— Desgraçado...

— Não tenho muito tempo. Quando vocês virão?

— Não podemos simplesmente aparecer, garoto. É muito arriscado, especialmente para Amyra. Mas entramos para o time de justas para reconhecer o local, talvez até conseguir mais pessoas para nossa... causa... por assim dizer.

— Ótimo. Não conheço ninguém que possa ajudá-los, mas saibam que estarei pronto a qualquer momento. Vou tirar Amyra daqui nem que eu morra para isso.

— Ela tem sorte de ter você por perto. – Jarin, em um momento raro, sorri para Theon.

Despedem-se. Jarin retorna à estalagem em que está hospedado com Hemon.

Ao chegar encontra Hemon andando de um lado para o outro, nervoso.

— Como foi? O que aconteceu? – Hemon pergunta ansioso.

— Avisei aquele garoto que chegaremos lá qualquer dia desses.

— Theon... Sim, quando chegar a hora o avisaremos. Temos que combinar tudo muito bem, nada pode dar errado, pois é Amyra quem está na linha de frente do ódio de Ramsay. 

— Se depender do garoto nada dará errado. Logo se vê que ele é muito fiel à Amyra. Disse que a tirará de lá mesmo que morra.

— Graças aos deuses ela tem pessoas como ele por perto. Só de pensar nela sozinha, sofrendo... – Hemon respira profundamente, cheio de medo e com lágrimas brotando nos olhos.

— Hei... vamos salvá-la, não se preocupe. – Jarin tenta acalmar o amigo.

— Sim. Vamos salvá-la. Nem que seja a última coisa que eu faça.

 

*****

 

Duas semanas se passaram desde que chegaram. Exímios lutadores, logo ganham destaque no time de justas.

— Hei, garotos. – O líder e treinador do time se aproxima de Hemon e Jarin. Não conhece seus nomes nem de onde vieram, pois eles nunca disseram, mas isso não é relevante quando se é tão bom com lanças e cavalos como eles são. – O grande torneio está chegando e quero que lutem. Todas as famílias nobres estarão nesse torneio e se ganharmos, os Boltons nos darão cavalos, além de uma quantia boa em ouro.

— Os Boltons estarão lá? – Hemon pergunta, soando mais interessado do que planejava.

— Sim. Agora que os Starks praticamente desapareceram do mapa são eles que detém o controle do Norte. Mas porque a pergunta?

— Não é nada senhor capitão, é só que, bem... eles são muito importantes, não queremos fazer feio na frente deles. – Jarin tenta corrigir a curiosidade desmedida de Hemon.

— Que bom que pensam assim, porque precisamos de mais cavalos e algum ouro não seria nada ruim. Agora voltem a treinar.

O treinador os deixa.

— Os Boltons... – Hemon diz pensativo.

— Sim. Eles não podem nos ver. – Jarin completa.

— Os capacetes não permitirão que eles nos reconheçam, não se preocupe. Essa é uma oportunidade de mostrar para Amyra que estou aqui, de mantê-la tranquila.

— Cuidado, Hemon. Você pode estragar tudo.                

— Não vou, não se preocupe.

 

*****

 

Ramsay entra no quarto sem avisar, mas Amyra não demonstra nada. Nem susto, nem surpresa... absolutamente nada. Ela está deitada com o olhar fixo no teto, a face pálida e com olheiras profundas. 

— Levante-se, tenho algo para você. – Ramsay diz com a voz forte, impaciente por vê-la naquele estado.

Amyra se senta na cama e o olha, mas seu olhar está apagado e triste. Qualquer um que a visse agora sentiria vontade de chorar, sentiria o coração rasgando-se e sangrando de piedade, mas não Ramsay. Ele não sente nada além de tédio.

— Um vestido novo. - Ramsay explica. - O festival de justas está se aproximando, todas as famílias nobres estarão lá, daremos um prêmio para o time que ganhar. Quero que você esteja impecável.

— Quer fingir para os demais nobres que tem uma esposa bonita e alegre, não? Me mostrar para eles como se eu fosse um pedaço de carne.

— Ora, veja só! Minha esposa está com a língua afiada hoje. – Ele se senta em frente a Amyra e a beija. Amyra fecha os lábios e os olhos. – Prefiro você assim, é muito mais interessante.

Amyra se levanta para ver o vestido. Qualquer coisa é melhor do que ficar perto de Ramsay.

— Quero que use isso também. – Ele mostra uma das antigas joias dela, confiscada para que ela não chamasse atenção masculina. É uma espécie de pulseira que imita uma serpente, que vai do cotovelo até os dedos e é feita de ouro maciço. 

— Vai me deixar usá-la? – Ela pergunta sem entender o repentino acesso de gentileza dele. Essa sempre foi sua joia favorita, primeiro porque a serpente está intimamente relacionada à sua família, segundo porque ganhara de sua mãe na adolescência. É, portanto, uma peça de inestimável valor sentimental.

— Como eu disse, quero que você esteja impecável. – Ele se aproxima e coloca a pulseira no fino e machucado braço de Amyra. Depois se afasta, a observa e sorri com o que vê.

 

*****

 

O dia do torneio chega. O local está decorado elegantemente e o sol brilha, ainda que timidamente. Há muitas cadeiras esperando por seus convidados, mas os lugares de honra são da família Bolton. Quatro poltronas de madeira com decorações e debaixo de uma cobertura com tecidos nas cores da família.

Roose e Walda sentam-se no meio, com Ramsay ao lado de Roose e Amyra ao lado de Walda. A trombeta é soada e os dois primeiros competidores, Jarin e um outro rapaz, se apresentam com suas armaduras reluzentes e seus cavalos bonitos e saudáveis. É costume que os cavaleiros se apresentem aos espectadores, andando vagarosamente e se mostrando para eles, e é isso que eles fazem. As pessoas aplaudem, cheias de alegria e fervor. A trombeta é soada uma segunda vez e eles se posicionam.

Na terceira vez em que a trombeta é tocada, eles disparam um de encontro ao outro, com suas respectivas lanças em posições estratégicas. O objetivo é derrubar o outro, vencendo a competição, mas, as vezes, acidentes podem acontecer e um ou outro cavaleiro se machuca ou morre.

Jarin quase derruba o outro, mas esse permanece no cavalo. Amyra vê o momento em que Ramsay se coloca na ponta de sua poltrona, esperando que o cavaleiro caísse, mas ao ver que isso não aconteceu voltou para o lugar decepcionado. Os cavaleiros voltam a seus lugares e recomeçam. Dessa vez Jarin derruba seu adversário. O público aplaude e grita, extasiados com o espetáculo.

A segunda dupla entra, Hemon e outro rapaz. Eles também se mostram para a platéia, mas Hemon faz algo diferente. Ele tem um lenço amarrado na ponta de sua lança com as cores de sua casa. Se aproxima de onde Amyra está e faz um sinal para que ela se levante. Ela o faz e Ramsay os observa atentamente. Quando Hemon estende sua lança, Amyra desamarra o lenço e o olha através do capacete reluzente de ferro. Reconheceria aqueles olhos verdes em qualquer lugar do mundo. Agarrada ao lenço, ela o olha nos olhos sem acreditar que ele esteja ali. Eles se comunicam com o olhar, é como se suas almas se abraçassem e eles sentem seus peitos se aquecerem e seus corações baterem mais fortes. Ela sorri, ainda que timidamente, e percebe que ele faz o mesmo. 

Ramsay tem fogo no olhar. Ele pigarreia em um claro sinal para que Amyra volte para o lugar e ela faz isso imediatamente, como um cão machucado que teme seu dono e age com medo sempre que ouve a voz dele.

Hemon se posiciona. A trombeta toca e eles dão a largada com seus cavalos. O outro cavaleiro atinge Hemon no peito e ele quase cai. O público suspira em uníssono, assim como Amyra. Ela segura nas laterais de sua poltrona com mais força e não percebe que havia parado de respirar. Ramsay olha para ela e tenta lhe lançar um olhar reprovador, mas ela não presta atenção.

Hemon e o outro cavaleiro voltam para suas marcas iniciais e Hemon está com raiva agora. Quando a trombeta é soada novamente é Hemon quem larga na frente e, com toda a força que tem, atinge o outro homem no peito. O homem cai. Hemon vence e Amyra volta a respirar aliviada.

Os vencedores, Jarin e Hemon, lutam entre si agora e é Jarin quem vence. Hemon deixara propositalmente porque sabe que Ramsay o felicitará. Se fosse o contrário seriam descobertos e a chance de Amyra escapar morreria ali.

Após as lutas, Roose e Ramsay entregam o ouro e os cavalos prometidos. Ramsay fica intrigado com Jarin e pede para parabenizá-lo.

- Você foi excelente hoje. – Ramsay aperta a mão de Jarin. – Quero que conheça minha esposa. Ela não gosta de justas, quem sabe você não a convença do quanto esse esporte é interessante.

Amyra é chamada e se aproxima deles. Ela o reconhece e faz uma pequena e graciosa reverência que Jarin devolve com um sorriso preocupado. 

- É um prazer conhecê-la, Milady. – Jarin beija a mão dela, fingindo não a conhecer.

Agora Amyra tem certeza de que o homem que lhe deu o lenço é Hemon. Uma esperança entranha e grandiosa lhe invade o peito, mas ao mesmo tempo, ela teme o que possa estar por vir e as consequências disso. 

 

*****

 

No caminho de volta para o Forte Ramsay toma o lenço que Amyra ganhara. Ela o guardou e não prestou muita atenção nele para que Ramsay não desconfiasse de nada, mas a ideia de que a esposa tivesse algo que outro homem houvesse dado não lhe agradava nem um pouco. Ela não se manifesta, apenas entrega o presente. A ajuda está próxima, ela pode sentir, mas, novamente, a preocupação lhe invade o peito. 

Ao chegarem ao Forte Amyra é, mais uma vez, presa em seu calabouço disfarçado de quarto, mas dessa vez ela não chora ou se sente triste como sempre costuma acontecer. Pela primeira vez em muito tempo, Amyra sorri.

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