Deveria ter te amado - Parte III da Serie Deveria

Percy sorria. Ele se considerava um cara de sorte. Havia feito todas as escolhas erradas, possíveis e imagináveis, e ainda assim, o destino havia lhe dado uma segunda chance. Não foi fácil, Percy teve que percorrer um longo caminho até chegar ali. Mas se ele pudesse escolher, faria tudo novamente se isso o trouxesse para aquele exato momento.

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1. Capítulo 1 - Prologo

Esse era o momento que Percy havia esperado. Depois de um longo tempo, tão longo que pareciam séculos, ele encontrava o lugar que havia procurado.

Ele não tinha certeza, sua busca havia começado em algum momento durante a guerra contra Gaia, ou provavelmente, muito antes disso, quando Percy havia colocado seus olhos pela primeira vez no garoto inocente e vulnerável, um órfão sobrevivente tanto quando ele, abandonado em um mundo de monstros e mitologia. Se não fosse seu coração disparar e suas mãos e pernas tremerem, mal o aguentando, ele teria perdido o momento, o instante necessário para que suas almas se tocassem, criando a conexão que os ligaria pelo resto de sua existência.

“Eu não quero que você vá.” Percy disse enquanto abaixava o rosto, inalando o tão familiar aroma do pescoço do garoto de olhos escuros, pele morena oliva e cabelos cumpridos e negros que ele tanto amava.

Percy suspirou.

Ele era tão imaturo que não poderia entender o que acontecia mesmo que quisesse. Uma dor invisível palpitava em suas veias, algo que o incomodou durante metade de sua vida, sempre presente e insistente que ele pensava ser comum, mas que nada poderia remediar. A partida de Nico confirmou o vazio em seu peito que crescia e o que continuava a doer na mesma proporção. Então a dor aumentou e se expandiu até que ele não pudesse se manter em pé e não sobrasse muito de seu coração.

Ele lutou. Lutou com sua espada, seus punhos e qualquer outro artifício que tivesse. Lutou até que não pudesse mais. Entretanto, era tão simples. Esse buraco em seu peito onde seu coração deveria funcionar sem a ajuda externa, era uma necessidade já esquecida pelo mundo contemporâneo. Percy havia encontrado sua alma gêmea, o mais puro e primário amor, decidido pelo destino e uma vez que as almas se tocassem, nem os deuses poderiam separa-los.

Estava feliz, enfim. Havia alcançado o que precisava. Lá estava Percy com ele em seus braços, sem culpas ou arrependimentos, agarrado a cintura daquele destinado a ele. Cada minuto de espera havia valido a pena e vê-lo sorrindo feliz e sem preocupações era o que Percy poderia pedir aos deuses.

O garoto em seus braços sorriu para ele, devolvendo o afago. Percy se sentiu aquecido por dentro, algo cálido em seu estômago que percorria seu corpo e parava em seu coração, agora, inteiro. Percebia que com seus trinta e poucos anos e barba por fazer, se divertia, rindo de si mesmo e talvez também do deus que os observava com um olhar reprovador.

Ele não se importava se o mundo os condenasse e não se intimidava pela aura negra de Hades. E, pela primeira vez, Percy não sentia medo ou incertezas sobre o futuro. Ele segurava no rosto de seu amado e acariciava a pele atrás de sua nuca, já sabendo o que aquele gesto fazia com o garoto. Era como se estivessem sozinhos e sabia, era o que deveria ter sido desde o inicio.

“Eu voltarei antes que você perceba.” O garoto sussurrou de volta a ele, antes de se levantar, segurando o gemido que teimava em querer sair de boca rosada e inchada de seus beijos.

“Já estou com saudade.” Percy disse sorrindo, finalmente, lhe soltando e mordendo os lábios e os lambendo, algo que sempre fazia as pernas do garoto tremerem.

O garoto, agora quase adulto, suspirou. Era uma pura e doce tortura, mas ele tinha negócios inacabados. Se levantou e sem escolha, segurou na mão de Hades, observando a imagem se distorcer até que somente a lembrança de Percy restasse, se dissipando diante de seus olhos. Mas ele sorria. Sorria porque não acreditava como o destino poderia ser tão irônico. De qualquer forma, não era importante. Haviam lhe concedido uma segunda chance e ele iria fazer cada segundo valer a pena.

Se eles pudessem escolher, fariam tudo novamente se isso os trouxesse para aquele exato momento.

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