Babados


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1. Babados

 

 

Eric do Vale

 

Domingo, só uma coisa que nós, meros mortais, desejamos fazer, nesse dia: dormir. Não fujo a regra e quando, de madrugada, eu me encontrava no décimo oitavo sono despertei com uns gritos que vinha lá de fora. Será possível! Tentei voltar a dormir, mas não consegui. A coisa devia ser muito séria. Levantei-me e fui ver o que era. O burburinho vinha da casa que fica em frente à minha, só podia ser! Dona Edwiges, pra variar, estava dando aqueles escândalos homéricos e a vítima, dessa vez, era o marido dela. Ele não é flor que se cheire e por isso, dou razão a ela, mas acho que roupa suja se lava em casa.

Outro dia, dona Edwiges pegou o cinturão e, bem no portão da casa dela, açoitou a filha dizendo em alto e bom som:  

-Isso é o que dá não educar uma filha direito. Vejam, minha gente! Vejam. _ E batendo cada vez com mais na moça. – Vejam! E que isso sirvam de exemplo para todos vocês que são ou, um dia, se tornarão pais e mães.  Eduquem os seus filhos e filhas direito, se não..._ Deu três cintadas na moça.

A minha família e eu vimos aquela cena de camarote

-Faça alguma coisa? _ Falou a minha mãe para o meu pai.

-Eu? Quer que eu leve uma cintada também?

 -Como você é mole, homem!

-Então, vá você.   

-Deus me livre!

-Vamos entrar que é o melhor que a gente faz.

 Quando não era o marido ou a filha, dona Edwiges estava batendo boca ou se atracando com alguma moradora, aqui da rua.  Já perdi a conta das vezes em que a polícia foi acionada, por causa das confusões dela.  Notando que todos estavam assistindo aquela cena, ela falou:

-O que é que vocês estão olhando? Vão cuidar de suas vidas!

Ninguém falou nada e dona Edwiges entrou para a casa dela. O marido, todo desconcertado, fez a mesma coisa que ela. E quando a multidão estava prestes a se dispersar, um senhor dirigiu-se para porta da casa dela e começou a falar bem alto para todos:

-É o fim dos dias, é o fim dos tempos! O apocalipse se aproxima!

De onde saiu aquele homem? Eu não sei. Ele continuou pregando o evangelho sem se importar com a diminuição do fluxo de pessoas e eu, dentro da minha casa, ouvi aquela pregação até pegar no sono.  Mas, alegria de pobre dura pouco. Em plena sete horas da manhã, despertei com um som ligado no último volume, Meu Deus do céu! E era uma sequência de Reginaldo Rossi, Amado Batista... Ninguém merece!

Coloquei o travesseiro sobre a minha cabeça e percebi que aquele som tinha parado. Estava crente que, finalmente, iria dormir o sono dos justos, porém uns gritos ecoando aqui em casa colocaram tudo por água abaixo.  A minha mãe estava discutindo com a minha irmã, pois essa tinha acabado de chegar, naquele momento. Ah, essa não!    

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