Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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14. Convite

- Amy! – Walda quase grita, parada ao pé da escada.

Amyra não sente vontade de deixar o quarto, mas sai mesmo assim. Desce as escadas e encontra a amiga esperando-na com um largo sorriso enquanto balança um papel nas mãos.

- Não imagina o que tenho aqui! – Walda continua cheia de alegria. – O convite para o casamento de seu irmão!

Ela entrega o papel para Amyra. Um papel muito bonito, com palavras elaboradas em dourado e o símbolo Martell ao fundo. Amyra lê o convite com atenção. O símbolo de sua casa, as palavras estranhamente acolhedoras... é bom rever algo de casa. Isso levanta o espírito de Amyra, fazendo-a se sentir um pouco melhor.

- Vou com vocês. Vou finalmente conhecer sua terra, sua família, os jardins de que tanto fala. – Walda se sente exultante. Não sai muito de Forte do Pavor e nunca estivera em Dorne, de modo que a expectativa da viagem a anima.

- Vou lhe mostrar tudo, Walda. Creio que gostará. - Amyra promete. Seu rosto ganha uma leve cor de animação. 

Ramsay entra no mesmo momento em que Amyra e Walda conversam e fazem planos sobre vestidos, com Walda curiosíssima, perguntando sobre a moda Dornesa e os perfumes e óleos que o povo produz e utiliza.

- São os melhores, minha mãe. – Ramsay se coloca atrás de Amyra, que está sentada em um sofá, de frente para Walda, e massageia os ombros dela, que automaticamente se enrijecem com a presença dele. – Não é à toa que minha esposa está sempre tão cheirosa. – Ele cheira o pescoço dela. - Prometo comprar vários frascos para vocês.

Amyra desmancha seu sorriso e seu raro momento de alívio desaparece. Walda nota e sente pela amiga, mas não pode fazer nada. Apenas sorri sem graça para Ramsay.

- Partiremos dentro de dois dias. – Ramsay diz. – Sugiro que comecem a arrumar suas coisas. Mulheres são sempre tão enroladas com esse tipo de coisa, não é mesmo? – Ele sorri e se despede das duas com um beijo na bochecha de Amyra, que não consegue disfarçar o nojo.

 

*****

 

No dia seguinte, Amyra escolhe alguns vestidos para levar. Vários deles estão espalhados pela cama e ela os olha sem emoção alguma, mas precisa escolher alguns. Ramsay está sentado, bebendo vinho e a observando. A presença dele a deixa extremamente desconfortável, mas ela se mantém em silêncio. 

- Deixarei que você leve algo a mais em sua bagagem. - Ramsay diz. 

Amyra o olha de maneira estranha, como se pressentisse algo ruim. Nada de bom vem das surpresas de Ramsay. 

- Não seja boba, eu não faria nada contra você com sua família por perto. Não sou burro. – Ramsay ri diante da feição de incerteza dela. Ele então se levanta, vai até a porta e ordena que Theon entre. - Apenas quero que você se divirta e desmanche essa cara de tédio que te acompanha, ao menos perto de sua família. Sei que vocês são muito amigos, então permitirei que você o leve. Até comprei roupas para ele! – Ramsay dá um tapinha nas costas de Theon, que continua olhando para baixo. – Até mais tarde. 

Ramsay os deixa.

Amyra corre até Theon e eles se abraçam. É um alívio para ambos sobreviverem a mais um dia ao lado de Ramsay.

- Porque ele deixará que vá conosco? – Amyra pergunta.

- Sinceramente não sei, Amyra.

A essa altura eles já se tratam pelo primeiro nome, sem títulos e decoros desnecessários. São muito amigos, íntimos. Não precisam de regras chatas entre eles.

- Acha que ele pretende algo com isso? - Ela insiste. 

- Como ele mesmo disse, não tentaria nada com sua família por perto. Acho que faz isso por se sentir seguro. Nunca mais nos levantamos contra ele, ele pensa que ainda nos manipula.

Amyra se entristece. Senta-se na cama, respira fundo e olha para os próprios pés, cheia de vergonha.

- Ele não está errado. Deuses... se meu pai me visse agora. Apenas a sombra do que fui um dia. Uma Martell quebrada e curvada. Ramsay conseguiu.

- Ei... não diga isso. – Theon se ajoelha diante dela, para que possa olhá-la nos olhos. – Você é muito forte, mesmo que tenha se esquecido disso.

- Não sou mais.

- É sim! Não deixe aquele monstro te enfraquecer, Amy.

- Ele é mais forte que eu. - Ela aponta para uma das várias marcas que seu corpo carrega. 

- Mas juntos somos mais fortes que ele. Deixe que ele pense que nos tem nas mãos. Um dia ele vai cair.

- Você me impressiona com seu humor. – Amyra sorri. – Vamos terminar essas malas. Partiremos amanhã.

Ela se levanta e volta a fazer as malas. Theon não diz mais nada, mas tem esperanças de que algo mudará em breve.

 

*****

 

A viagem dura muitas semanas, mas finalmente chegam. Roose, Walda, Ramsay e Theon saltam do navio, acompanhados de Amyra. Ela corre assim que vê os portões dourados de sua casa, que se abrem e revelam sua família do outro lado, ansiosos por vê-la novamente.

Todos os protocolos são deixados de lado. Amyra é abraçada e beijada por todos, em uma explosão de alegria barulhenta e espalhafatosa. Apenas Theon e Walda sorriem por ela.

Os três finalmente se aproximam e também são recebidos com alegria.

Em um primeiro momento a família percebe o olhar sem brilho e a face cansada e pálida de Amyra, mas atribuem isso á longa e cansativa viagem.

Ela olha ao redor a procura de Hemon, não o encontra e isso a decepciona muito, mas não ousa dizer nada com Ramsay por perto.

- Que bom que estão aqui, que alegria! – Doran diz. – Imagino que estejam cansados. Amyra, minha querida, creio que ainda saiba onde fica seu quarto. Pode ir para lá com seu esposo. Quanto aos demais, nossas empregadas lhes mostrarão seus quartos.

Todos se recolhem. Ainda é cedo, mas pretendem descansar um pouco antes do jantar.

Amyra percorre o trajeto até seu quarto em silêncio, observando a tudo com nostalgia. 

- Você o procurava, não? - Ramsay quebra o precioso silêncio com suas palavras acusadoras.

- Do que está falando?

- De seu ex-noivo. Você o procurou porque ele não foi te receber. Você queria vê-lo, não queria?

- Ramsay, por favor. – Amyra pede com cansaço na voz. – Viemos comemorar o casamento de meu irmão, não comece.

- Não te quero perto dele, entendeu? Fique longe dele e nada acontecerá. 

Ramsay se deita para descansar, mas Amyra volta a sentir-se sem ar, pressionada pelo medo e desconforto que Ramsay a faz sentir diariamente.

 

*****

 

Algumas horas se passam e o jantar se aproxima. Amyra tenta esquecer a ameaça disfarçada que Ramsay fizera, afinal, está em Dorne e quer aproveitar seus dias ali. Ela está terminando de se arrumar quando Ramsay acorda. Ele a observa por alguns segundos, sem que ela perceba. Ela se olha em frente a um espelho grande. Alisa o vestido, um dos antigos que ficara ali. Depois passa as mãos pelos cabelos, sorridente.

- Você está belíssima, minha esposa. – Ramsay se levanta e se coloca atrás dela, olhando-a pelo espelho. – Mas temo que não poderá usar esse vestido.

Amyra se sente mal com ele por perto, tocando-lhe a cintura e encaixando o rosto em seu ombro, mas sabe que ele não sairia mesmo que pedisse.

- É muito calor em Dorne, pensei que...

- Pensou errado. Coloque um dos vestidos que trouxe. – Ele se afasta para colocar a camisa que havia tirado para dormir.

- Ramsay, aqueles vestidos são feitos para o frio do Norte... – Amyra tenta argumentar.

- Use um leque. – Ramsay sorri e volta a se arrumar.

Amyra não tem outra alternativa a não ser colocar um dos vestidos que trouxera.

Vão até a sala de jantar. Antes de chegarem até a grande porta de madeira, Ramsay manda Amyra sorrir e fingir que está feliz. Ela ensaia um sorriso constrangido que sabe que não será suficiente para enganar sua família, mas é o melhor que consegue.

Ao entrarem na grande sala de jantar todos os esperavam. A família de Amyra estranha a escolha do vestido, mas não dizem nada. Os mais atentos, como seu pai e seu irmão, também percebem seu rosto ainda cansado e abatido, mas também permanecem em silêncio sobre isso. 

Ramsay puxa uma cadeira para ela e ambos se sentam lado a lado. Amyra se certifica de conseguir um lugar para Theon a seu lado.

- Diga, quem é o rapaz que minha irmã trata como a um irmão? - Trystane pergunta a respeito de Theon. Percebeu o carinho que a irmã dispensa á ele.

- Meu melhor amigo. - Amyra sorri ao dizer isso e olha para Theon de maneira carinhosa, que devolve o sorriso á ela.

- Meu nome é... - Ele olha para Ramsay, para se certificar de que pode falar seu verdadeiro nome. - Theon. 

- Eles são muito próximos, realmente. - Ramsay diz. - Eu o encontrei vagando como um indigente nas ruas geladas do Norte e fui benevolente o bastante para acolhê-lo.

Ramsay sorri satisfeito com a própria mentira. Tanto Theon como Amyra se olham diante da mentira deslavada, mas não ousam contradizer Ramsay. Walda e Roose também conhecem a triste verdade, mas também não se manifestam. 

- Bem... se minha irmã gosta de você, então eu também gosto. - Trystane levanta sua taça de vinho e sorri para Theon, que sorri de volta. 

Começam a jantar normalmente. Amyra se mantém calada e de cabeça baixa e sua família estranha o comportamento dela, que sempre fora tão alegre e comunicativa. Doran observa a filha e percebe que há algo de errado com ela. 

- Boa noite. – A voz de Hemon é ouvida.

O coração de Amyra dispara e ela não entende porque, mas imagina que seja porque sentia saudades do amigo. Ela levanta o olhar e se sente mais alegre, milagrosamente. Sorri para ele e ele para ela.

- Hemon! – Doran diz alegremente. – Que bom que chegou. Sente-se conosco, filho.

Ramsay não consegue disfarçar a raiva, ela transparece em seu rosto.

- Antes quero abraçar Amyra. – Hemon diz.

Amyra faz menção de se levantar, mas Ramsay a segura fortemente pelo braço.  Ela o ignora e se solta do braço dele, indo até Hemon com pressa. Eles se olham por uma fração de segundo, mas o suficiente para avivar suas almas. Depois se abraçam com vontade. Um abraço forte, reconstrutor. Amyra sente como se todas as suas feridas fossem, de alguma maneira, amenizadas. Sentir Hemon tão perto dela, sentir o cheiro dele, o amor dele, é suficiente para lhe fazer sentir-se melhor.

Hemon fecha os olhos e se deixa levar pela sensação que lhe toma. Ter Amyra mais uma vez em seus braços, mesmo que seja para um rápido abraço de amizade, lhe dá um novo sopro de ânimo. Ele aspira o perfume dela sentindo-se nostálgico e sorri.

- Que bom te ver novamente, meu amigo. Senti muito sua falta. – Ela não se importa com Ramsay ou Roose ali.

- Também senti sua falta. Mas quase não te reconheci com esse vestido estranho! – Ele faz uma careta engraçada e Amyra ri.

- É a última moda no Norte, mas sei que ele não é adequado para o clima Dornês. – Ela fala para Ramsay ouvir.

- Não mesmo, mude isso. – Ele brinca mais uma vez.

- Venham jantar crianças, está esfriando. – Doran diz brincando. 

Os dois se sentam e o jantar continua, com Ramsay contrariado e com o rosto vermelho de raiva.

 

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