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1. Verdade ou Mentira?

Olá. Antes de qualquer coisa, peço-lhes que deixem tudo o que vou contar em segredo, pois não é lá uma história “aceitável” para a sociedade. Seus amigos podem te chamar de louco, se por acaso acreditar nas minhas palavras. Mas algo aconteceu há uns anos, em uma cidade. Irei, então, contá-los, mas lembrem-se: tudo que está escrito nestas páginas é o nosso segredo. Então, posso confiar em você?

1946 - Havia um menino chamado Bob, da cidade de Lum, onde era estranho de se morar. Qual o problema? Ela tinha uma maldição que a deixava com tons de cinza, mas não, não chegavam exatamente a cinquenta. Tudo e todos não tinham cor, apenas esses tons. A cidade era pequena e não contava com diversidades de lugares. Era apenas uma escola, um teatro, um hospital. O comércio crescia a cada mês, mas ainda sim eram poucas coisas.

Acontecia que até os visitantes que vinham para a cidade também ficavam sem cor, mas os moradores, quando saíam, ainda permaneciam sem cor. Tudo e todos eram com tons de cinza, menos o nosso querido prefeito, e isso intrigavam alguns, que chegaram até a culpá-lo pela tal situação da cidade. Mas o problema era que, se ele fosse culpado, porque ainda ficaria na cidade e a colocaria como uma das cidades mais organizadas, seguras, com uma educação boa e saúde de primeira? Isso ninguém sabia o porquê e com o passar do tempo, o povo da cidade de Lum se acostumou e deixaram o assunto de lado.

Depois de sua aula na escola, Bob (17) resolveu ir à única Biblioteca da cidade, investigar sobre esse caso. Ele, que não era bobo, chamou logo sua amiga Dallas (16) para ir junto. Depois de um bom tempo de procura, eles não encontraram nada além de historinhas fictícias a respeito da cidade, sendo invadida por óvnis, essas coisas.

Havia uma lenda sobre o caso, mas nada oficial. Tratava-se de um casal apaixonado, lá quando a cidade era nova, que sonhavam em ter uma vida a dois com possíveis filhos. Mas não vou entrar em detalhes, porque não sou bom em escrever coisas “melosas”. A família dela não era bem-vista pelos moradores locais, mas isso conto depois.

Estava na época da festa de dez anos da cidade e todos estavam preparando uma grande festa. Ruas enfeitadas, famílias mobilizadas preparando deliciosos pratos e muita diversão para as crianças. O dia estava bonito e, com o passar do tempo, mais gente chegava. Já no final da festa e perto da barraquinha de pipoca, Samantha, a tal bruxa, estava com seu namorado, quando sua prima a chamou para ir ao banheiro. Ele resolveu, então, a esperar nesse mesmo lugar. De repente, um grupo de meninas se aproximou e uma o elogiou muito, a ponto de deixá-lo sem graça. Ao saírem do banheiro, as duas viram o grupo ao redor dele e o viu beijando uma delas. Com um ar de fúria, ela deu um grito e foi pra cima delas, mas antes dela chegar, as meninas correram com medo. Sem saber explicar e com marca de batom na boca, ele só pedia para que ela se acalmasse. Ela declarou fim do relacionamento e disse que ele iria se arrepender para o resto de sua vida. Anoiteceu e quando amanheceu, tudo tinha um ar de cinza, tudo era cinza, até mesmo o lindo Sol.

Mas, claro, isso é só uma lenda que corre pela cidade, mas ninguém confirma a veracidade do assunto. Bob e Dallas pensam e uma única pessoa que poderia nos revelar esse mistério gigante, o prefeito. Então, depois de duas semanas procurando, resolveram ir até nosso querido e misterioso prefeito. Ao chegarem lá, deram de cara com uma recepção linda, com lustres gigantescos e clássicos. A recepcionista os atendeu e eles disseram que queriam falar com Sam, o colorido. Eu sei, esse jeito de chamá-lo parece estranho, mas nós não levamos para uma segunda intenção, gostaria que vocês não levassem também. Bom, ele os recebeu e respondeu todas as perguntas possíveis, até a seguinte pergunta: “O que aconteceu com tudo e com todos e porque o senhor é diferente?”. Pela primeira vez na conversa, ele permaneceu parado e em silêncio. “Saiam, por favor. Nossa conversa acabou.” - Com educação e mansidão ele os pediu. Eles saíram ainda com mais dúvida e com um pouco de medo, porque poderia se confirmar a lenda da cidade, depois dessa reação dele.

Depois de alguns dias, em sua escola, Bob viu o prefeito passar com seu carro na rua, em direção a saída da cidade. Depois desse dia, ele não foi visto por uma semana. O desaparecimento dele causou medo, raiva, dúvida e uma pergunta: “Ele finalmente não aguentou e fugiu?”. Mas aí eu lhe pergunto: Faria sentido ele fugir só agora? – Eu respondo. Não sei. Quando ele voltou, não falava nada, não aparecia para nada e todos queriam, no mínimo, uma explicação do porque dele ter feito isso. Por meio de um comunicado, em meio a praça da cidade, ele deu um esclarecimento oficial: “Queridos moradores da cidade de Lum, venho comunicá-los que o motivo da minha saída da cidade foi por eu ter descoberto que fui pai, mas descobri também, que não sou mais”. Muitos se espantaram e se comoveram, outros pensaram que era um “jogo de cintura” para escapar ou esconder algo, porque nunca o viram com alguém.

Pelo que eu sei, há muito tempo, até mesmo antes de meu pai nascer, existia na região da cidade de Lum, uma família que vivia afastada de tudo e de todos. Os Evans tinham seu jeito de viver um pouco diferente, de uma cultura, se assim posso dizer, rara. Eles tinham seus rituais, comidas e uma vez ao ano comemoravam sua própria festa com enfeites de uma ou duas cores, no máximo três. Dizem que seus rituais eram tenebrosos e com coisas que a física não podia explicar. Com o passar dos anos, décadas, a família cresceu, pessoas se casaram com forasteiros e construíram suas casas ali, próximas da família. Com esse crescimento, vieram ideias e novidades para o dia da festa, que aos poucos foi se diluindo e virando mais uma festa normal. Muitos anos depois, nessa mesma família, uma mãe dá a luz a uma menina linda, com olhos grandes e rostinho com traços finos. Nascia Samantha Evans.

Confesso que esse tipo de história me fascinava e precisei ir atrás, para saber se encontrava alguma coisa. Pois é, descobri somente isso, mais de conversas que tive, do que noticiários em jornais ou em livros. Acho que eu não preciso explicar o porquê da família dela não ser tão amada pelos outros, ou preciso? Mas bem, não posso perder o foco.

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