Andando Na Linha


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1. Andando Na Linha

 

Eric do Vale

 

Antes de saírem de casa, os três garotos ouviram atentamente o aviso da mãe:

 -Não peçam nada a ninguém, quando chegarem lá. E se alguém oferecer alguma coisa a vocês, não aceitem. Estamos entendidos?

Eles responderam balançando positivamente a cabeça e ela repetiu:

-Estamos entendidos?

Simultaneamente, eles responderam:

-Sim, senhora.

- É a assim que eu gosto. Agora, vamos_ Abrindo a porta. 

E partiram para mais uma reunião dominical de família e ao chegarem, a dona da casa, provavelmente uma tia, perguntou-lhes: 

-Vocês querem um pedaço de bolo?

-Não, obrigado. _ Respondeu o mais velho.

Os dois irmãos t disseram a mesma coisa, mas a dona da casa não entregou os pontos e continuou oferecendo-lhes outras guloseimas até certificar-se de que eles não queriam comer nada.

Os três bem que gostariam de contrariar a ordem da mãe, mesmo sabendo que, mais tarde, teriam de enfrentar as consequências. Apesar de estarem com água na boca, acharam melhor obedecê-la.

 Passaram-se algumas horas, quando a anfitriã anunciou o almoço e a mãe deles falou:

-Vamos almoçar?

Cada um sentou-se em seus lugares e foram servidos à francesa. A dona da casa perguntou-lhes:

-Querem refrigerante?

Antes que dissessem não, a mãe baixou a guarda:

-Sim, eles querem.

Logo, foram servidos. A mesma coisa aconteceu com a sobremesa e quando voltaram para a casa, a mãe deles falou:

-Gostei de ver. 

Sempre que iam na casa de alguém, ela dizia:

- Caso lhes ofereçam algo, não aceitem.

Nenhum dos três eram insanos de contrariarem aquela enfermeira que apesar de baixinha, tinha muito estômago para lidar com situações escabrosas, durante os plantões do hospital.  Quando faziam alguma coisa errada, tinham consciência de que o castigo seria aplicado instantaneamente.

Ao saber de alguma travessura cometida por um de seus filhos, ela pedia para aquele que cometeu a infração para ir até o quarto dela e pegar o sinto.  Como não havia escapatória, o jeito era obedecê-la. Depois de receber o cinto, ela perguntava:

-Você sabe por que vai apanhar?

-Sim.

-Você acha que é certo isso?

-Não.

-Não? _ Esticando o cinturão.

-Sim.

-E por que você fez aquilo?

            Aquele interrogatório tornava-se tão torturante que, intimamente, suplicavam: “Pelo amor de Deus, dê logo esta cintada”. 

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