Bruxas

10 histórias sobre bruxas ao redor do mundo.

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2. Capítulo 1 : A Moura (Península Ibérica)


A moura ou bruxa de Évora (cidade onde ficou conhecida) foi uma mística que viveu no século treze  na região da Ibéria.

Conta-se que a moura foi criada por suas velhas tias bruxas, que lhe ensinaram a magia negra e lhe deram alguns talismãs mágicos : Sete moedas de ouro do califa Omir, uma pedra ágata com inscrições árabes e uma chapa de prata com o nome do profeta. 

Em algumas versões, moura é relatada como sendo sincretista, pois além de praticar o paganismo e conhecer a religião celta, também era devota cristã e conhecia rezas.

Já em outras versões mais difundidas, a bruxa era satanista e tinha como companheiros demônios da mais alta hierarquia. Controvérsias à parte, moura é sempre descrita como uma mulher muito velha e horrenda, malcheirosa. Tinha como animal de estimação Lusbel, um gato preto que sempre lhe acompanhava em suas longas jornadas.

Moura era uma bruxa muitíssima inteligente, falava árabe, português e latim, escrevia e memorizou o Alcorão em sua mente. Entre outras coisas, sabia matemática, alquimia, astronomia, além de ser uma ótima feiticeira e vidente.

Apesar de temida, ela era muito requisitada devido aos seus dotes como bruxa, curandeira e vidente. Seus banhos, sortilégios, feitiços, conjuros e amarrações eram muito procurados por quem buscasse cura, proteção e amor e sorte na vida. 

A moura torta (como também é conhecida, devido ao jeito curvo que andava) recebeu aulas de bruxaria com suas tias velhas em Évora, cidade onde podia ser vista vagueando lentamente na companhia de Lusbel. 

A bruxa voava em cães, lobos, carneiros e até mesmo na popular vassoura mágica, porém, a versão mais reconhecida é que moura era vista voando sempre em um bode negro. Os bodes sempre foram vistos como animais simbolo de satã, alguns até o consideram a própria forma física de Lúcifer.

Há muitas histórias que relatam a bruxa moura como personagem. Na verdade existem várias "bruxas mouras" diferentes no folclore, em certa parte de Portugal dizem que, existem espíritos chamados de "mouras encantadas" que  são seres obrigados por oculta força sobrenatural a viverem em certo estado de sítio como que entorpecidos ou adormecidos, enquanto determinada circunstância lhes não quebrar o encanto.

Em outros cantos, têm-se histórias de que moura vive dentro de pedras (as chamadas pedras mouras) e quem carregar consigo alguma dessas pedras, terá um azar profundo.

Entre inúmeras histórias sobre a tal moura torta, uma chamou-me a atenção, trata-se de um conto para crianças provavelmente de origem luso-brasileira :

Conta-se que em tempos distantes, uma jovem e linda princesa se aventurava pelos bosques, além dos limites do reino de seu pai, acontece que, em determinado momento, ela se afastou de mais e acabou por se perder na mata. Seu desespero era tanto que ela se pôs a chorar.

Passava por aquele bosque um príncipe montado a cavalo e ouvindo o choro da moça se aproximou e a perguntou o que havia ocorrido. A jovem explicou que era filha do rei e que havia se perdido. Depois de uma longa conversa, o príncipe (já apaixonado) prometeu à jovem princesa que iria até o seu reino buscar um carruagem para leva-la com segurança para casa, antes de partir, recomendou que a princesinha subisse em uma árvore e não conversasse com ninguém até que ele retornasse.

Já sozinha e em cima de uma árvore, a jovem princesa viu se aproximar uma velha horrenda com trajes velhos e rasgados trazendo consigo um jarro de barro. Era a moura torta, que por distração não notou a jovem na árvore. 

A moura ajoelhou-se na margem do pequeno riacho que ficava abaixo da árvore onde a princesa se encontrava e resmungando ofensas pôs-se a encher o jarro com água. Em certo momento a velha moura enxergou no espelho d'água o reflexo da bela princesinha e pensando que a imagem refletida era sua, soltou uma horrenda gargalhada.

- Que faço eu aqui? Tão jovem e linda, pegando água para minha patroa? - Dizendo isso, jogou o jarro no chão, quebrando-o em incontáveis pedaços e partiu cantarolando e saltitando. A princesa que assistia tudo, segurou-se para não rir da situação.

Passou-se um tempo e a velha bruxa voltou ao riacho, dessa vez com um jarro de ferro. colocou-se novamente de joelhos e quando ia pegar a água, viu novamente o belo reflexo da princesa.

-Ora! Mas que afronta da minha patroa em me chamar de velha e horrível, eu sou tão linda! - Dizendo isso, tentou em vão, quebrar o jarro de ferro. A princesa não se conteve e soltou uma gargalhada.

A moura então, olhou para a árvore e avistou a jovem, entendendo tudo o que havia acontecido. Furiosa se pôs a subir na árvore para castigar a jovem princesinha.

- Por favor senhora, não me faça mal ... eu estou apenas esperando meu príncipe encantado retornar, não foi minha intenção zombar de você! - Suplicou a princesa com medo da horrenda bruxa.

- Jovem princesa, sinto muito, mas quem vai esperar o seu príncipe será eu! - Disse a bruxa entre gargalhadas malévolas.

Assim que terminou de subir, a moura fincou um alfinete na cabeça da jovem princesa, que, nesse mesmo instante se transformou em uma pombinha branca e partiu voando. 

O príncipe retornou como prometido, e vendo a imagem na bruxa em cima da árvore, se assustou.

- Céus ! o que aconteceu? - indagou o jovem príncipe.

- Você demorou de mais, meu amor ! Eu envelheci enquanto lhe esperava - Mentiu a bruxa.

Confuso, mas certo de que tinha se apaixonado pela princesa, o príncipe levou a moura para seu reino e logo se casaram. 

Acontece que certo dia, a pombinha branca voou até a janela do príncipe e pôs-se a piar. O príncipe maravilhado com aquela ave, a pegou nas mãos e lhe deu carinho. Prestes a solta-la, ele notou um alfinete em sua cabecinha.

- Quem poderia fazer uma maldade dessas com uma indefesa pombinha? - E delicadamente, retirou o alfinete, quebrando assim a bruxaria da velha moura. 

A princesa em sua forma original abraçou e beijou o príncipe e contou-lhe tudo que havia ocorrido.

O príncipe irado com o acontecido resolveu punir a velha moura torta...

Em algumas versões, o príncipe irado vinga-se da velha bruxa, matando-a de forma cruel. Já em outras versões logicamente destinadas à crianças mais novas, a princesa perdoa a maldade da bruxa e pede que o príncipe deixe-a partir para bem longe dali. 

Independentemente da versão, a história da bruxa moura vem sendo repassada à anos, tanto na Europa e no Oriente Médio como no Brasil.

(Segundo relatos, a história da moura veio para o Brasil através dos imigrantes lusos e dos ciganos que aqui se instalaram ao decorrer do século.) 

No próximo domingo (04/09), conheceremos a história das terríveis bruxas meigas (história originada na Espanha).

Espero você aqui!

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