Predadora

Juntem Regina George, Chanel Oberlin e uma garota interiorana em uma trama debochada, que envolve vingança contra os homens, DSTs, alguma pornografia e voilà, temos Predadora. Simples e sarcástica, nada comedida e com toda arrogância cabível a uma ninfomaníaca de marca maior.

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2. Uma xícara de passado, por favor

Oi amiguinhas, vocês devem estar em voltas com alguma paixão platônica. Mereço... Bom, deixem suas boy bands de lado um pouquinho e se preocupem com quem interessa. Eu. Até porque chance alguma vocês têm com esses boys. Não entendo essa perda de tempo, se bem que eu aqui estou trancafiada numa prisão feminina. Tão novinha e já vim passar uns dias aqui. Influência da Gaga. Ai que saudades desse meu tempo que eu colava pôster de ator ou cantor na minha parede. Sai pra lá quinze anos. Hoje colo lembranças de homens que destruí a vida. Tenho um caderninho caso não saibam. Infantil eu sei, mas fazer o que, sou uma garota mimada que adora acumular e exibir meus troféus. E olha que foram muitos hein. Em tão pouco tempo, como pude? Deviam usar essas amiguinhas aí por mim, aqui só rola pegação lésbica, e já estou cheia disto. E ninguém me pegaria de qualquer forma. Minto, tem uma sapa aqui de quase cento e vinte quilos que me olha com desejo, e coça a xoxota como se ali tivesse um saco. Depressivo. Tudo aqui é depressivo, nem guardas permitem para nos vigiar. Ficam distantes das nossas celas, perdi minha maior diversão. Seduzi-los. Aposto que enfiaria minhas unhas esmaltadas em alguns deles, mesmo sabendo do meu caso. Vocês precisam aprender a atiçar a cabeça inferior deles, meninas, e depois são seus.

Voltando ao meu passado, nos tempos que ainda dava para um só e julgava as moças donas de si que esbanjavam simpatia e valorizavam seus atributos físicos. Vadiazinhas. Hoje até elas me julgam! Quanta bobagem, até me perco, acho que falava dos meus pais, minha mãe trabalhava numa loja de roupas, e meu pai era funcionário público, cargo não identificado. Só sei que ficava mais em casa do que mamãe. Meu irmão chamava-se João Pedro, um mala, que hoje percebo o quanto amava. Naquela época ainda implicávamos um pouco, ele com seus dez anos querendo bancar o adolescente era vergonhoso. Nem pelo no saco tinha e contava vantagem com os amiguinhos remelentos. Os meninos da minha época não eram assim, essa juventude que só se estraga. Ai, quem sou eu pra criticar. Desculpem, estou tentando ser mais zen, evoluir meu espírito, me iluminar. Virar um abajur incandescente aqui na cadeia, terminar por ofuscar as demais de uma vez. E olha que eu nem muito bonita era nessa época de cursinho. Minhas amigas de infância tinham sumido, umas tornaram-se rivais no início da pré-adolescência, brigamos por algo tão besta e imaturo que já nem lembro mais. Talvez tenha sido por fofocas umas das outras. Como adorávamos apontar defeitos para nos sentirmos maiores, mais belas, o centro do grupinho, as desejáveis. E os meninos pegariam qualquer uma de nós, só não sabíamos disso ainda. Briguei com umas, me afastei de outras, tornei-me diferente, incansável, não mais alcançava a pró-atividade daquelas meninas. Duas já tiveram bebês pelo que soube. Uma é chifrada pelo namorado, e olha que o relacionamento já perdura por cinco anos, com idas e voltas constantes. Não entendo porque simplesmente não desistem e partem para outra. Homem é o que não falta, e você não é tão feia como pensa, ou como elas pensam. Enfim, tem homem por aí que te pegaria. Como muitos me pegaram, alguns lindos, deuses gregos, outros apenas héteros trabalhadores com tesão e uma companheira complicada. Sobrou para mim. E vocês sabem o que acontece com quem termina em meus braços, só não pensava nas mulheres que ali se feririam depois. Acho que destruí muitos relacionamentos e vidas inocentes por aí...

Sorry.

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