Predadora

Juntem Regina George, Chanel Oberlin e uma garota interiorana em uma trama debochada, que envolve vingança contra os homens, DSTs, alguma pornografia e voilà, temos Predadora. Simples e sarcástica, nada comedida e com toda arrogância cabível a uma ninfomaníaca de marca maior.

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4. Queen Bee

Desisti de aconselhar vocês. De nada valeria, vocês precisam quebrar a cara uma, duas, cinco vezes, para solidificar bem o aprendizado, como dizia uma antiga professora do ensino médio. Vale para sentimentos também, principalmente os ruins. E eu não estou aqui para dar conselhos, não lucro com eles, e sim vendendo meu livro. Tratem de comentar, mas nada de falar que é bacana, ou interessante, isso não gera ibope nem atrai leitores. Falem que tem coisas impactantes, minha história é impactante, e olha que nem comecei os relatos das caçadas, hein! Aí sim dividiremos o joio do trigo, as puritanas e moralistas finalmente vão se convencer do lixo que isto aqui é, mas para as mais safadinhas vai ser um prato cheio. Espero. Qualquer coisa me cobrem, SMS e mensagem inbox nem rola. Manda uma carta para Cela 23, corredor 4, Pavilhão A1, Penitenciária Feminina Bom Sucesso. Vou adorar ignorar estas cartas, brincadeirinha. Mandem uns souvenires se puderem, coisa fina, por favor. Estava pensando aqui, até porque é só o que me resta e permitem, como idolatramos figuras ricas, loiras, bonitas, bem vestidas e mesquinhas, não é mesmo? Até sentimos vontade de sermos uma daquelas figuras coadjuvantes de seus filmes e séries só para podermos receber aquela glória popular. E como os gays absorvem estas figuras para o universo deles. Ou será que foram feitos por eles, vendido para nós, e finalmente caído no gosto do real público alvo? Muito para minha cabecinha de carcerária. Devia estar pensando numa forma de fugir daqui, ou de satisfazer a minha vagina. Se ainda tivesse uma chave de fenda como a Big Boo, hoje te entendo. Na verdade todas elas. Quem dera minha vivência aqui se assemelhasse a vista na TV. Só paredes descascadas e solidão. Nem mesmo intrigas entre as presas são interessantes. Confesso que não acompanho, pois temo tomar lados e acabar esfaqueada aqui dentro. Imagina que pobreza de fim de vida. Sangrando nesse chão imundo cheirando a mijo e alvejante, com uma faca artesanal entranhada nessa barriguinha sem uma estria sequer. E assim permaneço isolada aqui dentro, preferindo a cela durante os intervalos. Só mais cinco meses e três semanas, prometeu o advogado. E pensar que a pena pode se estender, e muito. Sorte a minha que tenho vocês leitoras, que ainda não considero amigas, nem confidentes, mas que já carregam um pouco de mim em suas mentes. Talvez eu sobreviva à facada.

Falando mais das minhas amigas, temo que tenha deixado a impressão de que eu era uma freak que sofria bullying na escola. Isto não é verdade, ladies. Desculpem mas não compartilho deste sofrimento da maioria de vocês, embora eu não fosse lá grandes coisas também. Fui bem apagada até o inicio do ensino médio, não tinha peitos avantajados, mas alguma bunda, que passava batida frente as de outras gurias. Ah, as delas eram cheias de celulites também, o que não as impedia de usar shortinhos, minissaias, algumas pareciam cortar ainda mais essas peças. Uns filés numas embalagens exóticas. Eram felizes ao menos, acredito eu. Era do grupo sub-popular, aluna mediana, tinha até BFF e transpirava açúcar. Um doce de filha, aluna e namorada. Veio a diabetes, leia-se HCT, e destruiu-me. Que trágica estou. A doença, que explicarei melhor adiante, veio depois, quando já estava na faculdade. Sim! Eu realizei o sonho de muitos de entrar numa faculdade de medicina não particular. Mudei de cidade acreditando nas boas surpresas que o destino me traria. Tola. Não o culpo, também não o eximo de certa responsabilidade. Não seria o acaso carro chefe de tudo.

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