Recomeçando a viver

LIVRO REGISTRADO.
Daniel Valdez quer justiça... Em outros tempos o homem espetacular era um adolescente desengonçado, a beleza oculta pela acne e sua timidez excessiva. Era o melhor amigo de Elle, a garota mais linda que se pode imaginar, a loira de olhos cor de esmeraldas, foi seu amor platônico. Elle tinha em si uma mistura perfeita: líder de torcida, dona de um corpo escultural e uma inteligência incrível. Durante muito tempo ele pôde contemplar isso de perto, enquanto estudavam, a loira o via apenas como um irmão, com um coração de ouro. Até que Edward Morrow entrou na história, e Daniel perdeu o amor da sua vida e a amizade que tinham.
Porém, algo aconteceu.
Algo que destruiu a amizade dos dois.
Algo que fez Daniel mudar, e o que havia de bom, se tornou um desejo de vingança.
Depois de dez anos, o homem poderoso, que ele se tornou, vai fazer uma viagem ao passado e mostrar que com Daniel Valdez, ninguém mexe. Mas, o que acontecerá quando seus olhos cruzarem com os da loira eston

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5. Capítulo 4

Capítulo 4 

O céu estrelado poderia conspirar ao meu favor, mas não foi assim que aconteceu. Infelizmente eu era a versão da Cinderela masculina, e antes das oito horas da noite, pois minha princesa fugiria com algum babaca, minha carruagem viraria abobora e eu nem chegaria a experimentar a presença dela. Ainda bem que eu não tinha sapatinho de cristal, ia ser mais frustrante. Ela parecia tão animada, que se soubesse da minha tristeza, não teria esbanjando sorriso apaixonados.

— Comprei os ingressos — falei de modo inocente, mas já sabia o que viria a seguir.

— Eu vou sair com o Edward — respondeu encolhendo os ombros no carro — eu sei que vou ficar devendo mais uma para você...

— Tá certo — resmunguei simplesmente e me virei para olhar as pessoas na rua.

— O que foi? — perguntou me olhando. Seus olhos brilhavam mais que as luzes da cidade, aliás, Elle era a perfeição em forma de mulher, não se parecia àquelas magricelas loiras de capa de revista, mas uma mulher de corpo bem definido pela prática de exercícios e por não ter frescuras em escolher um prato contendo bastante frango frito. Elle era o tipo de mulher que jogava vídeo game por pura diversão.

— Nada — falei simplesmente.

— Você nunca me diz o que te incomoda — disse bufando e cruzando os braços.

— Por que não tem nada a dizer — digo calmo, mas por dentro quero gritar o quanto ela é burra.

— Edward vai me espera a frente do cinema... — fala e me olha de soslaio — você vai ficar bem?

— Vou — digo sério sem olhar pra ela.

— Eu prometo sair com você depois, só para compensar os inúmeros favores que me faz — fala em sorriso torto — se não fosse por você, eu não teria como sair de casa. Meu pai nunca autorizaria minha saída com Edward, mas com você, ele deixa.

— Pois é — falei suspirando.

— Dani — murmurou manhosa e não dava para não resistir aquele sorriso de derreter manteiga no sol — você é o melhor amigo que eu tenho — droga! A manteiga tinha virado merda.

— É sei — digo sem paciência, mas tento ao máximo esconder — pronto, chegamos — falei estacionando o carro ao lado do cinema.

Do outro lado da rua estava ele, o tal Edward escorado em uma Harley- Davidson 1980 preta, de jaqueta de couro preta, camisa branca e calça junta. Típico bad boy dos anos noventa em pleno século vinte e um. O que me deixava mais curioso, era como aquele cabelo tingido de cobre ainda permanecia na cabeça dele, era tanto gel concentrado em uma só região, que poderia ser fornecido como concreto para grandes empresas em construção. O cara parecia até bonito, mas algo me dizia que ele não ia fazer bem a Elle. Temia que algo ruim pudesse acontecer com ela, e eu teria o resto da minha vida para lamentar.

— Elle, você tem certeza que quer ir com esse cara? — perguntei um pouco receoso.

— Tenho sim — falou saltando do carro em três segundos — volto em duas horas, assista o filme para me dizer como foi...

— Como sempre faço — falei descendo do carro.

— Você é incrível — ela veio saltitando na minha direção — assista ao filme — disse beijando minha bochecha e a vi seguindo em direção ao cara de gel de concreto. Ele estendeu um capacete para ela, e ela logo em seguida montou na moto junto com ele, que ao sair ainda teve a covardia de soltar uma piscadela para mim.

Eu sei, eu sou burro. Mas fazer o quê? Adoro aquela mulher, e só em ter a amizade dela, já me basta.

O filme iria ser longo sem ela ao meu lado, mas eu nunca saberia se ia ser, pois apesar dos anos de amizade, nunca fomos exatamente ao cinema juntos, na teoria, para família dela já tínhamos acabado com a bilheteria de todos os cinemas, mas na prática, nunca chegamos tecnicamente nem na calçada de um cinema.

Resumindo minha vida: Eu sou um banana mesmo.

E para o meu azar ficar cada vez maior, Estevan estava ao amassos na ultima fila. Era muito falta de sacanagem comigo, mas um dia isso iria ter volta. Um dia eu teria a sorte ao meu lado. Passei de fininho ao seu lado, mas parecia que ele tinha um radar Daniel/banana com que me detectava em menos de um metro de distância. Era frustrante ter um primo como ele, que era o oposto de mim. A sala estava praticamente vazia, não literalmente, pois poucas pessoas estavam assistindo realmente o filme.

— Diz grande Daniel — falou baixinho deixando a garota de lado. Nunca tinha visto uma garota ficar tão descabelada quando estava com Estevan como vi naquele dia. Ela estava até com falta de ar.

— Oi Estevan — falei sem jeito e me ajeitando para não ficar na frente de quem estava assistindo o filme.

— A Elle saiu de novo com outro cara? — perguntou irônico e debochando da minha cara.

— Isso mesmo — respondi irritado vendo a cara de deboche que ele fazia.

— Querida, você pode ir comprar um refrigerante para mim? — perguntou para garota descabelada, que mais parecia um robô atendendo aos comandos do seu dono.

— Sim, meu tudão — respondeu ao se levantar, e para não deixar de ser Estevan, ele estava sendo ele mesmo, quando ela levantou, ele deu um tapa bem forte na bunda dela que a fez saltitar e sair rindo como uma demente. O cinema mais parecia àqueles bares de esquina nas estradas solitárias do Texas. Metade das pessoas que estavam se agarrando, e isso era deprimente.

— Me diz, que tipo e o cara com quem ela resolveu sair agora? E por favor, não me diga que é um doido por figurinhas... — perguntou rindo — essa seria muito para o meu pobre coração.

— É um tal de Edward — respondi coçando a cabeça e arrumando o óculos no rosto — acredita que ele tem uma Harley  1980?

— Isso não importa Daniel, ele ta com a garota dos seus sonhos e você aqui assistindo um filme que nem queria assistir — às vezes Estevan me puxava um pouco para realidade — e você odeia vampiros...

— Eu sei... — olhei para ele — mas você também não gosta... — fiz uma pausa percebendo o real motivo dele estar assistindo aquele filme — ah deixa pra lá.

— Você vai mesmo assistir o filme e depois descrever pra ela contar para o pai dela? — perguntou incrédulo, mas com olhar de sério.

— Vou — respondi triste.

— Um dia você tem que deixar de ser mole — falou balançando a cabeça — você bem que podia ter um letreiro luminoso com seu nome e a seguinte frase: Daniel Banana.

— Voltei rapazes — a garota descabelada voltou com dois copos de refrigerante. Estava um pouco escuro, mas pude ver claramente que ela era muito bonita, assim como todas as garotas que Estevan saia. Uma loira de cabelos avermelhados, mas acho que era a luz , que não me era estranha. Corpo bonito, usava blusa decotada e saia curta exibindo suas longas penas.

— Essa é a Jess, nossa colega de sala na aula de matemática — eu sabia que a conhecia de algum lugar. Jess era inteligente, mas também tinha um imã para homens errados, e isso incluía Estevan que nunca foi anjo. Ela sempre me pedia ajuda, mas sei que era pelo fato de eu ser primo de Estevan.

— Eu vou deixar vocês mais a vontade — falei indo em direção às cadeiras mais altas.

— Se precisar de companhia para o baile — falei Jess — pode me chamar.

— Minha linda, a única garota que ele quer ir ao baile já tem companhia — falou Estevan rindo. Ele também sabia ser mau às vezes.

— E quem é? — perguntou curiosa.

— Estevan, não... — foi tarde de mais, o filtro que existia no cérebro estava definitivamente gasto.

— Elle Austin... — respondeu rindo, mas logo ele percebeu que não era pra falar nada. Jess não era apenas uma garota qualquer, que tinha boas notas, ela também era uma das populares, que não sei o porquê dela também falar comigo.

— A Elle — soltou um tom de choque — não acredito... mas... mas... vocês são amigos.

— Por favor, não fale isso pra ninguém mais — implorei — por favor — o pedido foi o mais lamurioso possível. Eu não confiava na Jess, e hoje tenho a plena certeza que na época não era para ter confiado.

— Pode confiar em mim — falou levando a mão ao peito — minha boca é um tumulo...

— Obrigada — suspirei agradecido — vou deixar vocês agora.

— Desculpa Hermano — falou Estevan sem jeito.

— Depois falo com você — me virei e segui subindo para o lugar mais alto do cinema, eu já tinha perdido boa parte do filme, mas deu para entender. O mocinho era apaixonado pela mocinha do filme, mas ele era algo diferente e não poderia viver o amor que ele sentia por ela por ser diferente, mas ela insistiu e lutou pelo amor dos dois. Ele não era humano, e ela era, mas ainda assim o amor prevaleceu. Ela foi transformada e os dois se tornaram iguais. Eu queria ter a possibilidade de fazer alguém se apaixonar por mim pelo simples fato de eu como sou. É triste ser sozinho, cheio de espinhas e ainda virgem. Vendo os dois protagonistas se beijando me deu uma inveja que nunca tinha sentindo na minha vida. Como seria ser beijando? Como seria o gosto dos beijos de Elle? Era o que eu mais queria saber.

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