Predadora

Juntem Regina George, Chanel Oberlin e uma garota interiorana em uma trama debochada, que envolve vingança contra os homens, DSTs, alguma pornografia e voilà, temos Predadora. Simples e sarcástica, nada comedida e com toda arrogância cabível a uma ninfomaníaca de marca maior.

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1. Como vão vocês, Garotas?

Olá Leitora, meu nome é Laisa, mas fiquei conhecida pela mídia e pelos da minha cidade como A Ninfo do HCT, ou como prefiro, Vetor Humano. E venho aqui contar um pouco da minha história, nem tudo são fatos, porque me disseram que poderia lucrar em cima desse meu crime. Saio do tribunal com uma sentença de seis meses e com a conta bancária cheia da prisão. Graças a vocês leitoras. Tão inocentes e entediadas... Mas eu também já fui assim, lá nos meus tempos de cidade do interior, população em torno dos cem mil habitantes, ou um pouco menos. Era eu menina de família, com uma irmã mais velha e um irmão mais novo do segundo casamento de minha mãe. O que me separa de vocês então? Bem, uma doença chamada HCT e um pouco de ousadia. Queridas, a hora da vingança já passou, e só vocês continuam deitadas.

Tanta coisa para contar, às vezes tenho até medo de retornar àquela menina de antes, aqueles antigos pensamentos. Como eu era boba, e acredito que vocês também, colegas. Estava eu no meu segundo ano de cursinho, mais uma entre milhares que almejavam o curso de medicina, meus pais tinham uma condição financeira estável, e como minha irmã já tinha a própria vida, o orçamento permitiu que me dessem um estudo melhor. Saquem, segundo ano de cursinho, pressão dos professores, dos meus pais que cobravam e davam indiretas do tipo, "não era melhor estudar ou descansar ao invés de sair?". Saco, mas naqueles tempos eu lhes dava ouvidos e razão, não suportaria mais um ano naquele colégio, vendo meus "amigos" comemorarem o ingresso numa faculdade por aí, ou pior, ver a maioria cedendo ao plano B, ou simplesmente prestando a particular mais próxima, onde sequer vestibular ou concorrência existiam. Minto, prova até que tinha, e já se saía de lá matriculada na maioria das vezes. Sei que a maioria de vocês vão acabar indo para uma dessas também, eu quase abdiquei do meu sonho para cursar enfermagem em uma dessas. Meus pais me apoiariam, um gasto a menos, e eu teria que trabalhar para contribuir com as mensalidades, ou entrar com algum pedido de financiamento... Que preguiça dessa parte da minha vida. Pois então, também tinha um namorado, babaca, chamado Rafael. Ele estudava um ano na minha frente, ainda nos tempos de colégio, eu era apaixonada por ele desde o fim da oitava série, e só fui conseguir trocar uns beijos no segundo. E que beijo, se bem que não tinha beijado muitas bocas além daquela. Enfim, Rafael tinha começado Administração na faculdade que ficava na cidade ao lado, reprovou no primeiro semestre, arrastou o segundo, desistiu. Foi trabalhar com o pai e o irmão na concessionária da família. Sabe esses caras que trocam de carro umas duas vezes por ano? Que vivem em função do carro, do cabelo e dos amigos? Rafael era esse arquétipo, raso que só. Eu, insossa que era achava ele o homem mais maravilhoso que existia, ou podia vir a existir. Até pensava em casar com ele dali uns anos. Confesso que esperava um pedido de noivado toda vez que ele me chamava para sair e fazia mistério. Quanta decepção...

Escutem só, se o namorado de vocês também te convidam para sair, vocês se arrumam, e acabam fazendo o mesmo programa de sempre, com as mesmas pessoas, aquele mesmo papo... Fujam enquanto é tempo e não engravidaram. Teve uma época que íamos para a conveniência de um posto, lá ficavam os homens com suas saveiros e gols rebaixados, com o som do tamanho do ego e da bestialidade. Ali ficava eu a noite toda, tentando chamar a atenção dele, me encostando, tendo que mendigar uns beijos, disputar com os amigos de boné e camisetas de marca falsas. E pior, fazer amizade com a namorada dos amigos dele, era isso ou ficar isolada. E quando eu tentava interagir, os homens logo vinham de gracinha para cima e depois Rafael ficava seco comigo. Que culpa tinha eu se estava entediada e os amigos não respeitavam sua presença? Mas era isso ou ficar em casa escutando meus pais cochicharem pelos cantos. Tinha tantas dúvidas naquela época, e me deixava abalar por cada bobeira. Cresci, virei puta, fui responsável por transmitir HCT para mais de cem homens. Ops, contei demais, e não quero a antipatia de vocês por enquanto. Até porque vocês estão aqui por mim, pela nossa causa, que ainda não sei bem qual é, mas deve surgir até o fim desse relato. Isso se eu der conta de terminá-lo.

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