Salva-me

Martells e Boltons formam uma aliança através do casamento de Amyra (a filha mais nova de Príncipe Doran) e Ramsay. A vida ao lado de um dos homens mais cruéis e violentos de Westeros não será fácil, mas ela terá a ajuda de Hemon Forthwind de Deserto Vermelho, um nobre Dornês apaixonado por ela.

0Likes
0Comentários
133Views
AA

21. A caçada

No dia seguinte Roose e Ramsay estão reunidos na sala de estratégias militares, diante da grande mesa de madeira onde mapas costumam ficar. Dessa vez, porém, não há nada ali além de duas taças de metal e uma garrafa com vinho. Ramsay se serve e bebe despreocupadamente, com os pés sobre a mesa, sem entender porque o pai havia lhe convocado para uma conversa e sem se importar com os possíveis motivos.

– Não quer saber porque lhe chamei aqui? – Roose pergunta visivelmente irritado com a falta de interesse do filho.

– Você falará mais cedo ou mais tarde.

– As pessoas estão comentando, Ramsay. Sinto cheiro de medo em nosso povo e medo é sempre perigoso.

– Medo?

– Sim, medo. Ouvi rumores de que estão te chamando de louco. Nossos súditos e até mesmo alguns nobres vêm comentando a seu respeito depois daquele seu show de horrores com a garota que foi queimada.

Ramsay continua imperturbável. Bebe e ouve as palavras de Roose sem se afetar por elas.

– E também... – Roose parece escolher as palavras com cuidado. – Comentam sobre Amyra.

– O que falam sobre Amyra? - Ramsay para de beber e coloca os pés no chão.

– Notaram como ela anda triste, com o olhar pesaroso e assustado. E sei que se pudessem ver as marcas no corpo dela...

– O que tem as marcas no corpo dela? Se ela se comporta mal eu a educarei. Simples assim. Ninguém tem nada a ver com meu casamento.

– Engano o seu. Amyra é a futura senhora desse forte e é bastante querida por muitos.

– Nem tantos assim. Tenho muitos homens do meu lado.

– De qualquer maneira, você deveria tratá-la melhor, ou, ao menos, ter a mão mais leve quando for "cuidar" dela. - Roose faz sinal de aspas com os dedos. - E também fazer logo um filho nela. 

Ramsay abaixa o olhar por um instante e volta a beber vinho. Sabe o quanto precisa logo de um herdeiro e não entende porque a natureza e os deuses são tão cruéis com ele, já que tem certeza que Amyra é saudável e apta para gerar filhos, como o próprio meistre lhe garantira. 

– Tudo o que peço é que faça algo para apaziguar a desconfiança de nosso povo e essa nova fama de louco que está construindo para si. - Roose continua.

– Se eles quiserem me temer, tanto melhor. Medo é mais poderoso que respeito. 

Roose inspira profundamente com tamanha bobagem. Não espera um futuro brilhante para Ramsay, o conhece muito bem. Sua impetuosidade e crueldade podem custar caro. Mas há uma luz no fim do túnel, ele pode depositar o futuro de seu Forte nas mãos de outro herdeiro. 

– De qualquer maneira Walda está grávida. – Roose diz. – Se você não tiver herdeiros pode deixar o Forte para seu irmão, quando não estiver mais aqui.

Ramsay sobe o olhar mais uma vez. Fica sem reação por um momento, mas então se levanta e vai até o pai.

– Parabéns, meu pai! Isso é magnífico! – Ele abraça Roose.

– Não se preocupe, você é meu único herdeiro. – Roose aceita o abraço, mas sabe que não é verdadeiro. Não pretende contar á Ramsay sobre seus planos de fazer do filho mais novo o herdeiro do Forte, não confia plenamente em Ramsay. - Só digo que tem um plano B caso Amyra não engravide. 

– Eu não me preocupo com isso. – Ramsay finge.

– Sei que não. – Roose mente. – Mas quero mantê-lo tranquilo quanto a isso. Te dou minha palavra, Forte do Pavor será seu. Exclusivamente seu.

Ramsay sorri para o pai e o abraça mais uma vez.

 

*****

 

A manhã seguinte passa rápida e tranquilamente. Ramsay deixa Amyra ficar com Walda e elas passam a manhã conversando sobre crianças e maternidade. Amyra se sente alegre e confiante. Parte porque viu Hemon e parte por poder testemunhar um momento tão feliz na vida de sua amiga.

 

Depois do almoço Ramsay chama Roose para uma caça. Roose o interroga, dizendo que caças devem ser feitas pela manhã, mas o filho insiste.

Os dois se dirigem a uma floresta perto dali. Carregam seus arcos e flechas a procura de algum animal que possam matar, mas não encontram muitos. Ramsay não esconde o tédio.

– Sei que preferiria estar caçando outras coisas. – Roose insinua. Sempre soube dos gostos peculiares do filho, mas nunca o impediu de se divertir. – Mas saiba que estou contente de ter esse momento com você.

– Eu também, meu pai. Por isso te chamei, mesmo sabendo que as caçadas que o senhor gosta são diferentes das minhas.

Continuam andando por mais algum tempo quando Ramsay acerta um cervo na pata. O animal foge com a flecha ainda cravada na carne, mas não consegue ir muito longe, Ramsay havia preparado a flecha com um veneno potente.

Animado com a presa, Roose vai atrás do animal e ao encontrá-lo morto se aproxima para ver o que havia acontecido. Ele se abaixa, tira a flecha da pata do animal e o observa.

– O que será que aconteceu? Isso é muito estranho. – Roose questiona. - Uma flechada na pata não seria suficiente para parar esse animal, nem tampouco matá-lo.

– Muito estranho mesmo, pai. – Ramsay permanece atrás de Roose, observando-o. O tom de sua voz liga algum tipo de alerta em Roose, que se vira para ele. Ele se assusta com o que vê, Ramsay apontando uma flecha na direção de sua cabeça.

– O que é isso? – Roose pergunta com medo. Faz menção de se levantar, mas Ramsay diz para ele continuar na mesma posição.  – O que está fazendo, filho?

– Fique quieto. Prometo que será rápido.

Ramsay acerta o peito de Roose, matando-o imediatamente e sem que ele possa se defender ou implorar por sua vida. Seria impossível dizer o que o matou, se a flechada ou o veneno na flecha, mas Ramsay não se importa com detalhes.

 

*****

 

Walda e Amyra conversam e riem quando Ramsay entra pela porta do forte abruptamente, com Roose em seus braços.

– Chamem o Meistre imediatamente! – Ramsay grita ao passar por elas e subir com o pai no colo pelas escadas.

Walda se desespera. Sobe atrás de Ramsay e faz várias perguntas.

– Ele foi atingido por um javali. – Ramsay responde, fingindo desespero.

Amyra entra no quarto pouco depois com o meistre, que examina Roose. Ramsay fica aos pés de Roose enquanto olha o meistre fazer seu trabalho. Amyra observa a cena atordoada, mas percebe o olhar de Ramsay, que não é um olhar de medo, como se espera em alguém que pode perder o pai a qualquer momento. Ao contrário, é um olhar de orgulho, de dever cumprido. Ela jura reconhecer traços de felicidade, apesar de ele derramar algumas lágrimas.

– Sinto muito, Lady Walda... Lorde Ramsay. – O meistre fala com pesar. - Não há nada que eu possa fazer. Lorde Bolton está morto.

– Não! – Walda grita de desespero. Ela enterra a cabeça no peito ensanguentado do marido, sem se importar com a mancha que ficará em seu rosto.

Amyra a abraça, sentindo-se impotente por vê-la assim.

– Venha. Isso é muito perturbador para você. – Ramsay puxa Amyra para fora dali.

Todos se retiram. Apenas Walda e o corpo sem vida de Roose permanecem no quarto.

Ramsay e Amyra vão até o quarto do casal.

– Fique aqui. Não vou trancá-la dessa vez. – Ramsay finge tristeza, mas Amyra o conhece o suficiente para saber que é fingimento.

– Está triste? – Ela pergunta. O questionamento pega Ramsay de surpresa, não apenas por Amyra parecer se importar, coisa que ela há muito não fazia, mas porque ele teme não estar fingindo suficientemente bem.

– É claro que estou... acabei de perder meu pai.

– Foi muito estranho o que você disse, que não queria que eu visse seu pai, que aquilo seria perturbador para mim.

– Eu estava preocupado com você. Isso é ruim?

– Eu vivo com você. Nada mais é perturbador para mim.

O rosto de Ramsay ganha traços de raiva e ele sente uma vontade incontrolável de bater em Amyra, mas precisa fingir a dor da perda, não pode cair no jogo dela.

– Não seja cruel comigo, por favor. Acabei de perder meu pai. – Ramsay finge novamente.

– Me perdoe. A última coisa que quero é lhe machucar. Não sou como você. – Amyra também finge empatia e solidariedade. Mas sorri, em seu interior, e se surpreende por, nesse momento, se parecer tanto com Ramsay em sua crueldade. 

 

O enterro acontece horas depois. Apesar de não sentir nada pelo sogro morto, Amyra chora ao ver Walda. Ela permanece abraçada à amiga, Walda precisa dela mais do que nunca.

 

*****

 

Na hora de dormir Ramsay abraça Amyra, quer mostrar para ela que precisa de conforto tanto quanto Walda, mesmo que a realidade não seja bem essa. Amyra se afasta.

– Estive pensando se não me permite dormir com Walda hoje. – Amyra pergunta. – Ela precisa de mim, está muito abalada.

– E quanto a mim? Também preciso de você, também estou abalado. – Ramsay tenta manter o tom de voz baixo, como alguém que sofre, mas não consegue. Sua voz sai insuportavelmente arrogante, como sempre.

– Ambos sabemos que isso não é verdade. – Amyra o desafia.

– O que está insinuando? – Ramsay volta para perto dela e a observa diretamente nos olhos. – Vamos... diga. Seja direta comigo.

– Não sei o que aconteceu naquela floresta, mas a morte de seu pai é muito estranha. – Uma coragem inesperada se apodera de Amyra. Ela pensou estar derrotada e entregue por causa da constante dor que precisa suportar, mas um fôlego de coragem a surpreende e ela se agarra a isso como se sua própria vida dependesse disso. Se Ramsay a repreender com castigos físicos, que seja. Ela é Amyra Martell, afinal, e não se curvará.

– Está insinuando que...

– Não estou insinuando nada. – Ela diz firmemente. - Não me interessa nenhum pouco o que aconteceu, mas hoje minha amiga perdeu o marido e eu ficarei com ela.

Ela sai do quarto e vai para o quarto de Walda. Ramsay não tem outra escolha a não ser aceitar, pois não quer que desconfiem dele.

 

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...