H2o Combat

O mundo está em conflito e terroristas querem matar os últimos 70 sobreviventes de uma parte do Brasil onde se encontram 87% de toda a água que resta no mundo.

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1. A Cidade das lonas

A tarde rosa alaranjada tornou-se azul marinho, e a essa altura todos se acomodam em suas tendas, e os espaços entre os pequenos acampamentos improvisados são de completo vazio, um deserto, uma cidade fantasma, o frio circunda por entre as pequenas armações deixando fragmentos no interior de cada uma, tudo permanece completamente monótono durante o crepúsculo.

Surgem os primeiros flashes de raios alaranjados no oriente, quando um barulho aflitivo ecoa sobre as árvores e pássaros de todas as espécies levantam voo, e alguns corvos cercam a cidade de tendas, o som estridente faz grande parte dos colonos da área serem defenestrados dos pequenos iglus de tecido sob a luz alaranjada do fim de madrugada.

 —PEGUEM OS RIFLES AS ESPINGARDAS E AS SEMIAUTOMÁTICAS, OS FACÕES TAMBÉM, RÁPIDO, RÁPIDO. — grita entre espasmos de nervosismo o homem alto, negro de olhos castanhos serenos, o abdômen trincado brilhante de suor cujo os primeiros raios de sol refletem e o cinturão de munições na transversal entre seus fortes ombros e o quadril, a figura imponente se agacha atrás de um muro improvisado de sacas de areia molhada ao lado de uma estaca que prende o pequeno iglu de tecido ao chão ainda encharcado pela chuva do dia anterior, não demora até o restante dos colonos—cerca de 70 sobreviventes ao atentado—se posicionarem em grupos atrás das muretas improvisadas de pedregulhos e areia do outro lado do enorme  “campo de combate”

—DALTON, ME PASSA AQUELA PISTOLA. — Grita o homem baixo, e pouco mais velho, de cabelos já grisalhos mais ainda sim forte e de grande porte indicando a semiautomática no cinturão do homem negro do outro lado do campo, a figura do homem que atende pelo nome de Dalton vira-se e joga a pequena semiautomática que rodopia na grama úmida e é aparada pelo outro Colono, que volta rapidamente a sua posição abandonando a AK.47 no chão, esgotada de munição, o colono que atende pelo nome de Dalton do outro lado do campo substitui seu pente vazio de balas por um cheio tirado de seu cinturão de munições, e recarrega o rifle que tem em mãos, o peitoral nu, a calça de tecido grosseiro verde-oliva, os pentes de munições atravessados no quadril e as botas do batalhão de operações do exército dão um certo ar de justiceiro ao homem, mais inimigos se aproximam e a troca de tiros se intensifica, alguns colonos jazem no chão com tiros, grande parte nas costas e cabeça, com isso o grupo de Dalton deduz que são atiradores profissionais e isso ajuda um tanto na identificação dos inimigos que os cercam por toda a colina.

No chão uma garota de cabelos cacheados curtos ruivos tingidos presos a um rabo de cavalo, e corpo torneado agoniza e se contrai de dor, longe o bastante da área de combate para ser ouvida, a bala de arma de fogo alojada no abdômen arde e o sangue borbulha, o cheiro de carne queimada dói nas entranhas efeito da bala ainda quente, a garota que agora grita de dor  rasga uma faixa de tecido da própria regata verde escura encardida, nojenta e enlameada e amarra o pedaço de pano envolta do abdômen danificado, depois de ter o feito, acomoda-se na pilha de folhas molhadas atrás de si, a garota se esforça para desabotoar a calça jeans colada e pesada por estar molhada, mas não consegue, é audível o som dos tiros e a cada som estridente a garota que agoniza no chão dá um salto, por um momento cochila.

Sons de galhos sendo quebrados, folhas secas sendo fragmentadas, passos, a pele da garota arrepia-se e o rosto fica incolor, os raios de sol refletem no rasgo da calça jeans preta, a pele morena soa frio, um vento sobe a espinha fazendo-a ficar alerta.

—Tem alguém aí? ME AJUDE, POR FAVOR, ME AJUDE. — a garota implora, chorando, a voz falha e rouca, ela tenta se arrastar, mas a dor não permite que se mova, os sons de galhos sendo quebrados e cortados parece se aproximar, o coração acelera e os batimentos tornam-se irregulares, a confusão de medo e esperança se depositam no rosto da garota, jogada no chão, pressiona a fonte corrente de sangue que jorra do abdômen baleado.

BAAAAM, os sons de tiros são ouvidos pela garota que abre os olhos, espantada.

                                         *        *       *

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