Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

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17. Algo nela morre

É hora de partir. Uma despedida triste e pesada se desenrola nos portões de Jardim das Águas. Amyra abraça e beija seus familiares com pesar. Hemon também está ali e abraça Amyra fortemente, sob os olhares raivosos de Ramsay e de Tyene.

- Eu nunca vou te abandonar. – Ele diz baixinho no ouvido de Amyra. Ela o olha surpresa, sem entender o que ele quer dizer com a frase. 

A família Bolton embarca no navio e deixa Dorne.

Chegam a Forte do Pavor muitas semanas depois.

 

*****

 

Entardece. Amyra e Walda conversam sobre qualquer coisa enquanto bebem chá, sentadas em uma das salas de estar. Ramsay e Roose estão na sala de estratégias, conversando e bebendo. Roose fala sobre a importância dos herdeiros e sobre como Ramsay fora concebido, através do estupro de sua mãe, uma camponesa.

Ramsay bebe tranquilamente, as palavras não causam nada nele. Ele não se lembra muito bem da mãe, pois ela o entregara a Roose quando ele ainda era bebê. Soube mais tarde que ela cometera suicídio, mas essa informação também não causou nada nele. Nem tristeza, nem raiva. Ele sequer chorou.

- Você deveria tentar mais. – Roose diz por fim.

- Tentar mais o que?

- Sua mulher não engravidou ainda e vocês estão casados já há alguns meses. Estou começando a achar que você é um inútil que não serve nem para engravidar a própria esposa. Se ela ao menos fosse feia eu entenderia, mas é uma mulher lindíssima.

Ramsay se remexe na cadeira, inquieto. Odeia ouvir essas coisas, mas sabe que o pai tem razão. Ele obriga Amyra a fazer sexo com ele todas as noites, mesmo quando ela fica doente ou machucada demais – especialmente quando está machucada demais, isso o excita – mas ainda não a havia engravidado.

- Me pergunto se não há nada de errado com você. – Roose continua.

- Claro que não! – Ramsay quase grita.

- Como pode ter tanta certeza?

- Cacei uma garota uma vez. Quando os cachorros a abriram ela tinha um feto na barriga. Só poderia ser meu já que a garota era virgem quando a tranquei na torre. – Ele bebe mais um gole de vinho, procurando se acalmar. – O problema não é comigo, deve ser com ela.

- Se for com ela podemos devolvê-la para Doran.

- Não podemos, precisamos do exército deles caso realmente nos ataquem. Não se preocupe, meu herdeiro será feito essa noite. 

Ramsay deixa Roose e sai do Forte, indo até uma taverna. Seus passos rápidos e pesados denunciam a raiva que sente pela conversa que tivera com o pai. Ele bebe quase a noite toda, pensando no que Roose havia lhe dito. Se sente inútil por não ter engravidado Amyra, mas pretende mudar isso essa noite, e de uma maneira muito especial.

 

*****

 

Quando Ramsay volta para casa já é alta madrugada. Ele vai até o cômodo úmido e gelado onde Theon dorme e o acorda com violência.

- Me siga. - Ele ordena á Theon de maneira ríspida. Theon o segue até a porta de seu quarto.

- Espere até que eu te chame. – Ramsay ordena.

Ramsay entra no quarto e fecha a porta. Amyra dorme enrolada no grosso cobertor de peles de lobos. Ele se aproxima dela na cama e a descobre. Mesmo com a grossa roupa de dormir, o corpo bem moldado e bonito dela se revela por debaixo do tecido. Suas pernas estão manchadas de roxo e amarelo, resultados de outras noites com Ramsay, assim como várias outras partes do corpo.

Ele a beija na testa, nos lábios e depois no pescoço. Amyra acorda e se senta na cama, assustada.

- O que está fazendo? – Ela pergunta. Os olhos estão abertos largamente e demonstram medo.

- Beijando minha esposa. – Ele responde com um sorriso no rosto. O mesmo sorriso doentio que faz o estômago de Amyra embrulhar. Ela sente o hálito de bebida alcóolica.

- Eu estava dormindo!

- Teria sido muito melhor se continuasse, seria mais fácil para mim. Mas agora que está acordada, posso pensar em outras coisas para fazermos. – Ele leva as mãos até os seios de Amyra, mas ela se protege com os braços. - Não dificulte as coisas, meu amor. Sabe que não pode evitar o que está prestes a acontecer.

- Por favor, Ramsay, vamos dormir...

- Sabe que odeio quando pede por favor. É ridículo. - Com um sorriso perturbador no rosto ele se aproxima dela novamente e a beija no pescoço.

Amyra se solta dele com violência e corre para o outro lado do quarto.

- Não se aproxime de mim! – Ela grita.

– Sabe, Amyra querida, preciso de você, pelo menos até que me dê herdeiros. Acontece que isso está demorando demais. – Ele se levanta e vai até ela devagar e coloca os braços nos dois lados da cabeça dela. Amyra fica encurralada. – Mas isso muda hoje.

- Você é doente. – Ela o olha com medo. Seu olhar implora para que ele desista, ao menos essa noite, mas Ramsay nunca ouviria seus pedidos desesperados por socorro.  

Ramsay envolve o pescoço dela com as mãos frias, mas não aperta. Ele gosta de segurar o pescoço dela pois assim se sente ainda mais no controle da situação. Um frio percorre pela espinha de Amyra. Ramsay tenta beijá-la, mas Amyra se debate nos braços dele, mesmo que não consiga sair. Ela sabe o que está por vir, passa por isso toda noite, mas nunca consegue aceitar o que acontece, sempre tenta persuadi-lo ou escapar. 

- Estou perdendo a paciência com você. – Ele fala ameaçadoramente, pendendo o sorriso. - Pare de joguinhos, sabe que eles não funcionam comigo.

- Me solte!

- Meus planos para essa noite não incluíam derramar seu sangue, mas você não me dá alternativa.

- Se encostar suas mãos imundas em mim novamente, eu mato você. – Amyra se mantém presa, mas o olha com convicção.

Ramsay ri debochadamente.

- O que pretende fazer, Lady Amyra? Me matar com a lança que seu namoradinho lhe deu? Oh claro que não... ela não está mais com você, não é mesmo?

- Você é tão patético que precisa me desarmar para conseguir vencer. – Amyra fala entredentes. Por mais que o medo houvesse tomado conta dela, não demonstraria. Não daria essa vitória a Ramsay. 

Ramsay fica com raiva. Amyra pode notar porque a face dele se torna vermelha e ele range os dentes, os músculos ficam rijos.

- Não me desafie, Amyra. Prometi não machucar seu belo rosto e nem a parte necessária para fazer meus herdeiros, mas o resto é meu. – Ele percorre o olhar por todo o corpo dela, vagarosamente. Amyra sente vontade de vomitar, mas consegue ser forte. – E você sabe melhor do que ninguém o quanto posso ser criativo, não sabe?

De fato, ela sabe. Seu corpo tem marcas de cortes, queimaduras e diversas outras artimanhas que Ramsay usou para conseguir prazer. É um emaranhado de manchas roxas, vermelhas e amarelas, sem contar todo o sangue que ela já havia perdido.

- O que pretende fazer? Me matar? Não tenho medo da morte. – Ela diz de cabeça erguida.

- Morte? Oh não, querida. Você não pode morrer. – Ele vai até o ouvido dela e fala sussurrando. - Mas pode sofrer, e isso me daria muito mais prazer do que estar dentro de você.

Todo o corpo dela se mantém rígido, uma resposta natural que ocorre a cada vez que Ramsay se aproxima. Ainda assim, ela se mantém impassível.

- Se me machucar novamente, desejará nunca o ter feito. – Ela insiste.

Amyra sente que há algo de diferente em Ramsay essa noite. Ela sofre todas as noites, mas dessa vez há algo de muito mais perverso e ameaçador nele, há mais raiva, talvez pelo fato de ela não ter engravidado ainda. E é por isso que Amyra ganha uma força que nem sabia que ainda tinha, porque sabe que, talvez, Ramsay possa ser ainda pior do que costuma ser. 

Ramsay sorri novamente, apesar da raiva que sente. Ele sabe o quanto Amyra é forte, experimenta isso toda noite quando tenta algo com ela. No início as coisas estavam indo bem e ela se mantivera obediente, mas à medida que Ramsay se revelava para ela, introduzindo seus gostos doentios e a obrigando a participar deles, ela mudava. Passou de uma jovem exótica e sensual, para uma mulher decidida que lhe dava socos, chutes e que tentava fugir a cada vez que ele tentava machucá-la. Obviamente não funcionou, uma vez que ele faz o que bem entende com ela e que sua violência é proporcional à força com que ela tenta fugir, mas Amyra sempre lutou incansavelmente por sua integridade física, ainda que já não lhe reste muito dela. 

Ele a pega no colo. Ela tenta fugir, se debate violentamente. No desespero de sair dos braços dele, ela o arranha no rosto. Um filete de sangue escorre. Enquanto ainda a segura com uma mão, com a outra ele seca o sangue.

Amyra grita, mas sabe que não adiantará. Ela sempre grita e todos do forte sabem porque, mas ninguém nunca a ajudou. A única vez em que Theon tentou ajudá-la apanhou tão violentamente que desmaiou. Desde então Ramsay o mantém trancado durante as noites.

Mas Ramsay tinha planos diferentes para essa noite.

Ele a posiciona de barriga para baixo e amarra as mãos dela na cabeceira da cama com uma corda. O nó é tão forte que as mãos dela ficam pálidas, o sangue não circula. Ela continua gritando na esperança de que ele desista dos planos que tem. Sua garganta se irrita e sua voz falha, ficando rouca. Ainda assim ela grita por misericórdia.

- Quanto mais você grita, mais divertido fica. – Ramsay diz no ouvido dela.

Ele sai do quarto e por um momento Amyra se sente aliviada. Ela olha ao redor, ainda amarrada e ainda naquela posição humilhante, mas tem esperanças de que ele tenha desistido.

Ramsay volta para o quarto com Theon a seu lado. O rapaz, assustado, olha para Amyra com medo e o coração disparado. Sabe que algo ruim acontecerá e quer muito tirá-la dali, mas sabe também que se tentar fazer isso não apenas ele como ela também sofrerá as consequências.

- Sei que vocês são muito amigos, por isso quero que participe de nossa noite de amor, Fedor. – Ramsay diz.

- O que está fazendo? Me tire daqui! – Amyra grita.

Ramsay pega a lança de Amyra, que ele escondera assim que chegaram em Forte do Pavor, e entrega a Theon. O rapaz o olha assustado, sem saber o que fazer com aquilo.

- Se Amyra for violenta, você a acertará com essa lança, entendido? Use o cabo, não quero que a mate, quero apenas que a faça desmaiar ou calar a boca. Se não fizer com força, eu jogarei você para os cachorros e então a matarei eu mesmo. E bem devagar.

O rosto de Theon se enche de horror e Ramsay nota, pois sorri largamente com a visão do rosto do rapaz se tornando sombrio, os olhos arregalados.

Ramsay tranca a porta e vai até Amyra. Levanta o vestido dela, puxa o cabelo dela e a penetra. Amyra grita e se debate, mesmo que seus movimentos estejam um pouco impossibilitados por causa da corda. Ramsay olha para Theon e ele se aproxima, mas não faz nada.

- Agora! – Ramsay ordena. Amyra continua tentando sair.

Chorando, Theon acerta o cabo da lança no braço de Amyra. Ele não usa força, não conseguiria. Ela continua se debatendo e gritando.

- Faça direito, imprestável! – Ramsay grita sem paciência.

Theon chora tanto que as lágrimas dificultam sua visão. Ele treme por inteiro e quase derruba a lança.

Diante do medo dele, Ramsay sai de dentro de Amyra, pega a lança das mãos de Theon e com o cabo, acerta as costas de Amyra, que perde o fôlego e, tentando retomar o ar, geme.

- Calada! – Ramsay ordena.

Amyra tosse e ao conseguir recuperar o fôlego, grita ainda mais e se debate. Consegue soltar uma das mãos, mas Ramsay bate nela novamente antes que ela possa fazer algo. Dessa vez a força que ele usa é maior e ela desmaia.

Theon desmaia em seguida com a visão. Ramsay revira os olhos impaciente. Pega a água da jarra que fica ao lado de sua cama e joga em Amyra. Ela acorda, assustada. Era a primeira vez que desmaiava nas mãos de Ramsay e percebe que ele é capaz de realmente fazer qualquer coisa.

Ele volta para cima dela e continua a fazer o que estava fazendo. Amyra já não luta. Ela vê o corpo do amigo caído a seu lado, mas não tem forças para fazer nada a esse respeito. Ela para de gritar, para de tentar fugir e simplesmente aceita seu destino. Ela sente Ramsay dentro dela, o calor do corpo dele preenchendo o seu, o líquido dele lhe escorrendo por entre as pernas, mas não se mexe. Permanece imóvel enquanto ele abusa dela. Amyra percebe, surpresa, que nem mesmo nojo ela sente mais. Ela apenas aceita, sem demonstrar mais nenhum tipo de oposição, sem lutar.

Ramsay a desamarra quando termina.

Algo dentro de Amyra morre.

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