The Beginning

"Acredito que quando se ama alguém é e recíproco, você se torna vulnerável. Ele tem o poder de te machucar de um jeito que ninguém mais pode ".
- Elijah Mikaelson.

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2. Chapter 1

"Não espero que me perdoe, por mais que tenhamos falado de perdão".

✴✴

  Meio século.
  É possível amar alguém por tanto tempo?  Venho me perguntando isso ao longo dos meus cinquenta anos, indo de um lado para ao outro sem jamais ter um lugar fixo para chamar de casa ou uma resposta que acalme meu coração inquieto.
  Eu jamais tive tempo de apreciar a beleza da cidade qual chamei de casa durante os anos da minha vida, jamais tive tempo de ver do alto os lugares onde costumava me esconder de Marcel durante os anos escuros de minha terrível fase adolescente, nem onde me sentia segura para chorar. Agora, sob os escombros do que um dia viria a ser uma suntuosa casa, um lar feliz, vejo que minha visão do amor se alterara desde então.
  As pessoas juram dar suas vidas em troca do bem estar do que dizem ser um amor eterno, eu me pergunto; será que elas ao menos sabem o que estão ofertando? Sabem o que estão fazendo? Que tipo de fé cega os guia rumo a fazer pactos com o diabo?
  Se elas ao menos soubessem o valor de suas almas não as ofertariam, nem as trocariam pela vida de quem certamente não faria o mesmo por elas. Nos vinte e cinco anos qual vivi como humana fui instruída a não confiar em ninguém, nem mesmo em família, este é o laço mais forte e consequentemente o que leva a ruína, eu não era boba, sabia exatamente com quais lobos podia falar, os vampiros que deveria evitar e as bruxas quais devia matar caso as encontrasse.
  O que graças a Deus nunca chegou a acontecer.
  Ser criada por seres sobrenaturais não me fez crescer insensível à dor, raiva, paixões ou ressentimento, mas eu sabia conviver com elas e me mostrar indiferente a dor de ter sido deixada na porta de um estranho pela minha própria mãe. "O que ela estava pensando quando fez isso?", foi o que me perguntei durante anos, até perceber que minha família era aquela com quem eu dividia meus segredos e minhas frustrações.
  As pessoas quais sem dever algum me acolheram e me deram um nome, me deram comida, amor, carinho, proteção e a certeza de que o fato de que não termos o mesmo sangue não alterava em nada nossa visão de família. Claro que nem tudo eram flores, levou tempo até que eu entendesse o porquê de algumas crianças não quererem brincar comigo, ou o porquê dos garotos terem medo de mim, ou as garotas evitarem me olhar nos olhos. Ser criada por um vampiro e dois lobos não poderia ser considerado normal, embora os humanos não soubessem disso, eles apenas sabiam — mesmo que não soubessem por em palavras —, que tínhamos algo de sinistro no olhar.
  Contudo Marcel foi um bom pai, me ensinou a ler, escrever, cozinhar, e a dirigir, me ensinou a distinguir os bons garotos dos idiotas por natureza... ele me ensinou tanto quanto um humano poderia ter feito, Chloe foi uma boa mãe e enxugou minhas lágrimas quando um garoto machucou meu coração, me ensinou a andar de salto, como me vestir como uma dama e me comportar como uma puta quando necessário, Audrey me ensinou a correr de um lobo, atirar em um alce e me passou seu gosto por livros. Ethan me deu o prazer de se contar com um bom amigo me mostrando como seria ter um irmão. Porém, nenhum deles nunca mencionou o fato de como poderia ser perigoso se apaixonar por um Mikaelson, e eu me vi como Ícaro sendo atraída pelo Sol que ele era...

22 de Agosto de 1991

  Não se morre sem lutar Nina. E nenhuma morte é desonrosa desde que você tenha tentado.
  As palavras de Marcel eram um incentivo bem vindo ao corpo que se arrastava por entre a multidão.
  Dormir acordar sob a segurança de um teto por minha cabeça se tornará cada vez mais raro a medida que o pântano tem me servido de cama e o relento por teto, cada vez ficando mais frequentes as noites mal dormidas e as voltas pra casa tardias e dolorosas.
  Não era somente a dor física que me assombrava, nem mesmo as marcas quais via refletidas no espelho, não era o desespero de saber que eu estava no alvo.
  Meu medo se evidenciava e se erguia invisível ao meu redor a cada manhã, a cada vez que seus olhos cortavam os meus e suas palavras lutavam contra as minhas, quem se opunha a mim não fazia questão de esconder seu rosto, nem de fingir indiferença a algo que me submetia dor. E embora eu não fizesse questão, nem me desse ao luxo de demonstrar que o temia, ele o sabia.
  Outrora ele podia quase sentir o cheiro do meu medo, outrora ele poderia ser palpável. Mas não hoje, não mais. Tudo o que eu sentia era raiva e a certeza de que poderia matar Nicklaus com minhas próprias mãos, as marcas em meu corpo nunca estiveram tão vivas e nítidas, o peso que sua maldade impunha ao meu corpo era sobrenatural, nem mesmo em meus sonhos mais loucos eu imaginei que sentiria aquilo.
  Agora enquanto me esforço para abrir o portão de casa me pergunto pelo que parecia a milésima vez como ele estava fazendo aquilo? O pensamento me assustava o bastante para me embrulhar o estômago, como diabos ele estava me compelindo?
  Trôpega tropeço em meus pés e meu corpo é lançado pra frente, meu sangue bate forte em minhas veias de modo que ouço meus batimentos nos ouvidos, fecho os olhos e espero sem nada fazer para impedir a queda, o impacto não vem. Abro os olhos rapidamente ainda com o coração martelando e Marcel suspira de alívio.
— Graças a Deus! Oh Nina! — ele se rende ao desespero e meus olhos se enchem de lágrimas.
— Eu voltei pai... eu sempre vou voltar. — sinto meu corpo à deriva a medida que a exaustão me atinge, certa que estava segura eu me deixei cair na inconsciência, com a certeza de que ao acordar eu ainda estaria em casa.

 

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