Rompendo O Silêncio


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1. Rompendo O Silêncio

Eric do Vale 

 

 

Até então, eu não entendia direito o que realmente tinha acontecido

-Não fale nada do que você viu, ontem. Se você falar, o seu tio não vai mais querer aqui, em casa. _ Falou a minha tia.

Obviamente, que acreditei naquilo, haja vista que, naquela época, eu me encontrava no auge dos meus oito anos de idade.

Tio Américo sempre me pareceu uma pessoa engraçada, e era. Principalmente, quando tomava umas cachaças. No entanto, não fugia a regra de todos que exageravam na bebida, tornando-se inconveniente.

Era quase meia noite e depois de ter tomado tudo o que tinha direito, falou para o meu pai:

-Vamos pegar o meu galo.

-Agora? Está muito escuro, por que não fazemos isso, amanhã?

-Não, eu quero agora!

De tanto insistir, partimos todos em comboio rumo aquele brejo e na hora de descer a ladeira, ele caiu sentado.

-Tá vendo aí? _ Disse o meu pai. - Vamos voltar.

-Está bem.

Tio Américo desequilibrou-se e caiu para trás, dando uma cambalhota. Sorte que ele estava bêbado, senão teria quebrado o pescoço. Ainda hoje, dou risada, sempre que me lembro desse fato.

O meu primo, um dia informou ao meu pai:

-O senhor não faz ideia do que aconteceu: tio Américo está todo desorientando.

-O que houve?

- Ele caiu bêbado da bicicleta e o carro quase o pegou. Graças a Deus, só quebrou o braço. Mas, não é só isso: a esposa o deixou. 

Quando fui atingindo a maturidade, escutei o meu pai conversando com um outro familiar nosso sobre o tio Américo:

-Apesar de viverem em atrito, eles nunca se separam. _ Falou o meu pai.

-E o Américo bate nela com frequência.

Ao ouvir aquilo, lembrei-me da vez em que eu estava hospedado na casa deles: devia ser quase dez horas da noite, quando o tio Américo despertou. Ele estava com acara toda inchada, em virtude da queda que sofreu, depois de ter bebido demais.

-Américo, por favor, vá deitar! _ Disse a esposa.

Tio Américo começou a xingá-la, conforme ia derrubando todos os objetos de enfeite da casa. Em seguida, esmurrou a mesa e disse vários palavrões.

-Eu vou te bater.

Graças a Deus, tio Américo não cumpriu com o que prometeu e voltou a dormir.

Jamais comentei com ninguém o que tinha acontecido e depois que fiquei sabendo que ele batia na esposa, tudo ficou muito claro para mim.

 

 

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