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5. Entre a vida e a morte

Por volta das onze horas, Bob estava trabalhando em seu setor, quando ouviu um barulho monstruoso e sentiu o prédio tremer todo. Havia sido uma explosão dentro da prefeitura. Todos se levantaram e correram, mas o corredor estava destruído. Já Bob, correu no sentido contrário, para sala de seu pai. Chegando lá, ele logo viu seu pai caído e desmaiado, com um armário em cima dele. Ele o socorreu e ligou imediatamente para os bombeiros, já indo em direção a um cofre no chão da sala, que usariam como refúgio. O problema é que dava para duas pessoas no máximo e não tinham apenas eles desesperados. Quando ele estava falando no telefone, entrando, uma parede começou a tombar e em cima da tampa do cofre e seu pai o puxou trancando-os lá dentro. Os dois queriam ajudar aos demais que estavam na sala, mas era impossível abrir aquela tampa. Então eles ficaram apenas esperando o resgate, mas se passou um e dois dias e nada de serem resgatados. O sr. John estava com dor na perna esquerda e não se mexia, porque doía. A sra. Dallas estava impaciente e via a todo momento um pedaço de concreto cair sobre outro, isso a preocupava mais e mais. O fogo só foi controlado no início da manhã do segundo dia. A central de bombeiros estava fazendo uma verificação nas ligações feitas de dentro do prédio, para ter um pouco mais de facilidade na procura dos sobreviventes ou dos corpos. Mas eles estavam ouvindo várias vezes o áudio de Bob, que foi interrompido.

- Nós estamos investigando os áudios de todos que ligaram para nossa central, para pedir ajuda. Um desses áudios foi de Bob, que foi interrompido por algum motivo. Gostaria de ouvir? - Definitivamente não sei se mostraria ou falaria algo assim para alguém que tem uma pessoa querida desaparecida.

- Lógico, quero sim. - Sua voz era trêmula, com medo.

“Alô, sou o Bob Smith, está tudo pegando fogo aqui na prefeitura. Meu pai e eu estamos entrando...”

Quando ela ouviu, chorou e pensou logo em um desastre. Minutos de angústia a fizeram inquieta, até ela começar a pensar na sala do prefeito e lembrar que um dia o viu levantando um tapete e abrindo o cofre no chão. De imediato ela ela deu um impulso e correu em direção ao chefe de polícia e bombeiros e disse a respeito do cofre no chão. As buscas começaram a se concentrar em cima do local da sala do prefeito. Por volta das vinte e duas horas, eles quebraram o último concreto que impedia a saída dos dois. Eles foram retirados de lá desacordados e foram encaminhados imediatamente ao hospital. Onze pessoas foram encontradas mortas, sendo cinco na sala do prefeito.

No hospital, Bob acorda e se recupera em uma cama ao lado do pai, que fraturou o fêmur na queda do armário. Dallas perguntou a Bob o que ele queria dizer no telefone, quando ligou para os bombeiros. Ele respondeu: “..estamos entrando no cofre”, porque? - Nada não – Respondeu ela rindo de alívio e alegria. Uma mistura de sentimentos. Ele ganhou finalmente suas férias e John, uma licença, pois tinha fraturado o fêmur.

A equipe médica saiu da cidade com uma patrulha e foi direto para o maior hospital de Tuc, que também era o maior da região. O Hospital Central Edgar Spot. Ao chegarem na entrada da cidade, olhares tortos foram lançados para eles e por onde eles passavam era assim. Quando chegaram em frente ao hospital, pediram atendimento para o prefeito de Lum, se referindo ao Sam. Nenhum enfermeiro foi até eles, exceto Amanda, que era diretora-geral do hospital. Ela é atenciosa com os convidados e gentil, não ligando de onde eles vinham e levando-o para uma das salas.

- Qual o nome dele? – Perguntou ela aos médicos de Lum.

- Ele se chama Sam Spencer. Era nosso prefeito, antes de acontecer isso. Eles responderam com um tom de tristeza. Ela logo chamou enfermeiros para cuidar dele vinte quatro horas por dia. O hospital já tinha plantão normal para pacientes internados, mas ela colocou uma equipe só para o prefeito.

- Não sei como vão fazer, mas farão plantão, por terem ignorado um paciente. Isso não tolero, pois trata-se de uma vida e não devemos julgar, independente de quem ela seja. - Disse ela no corredor, indo em direção a sala de internação, para todos os que ignoraram o prefeito e na frente de quem quisesse ouvir.

Amanda tinha deixado seu telefone para contato para ser informada sobre qualquer mudança de estado dele. O plantão tinha sido dividido em três horários de oito horas.

Semanas se passaram e o estado do sr. Sam continuava o mesmo, sem alterações para mais, nem para menos. Um belo dia, pouco antes do Sol aparecer, Amanda recebe uma ligação. Ela levanta correndo, pega o carro e sai rápido de casa. Sam começa a convulsionar e logo Amanda recebe uma ligação do hospital, a informando do caso. Ela diz que chegará logo. Tempo depois, ela chega na entrada do hospital, passa correndo pela recepção e enfrenta um corredor longo, chegando para o penúltimo quarto. Ofegante e pronta para o pior, ela entra no quarto, vê Sam sentado na cama e a equipe ao redor alegre e confusos.

- O que houve? - Ela pergunta com ar de tristeza.

- Ele convulsionou muito, chegou a perder pulso por 17 minutos e simplesmente voltou a pegar ar, levantando e sentando na cama, bem e sem a marca no braço. Mas sra. Amanda, não precisa ficar assim, pode beber água que ele ficará bem. Sabemos o quanto a sra. gosta de seus pacientes – Chefe de plantão.

- Não é isso e agradeço por se importar. Mas o caso é outro. É minha mãe. Ela morreu envenenada.

-Nossa, lamento muito. - Chefe de plantão

Ela deu total atenção ao Sam, mesmo com essa notícia trágica em sua vida. Sam disse que enquanto ele estava dormindo, podia ouvir tudo e sentir tudo, mas não pude responder. Ele acordava, mas não tinha o controle do corpo, permanecendo imóvel por anos. Uma hora e meia depois ele recebeu alta. Ela o convidou para a casa dela e ele não queria incomodá-la. Mas depois de muita insistência, ele aceitou e foi. Com poucas palavras no caminho foram se conhecendo.

- Eu sei que deveria estar muito triste, mas a pancada que recebi foi só por ela ser minha mãe. Mas tive uma surpresa e alegria em saber que o sr. está vivo. Eu fui para o hospital o mais rápido possível, porque a notícia que eu tinha do sr. era só das convulsões. Eu fiquei com muita raiva daqueles que te ignoraram e aí eu tinha que mostrar que ali não é bagunça e... - Interrompida por ele

- É, eu ouvi e lembro. Muito obrigado. - Ele estava grato e com um meio sorriso no rosto.

- Ah, de nada. Então.. Não podia deixar passar e aí... Estou falando muito? - Ela percebe que só dá ela na conversa e sem graça perguntou.

- Não, não. Estou acostumado a ouvir e não poder falar – Belo corte e sem intenção.

- Ah, éé... Desculpa. - Mas depois dessa dele, até eu pararia de falar.

Ela para de falar e começa a chorar ainda no volante, devido a morte da mãe. Amanda não foi vê-la, iria pela manhã seguinte. Eles chegam na casa dela e ela, já melhor, apresenta o marido a ele e mostra o quarto de hóspedes para o sr. Sam. Depois de um banho completo e um jantar maravilhoso, nosso querido prefeito senta no sofá e vai ler, porque já dormiu bastante nesses últimos anos.

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