Tormento


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1. Tormento

 

Eric do Vale

 

 

Andei de um lado e para o outro, com o celular na mão, me perguntando: “Ligo ou não ligo?”.  Se eu telefonasse, alegaria que estava ligando para desejar-lhe feliz aniversário. Coloquei o celular sobre a mesa, fui até a cozinha e tomei um copo com água.  Tenho plena consciência de que assim que eu me identificasse, ela levaria um grande susto, porque fazia muito tempo que não nos víamos e naquela época, o nosso contato era muito restrito Um dia, porém, resolvi procurá-la por estas redes sociais até que a encontrei.

 Enviei-lhe uma solicitação de amizade e terminei sendo aceito. Ao saber que ela estava fazendo aniversário, enviei, in box, uma mensagem desejando-lhe parabéns. Não tardou muito para que ela me respondesse dizendo “muito obrigada”. Pensei, naquele instante, em aproveitar a deixa para iniciar algum dialogo, mas desisti da ideia. O é que eu diria? E não era só isso, como disse: nunca fomos muito próximos.

Duas semanas depois, me deparei com uma mensagem dela: “Vi você, ontem, no shopping.”. Passamos a conversar quase que diariamente, mas nenhum de nós, até então, chegou a telefonar um para o outro. Por quê? Não sei. Minto, sei sim: receio. 

Um ano depois de ter-lhe enviado aquela mensagem de parabéns, tomei a iniciativa de repetir o gesto, mas, dessa vez, via telefone. Chamou, chamou até cair na caixa postal. Provavelmente, deve estar comemorando, por isso achei melhor ligar depois.

             No dia seguinte, com o telefone em mãos me questionei se estava agindo certo e antes que chegasse a alguma conclusão, já tinha discado o número. O resultado foi o mesmo, do dia anterior. Porém, não me dei por vencido. Insisti, mas duas vezes até que ela atendeu:

-Alô. _ Disse ela.

Senti um frio na barriga e a chamei pelo nome, mas, pelo jeito, ela não ouviu e insistiu:

-Alô?

Então, desliguei. 

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