Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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26. De volta para casa (capítulo final)

Amyra sente coisas contraditórias. Estar com Hemon a faz se sentir protegida, especialmente viajando assim, tão perto dele, com o peito dele encostando em suas costas e os braços dele em volta de sua cintura enquanto guia o cavalo. Mas mesmo assim ela olha para todos os lados e qualquer barulho faz com que seu coração dispare de medo. Mesmo com Ramsay e muitos de seus homens mortos, ela teme, pois, muitas pessoas no Norte, especialmente nobres, apoiavam Ramsay e não aceitarão a morte dele pacificamente.

- O que a incomoda? – Hemon pergunta. É impressionante como ele a conhece bem.

- Você não tem medo que nos vejam? E se nos seguirem ou nos capturarem?  – Ela responde nitidamente nervosa.

As mãos de Amyra tremem. Hemon tira uma das mãos da rédea do cavalo e a aperta. Sente a mão gelada de Amyra e tenta aquecê-la, ao mesmo tempo em que tenta acalmá-la. 

- Não se preocupe, estamos muito longe. – Ele tenta acalmá-la - Mesmo que nos sigam, chegaremos ao porto antes que nos peguem.

Quando fugiram tomaram outro caminho, mais distante, mas menos conhecido, de modo que levarão mais tempo para chegar ao porto e tomar um navio até Dorne, mas Hemon preferiu assim para não arriscar um encontro inesperado com os soldados de Ramsay.

Decidem passar a noite em uma taverna. Ao entrarem são informados que o lugar está lotado.

- Mas se me pagarem uma moeda de ouro eu cedo o quarto de meu filho e ele dorme comigo essa noite. – A mulher, esposa do dono do lugar, diz.

Hemon a paga e após o jantar, ambos vão para o quarto.

É um quarto simples e pequeno, mobiliado com uma modesta cama de madeira, feita para apenas uma pessoa.

- Fique na cama, eu durmo no chão. – Hemon diz ao ver a visível expressão de Amyra tentando encontrar uma maneira de ambos dormirem ali.

- De jeito nenhum, nos apertamos na cama. – Ela diz. – O homem que salvou minha vida merece, pelo menos, uma cama decente para dormir.

- Se quer uma cama decente então teremos de procurar outro lugar. – Hemon tenta fazer Amyra rir e esquecer o medo de ser capturada. Ela ri, de fato, mas volta a ficar preocupada. – Ainda preocupada?

- Sim, mas não é apenas isso que me incomoda.

- E o que é então?

Amyra se senta na cama e o olha com a mesma feição preocupada de antes, com o olhar nebuloso. Ela respira fundo e pensa antes de falar, como se tentasse procurar as palavras certas.

- Eu... quando matei Ramsay...

- Não pense nisso. – Hemon se ajoelha na frente dela e lhe aperta as mãos. – Não vale a pena.

- É que não consigo sentir remorso pelo que fiz com ele, não me arrependo de nada! Será que me transformei em uma má pessoa? – Os olhos dela ficam marejados e duas grossas lágrimas caem.

- O que quer dizer com isso?

- Quando o matei, não senti nada além de alívio. Eu matei uma pessoa e consegui sentir apenas alívio ao fazer isso! - Ela aperta as mãos de Hemon com força e chora mais. – Será que me transformei em um monstro? Será que ele conseguiu matar a Amyra boa e me transformar em um monstro, como ele era?

- Nem pense nisso! Ele era um monstro, você não é. Você continua sendo doce e maravilhosa, só está machucada e precisa se recuperar. Ele tirou coisas demais de você, Amy. Você passou por coisas que não deveria ter passado e é natural que sinta raiva dele e que tenha sentido alívio ao ter feito o que fez. Você ficará bem. Eu me certificarei disso.

Amyra chora ainda mais, mas de alívio. Sorri, tranquila. Hemon sempre tivera esse poder sobre ela, como se fosse um dom dado pelos deuses: o de tranquilizá-la quando ela se sente nervosa ou com medo. Hemon sempre fez Amyra se sentir bem, sempre a fez sentir-se uma mulher inteligente e bonita.

Ela se ajoelha também e o abraça.

A noite chega e eles dormem apertados ali. Sem malícia nenhuma, apenas duas pessoas que se gostam muito. Amyra dorme encostada no peito de Hemon e pela primeira vez em muito tempo, dorme bem, sentindo-se segura.

 

*****

 

 

A viagem é reiniciada na manhã seguinte. Partem muito cedo, antes mesmo de os primeiros raios solares serem emitidos.

Chegam ao porto. A viagem segue por mar e dura várias semanas. Amyra continua inquieta, mas agora por outros motivos. Como será sua volta para Dorne? Como seu pai reagirá ao saber da morte de Ramsay e do consequente fim da aliança entre Boltons e Martells? Como o povo Dornês a receberá de volta, se é que a aceitarão? Essas perguntas martelam na cabeça dela e impedem que ela consiga relaxar.

- Não quer mesmo me dizer o que a incomoda? – Hemon insiste. Havia pedido para que ela se abrisse, pois percebera a expressão séria, mesmo depois da conversa da noite passada.  

- Não é nada, realmente. – Amyra mente.

- Está bem. – Hemon decide não a pressionar.

 

*****

 

A viagem dura várias semanas. Várias semanas de preocupação e incertezas, mas também de uma estranha saudade que ela sabe que chegará ao fim.

Finalmente chegam. Ao ver Jardim das Águas ao longe, Amyra sente o coração batendo acelerado, como se fosse lhe sair pela boca. A hora da verdade se aproxima.

Já na entrada da cidade percebem que serão muito bem recebidos. Todos os Dorneses estão reunidos ali. Gritam os nomes de Hemon e de Amyra, lançam flores sobre eles e batem palmas enquanto alguns cantam e tocam instrumentos. É uma verdadeira festa de recepção, muitíssimo calorosa.

- O que está acontecendo? – Amyra pergunta sem entender.

- A princesa deles retornou, estão felizes. Também não sei. – Hemon responde. Há um ar sapeca do rosto dele, como se ele soubesse de algo.

Quando os portões se abrem a família Martell está reunida para receber Amyra e Hemon. Todos eles com sorrisos e lágrimas de alegria. Abraçam e beijam os dois como se fossem divindades que visitam a terra.

- Minha filha! Minha preciosidade! – Doran se coloca em pé, mesmo com dificuldades, para poder abraçá-la. – Que felicidade! – Ele chora de alegria e alívio.

Depois dos abrações e beijos emocionados, todos entram.

Estão todos sentados em uma das grandes salas do lugar, bebendo e comemorando o retorno de Amyra e Hemon.

- Então é por isso que fomos recepcionados de maneira tão festiva? – Amyra diz, compreendendo o motivo depois que contaram a ela.  

- Sim, Hemon nos mandou um bilhete contando tudo o que aconteceu. – Oberyn diz. – Quando ele fugiu para salvá-la, tentamos encontra-lo, mas não conseguimos. Semanas mais tarde recebemos o bilhete e pensamos em mandar uma tropa para lá, mas Hemon não deixou.

- Eu não poderia arriscar tudo. – Hemon se explica.

- E fez muito bem. – Oberyn diz.

- Foram os piores dias de minha vida! – Doran relembra. – Saber o que estava acontecendo com minha filha sem poder ajudá-la. Mas confio plenamente em Hemon, ele sempre foi um ótimo estrategista e guerreiro.

- E se mostrou digno de sua confiança mais uma vez. – Trystane elogia.

- O que importa é que Amy está bem e está aqui novamente. – Hemon diz.

- Sim. Fiquei preocupada com a maneira que nosso povo receberia a notícia, mas ficou feliz em saber que não preciso me preocupar mais. – Amyra diz aliviada.

Continuam conversando e comemorando. Pela primeira vez em muito tempo, Amyra está plenamente feliz.

A vida voltou a ser o que era, apesar das cicatrizes.

 

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