Via-Crúcis


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1. Via-Crúcis

 

Eric do Vale

 

 

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Como foi que ele me encontrou? O miserável ainda teve a cara de pau de enviar-me esta mensagem: “Você é quem estou pensando? Se for, tudo bem?”. Ele fala assim, como se nada tivesse acontecido. É muito sínico! Pode passar milhões de anos, mas eu jamais vou esquecer o que esse maluco me fez. Não entendo como é que uma pessoa dessa fica á solta.  Era para ele estar na cadeia, no hospício ou então, morto. Sim, morto, porque seria um canalha a menos na terra.

O que é que eu faço? Chamo a polícia? Mas, ele não me fez nenhuma ameaça, por enquanto. Caso faça, darei parte dele. Aliás, vou falar com o meu marido e contar-lhe tudo o que aconteceu. Será que ele sabe onde eu moro? Pensando bem, já está mais do que na hora de me mudar daqui. Vou para o interior, São Paulo e se for preciso, viverei em outro país só para que esse “fantasma” não saiba da minha existência.

Eu deixei bem claro para ele, quando aconteceu aquilo, que ficasse distante de mim e que me esquecesse, deixando-me em paz. Respondo a mensagem desse patife ou deleto? Para mim, ele nunca existiu. Melhor dizendo: esse sujeito deixou de existir, a partir do momento em que fez aquilo comigo. 

...

Finalmente, eu a encontrei. Qualquer um, no meu lugar, não devia procurá-la, depois de tudo o que aconteceu. Já se passaram tanto tempo e apesar de tudo, gostaria de pensar que ela encarasse aquilo como um arrombo da juventude. Sim, foi isso.

Uma vez, dei de cara com ela que virou o rosto para mim e saiu da calçada, onde eu estava. Em uma outra ocasião, fui ajudar uma conhecida minha a carregar as compras até a casa dela e lá chegando, encontrei logo quem? Ela, assim que me viu, levantou-se e despediu-se da anfitriã de uma forma não muito cortes.

-Espere aí, o que foi que houve? _ Perguntou a dona da casa.

-Eu vou embora, não quero ficar aqui.

-Aconteceu alguma coisa?

-Pergunte a ele. _E foi embora.

A dona da casa, sem entender, me pediu uma explicação e eu, obviamente, contei-lhe tudo. Minto, nem tudo. Qualquer um, na minha situação, teria vergonha de falar detalhadamente sobre o ocorrido.  

Eu fiz o que fiz e terminei pagando por isso. Mesmo que ela tenha todos os motivos para não querer me ver nem pintado de ouro, não há, no meu entender, cabimento para ter tanta magoa no coração.

 

 

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                        -Esqueça que eu existo, entendeu?

                        -Desculpa, eu me descontrolei.

                        -Descontrolou? Nem o meu pai jamais bateu na minha cara.

                        -Realmente, eu fui injusto.

                        -Me deixe em paz! Suma da minha frente, senão quiser deixar as coisas piores do que já estão.

            Não demorou muito para que todos tomassem conhecimento desse fato e, sumariamente, ele fosse crucificado.  Principalmente, pela ala feminina.

 

 

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