A Amiga Da Morte

Julie está em seu quinto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e nada parece começar tão bem. A jovem já está mais que preparada para o estudo redobrado, devido aos N.O.Ms, e crê que tudo vai sair como planejado.

Porém o destino não reservou para ela algo muito tranquilo. Em meio as suas novas descobertas e novos caminhos, Julie tem de enfrentar uma série de pequenos problemas para no final descobrir que tudo pode piorar.

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1. A Casa Patriarcal

      As malas já estavam no carro, meu tio deu um abraço aconchegante na minha mãe antes de nos deixar a sós e eu me virei para ela. Seus olhos estavam marejados. — Ah mãe...— murmurei antes de ser tomada pelo seu abraço — eu vou ficar bem — garanti.
       — Eu sei, eu só vou sentir saudades.
       — Não sinta, escreverei cartas para você toda vez que eu puder — me afastei um pouco dela para poder ver seu rosto úmido de lágrimas silenciosas. — Não chore.
       — Desculpe — ela enxugou o rosto com o dorso da mão. — Me prometa que, se qualquer coisa der errado, você irá me ligar.
       Revirei os olhos. — Mãe,  quantas vezes já lhe disse que não usamos telefone n...
       — Me envie uma carta, o que for!
       Sorri com a mudança de sua voz, e por saber que ela sempre estava disposta a enfrentar uma legião de bruxos por minha causa. Doida. Sem noção. — Tudo bem mãe, eu prometo — me desvencilhei carinhosamente dos braços dela e ajeitei a bolsa de couro que eu levava a tiracolo —, dê um beijo em Alexandre e na vovó, quando ela chegar de viagem, está bem?
       Minha mãe assentiu e antes que ela voltasse a me abraçar e fizesse com que eu mudasse de ideia eu peguei seu rosto em minhas mãos e beijei-lhe todo o rosto, corri para o carro logo em seguida. — Eu te amo!  — disse enquanto entrava.
       — Eu também te amo!
       Fechei a porta e me ajeitei no banco do passageiro, meu tio acenou para ela, deu partida, e lá fomos nós. 

       Era verão, as férias ainda nem tinham acabado, mas naquele ano em especial eu e meu tio Henry decidimos fazer algo diferente : passar quinze dias na casa do meu avô, Albert, com o resto da minha família bruxa. Eu estava ansiosa, devo admitir, não conhecia ninguém daquele lugar. As únicas pessoas que, com certeza, estavam me dado estabilidade emocional eram meus tios e meus dois primos que estudavam em Hogwarts comigo, e eu conhecia desde sempre.
        Agora...meu avô? Tio Henry disse que eu já havia o visto, mas ainda era muito pequena, talvez seja por isso que eu não me lembrava.
        — Gui estava quase explodindo de felicidade na última vez que o vi — meu tio disse.
       Ah... o adorável Guilherme, carismático e inteligente demais desde pequeno. Era grudado em mim e, apesar de ser três anos mais jovem e ser apenas um garotinho, sempre tínhamos os melhores debates juntos.
       — Ele está empolgado?
       — Quando Gui não está empolgado ao seu respeito? — meu tio riu.        Eu ri também. — E Sam?
       Tio Henry balançou a cabeça lentamente. — É...ela também está contente.
       — Contente? — franzi as sobrancelhas. — Não senti muita firmeza nesta sua afirmação;
       — Ela só está preocupada — deu de ombros —, sabe como ela é. Uma mãe de todos com dezesseis anos de idade; Parece a sua tia.
       Ah...era mesmo verdade, Sam era uma mini Martha, e sempre fora. Íntegra, falava pouco, e educada, parecia muito mais velha do que realmente era. Podia ser tão especial quando o irmão, mas não tão carismática. — Por que ela ficaria preocupada, afinal?
       Tio Henry deu de ombros. — Eu sei lá, essas mulheres são todas doidas.
       — Ei! — dei um tapa no ombro dele. — Está do lado de uma mulher!
       — Puf... — riu, em tom de brincadeira — você é um moleque, Julie.
       Dei-lhe outro tapa e ele voltou a rir. Ficamos sem dizer nada por um tempo, até que finalmente pegamos estrada.
       — Como vamos chegar até a casa de vovô? — perguntei, vendo que estávamos tomando um caminho já conhecido para casa de tia Martha, em uma vila comum e trouxa.
       — Vamos usar a rede flú, na casa da sua tia. 

       Arqueei as sobrancelhas. — Flú? Aquele lance de entrar na lareira e pegar fogo? 

       — Isso aí. 
       — Que demais!
       Meu tio riu. — Sabia que iria gostar.
       — Por que não a usamos antes, para ir até outros lugares?
       O sorriso dele se apagou um pouco. — Eu não sei — deu de ombros. Aceitei a resposta. 



       Ao chegar na casa, que eu já conhecia tão bem, a rua estava deserta. Deviam ser umas quatro ou cinco horas da tarde de uma sexta-feira. Eu e meu tio descarregamos o carro juntos, lamentando silenciosamente o fato de não poder usar magia para isso, caso algum trouxa resolvesse dar um passeio por ali (o que evidentemente poderia acontecer, já que estávamos em um bairro trouxa).
        — Tudo bem, sua tia não deixou as chaves comigo — tio Henry começou a dizer enquanto tirava, discretamente, a varinha do bolso interno do casaco —, tem alguém olhando?
        Nós dois olhamos ao redor para conferir, não, não tinha ninguém. Mas mesmo assim...
        — Tio, tem certeza de que ela não pôs a chave embaixo do tapete?
        Ele franziu as sobrancelhas — E por que ela faria isso? Alohomora.
        Revirei os olhos enquanto ele escancarava a porta e carregava boa parte das bagagens para dentro. 

        A casa estava mais quente que o exterior, e havia um cheiro forte de lavanda que fez meu nariz alérgico coçar. Fechei a porta atrás de mim depois de dar uma boa respirada no ar puro da rua e segui meu tio até a sala, onde se localizava a única lareira da casa.
        — Ah...— ele estava com as mãos nos quadris, observando a lareira a nossa frente — lá vamos nós. Espero que esteja preparada, Julie.
       Balancei a cabeça — Eu estou.
       — Ótimo. Mas espere um segundo, temos que trancar a porta — ele saiu da sala, mas não parou de falar. — Sabe, Julie, acho que vai gostar de lá — sua voz ecoou pelas paredes da casa.
       — É mesmo? — disse, pouco interessada, e me aproximando do potinho cheio de pó pendurado elegantemente do lado da lareira. Não resisti a minha tentação e enfiei o dedo em todo aquele conteúdo, brincando com aquela areia fina.
       — É. Colloportus — ele finalmente trancou a porta. — Temos dois elfos domésticos, o Teki e o Ruminus. Ambos muito ansiosos para te conhecer, mas não se aproxime muito de Ruminus ele é um...endiabrado. — Meu tio surgiu na porta da sala e eu dei um pulo, me sentindo envergonhada por ter sido pega brincando com pó de flú. Meu tio riu.
       — Por que endiabrado? — continuei, com os dedos cheios de pó escondidos as minhas costas.
       — Incendio — tio Henry acendeu a lareira. — Bem — continuou, se endireitando e se virando pra mim — ele não tem um bom coração, ofende a todos na casa, a não ser seu avô. Talvez seja por isso que ainda não foi despedido, aquela pequena maldição.
       — Não fale assim...
       Ele riu. — Depois de conhecer Ruminus é você que vai falar dele assim — suspirou. — Enfim, pronta?
       Exitei. Mas mesmo assim bati a mão cheia de pó de flú nas vestes, para limpá-la, e assenti.
       — Quer levar Pluma com você?
       Olhei para minha coruja, dentro da gaiola no chão, e achei uma má ideia levá-la comigo. Neguei com a cabeça.
       — É mesmo? — ele arqueou as sobrancelhas. — Pensei que iria gostar de companhia.
       — Acho melhor não...
       — Bom, você que sabe — deu de ombros. — Agora venha cá, vou te ensinar como se faz — tio Henry pegou a minha mãe e levou de volta até o potinho ao lado da lareira. — Pegue um bom ponhado, isso, assim — ele afastou a minha mão deixando que um pouco de pó caísse no tapete, mas pareceu não se importar —, agora, preste atenção. Você irá jogar o pó de flú no fogo, vai entrar nas chamas, e vai dizer claramente Casa Patriacal dos Calbuch . 
       Assenti, tio Henry me olhava com muita atenção e concentração, não ousei não prestar atenção. — Casa Patriacal dos Calbuch... — balbuciei — OK.
       — Mantenha os braços juntos ao corpo também.
       — Ta.
       — Pode ir.
       Respirei fundo e fitei as chamas. Estava com medo.
       — Vou logo atrás de você, não se preocupe.
       Assenti e joguei o pó no fogo que, imediatamente, ficou verde. Meu tio me empurrou para dentro e eu disse — Casa Principal dos Calbuch — não muito alto, mas claro os bastante para tudo ficar embaçado, sumir, e virar um misto de imagens malucas.
       Eu me sentia rodar, rodar, e não parar nunca. Estava ficando insuportável, eu queria sair correndo daquela sensação, até que tudo finalmente parou, tropiquei para fora de uma outra lareira e olhei ao redor. Estava em um lugar totalmente diferente, um cômodo constituído de teto alto e paredes sem graça, tudo de madeira.
        Me sentia tonta, minha cabeça rodava muito. Me apoiei em algum lugar e fechei os olhos, enjoada. 

        Um farfalhar a minha esquerda indicava que meu tio também havia chegado. — Que viagem! — ele berrou, rindo. — Como se sente, Julie? — chegou, dando tapinhas nas minhas costas.
       Balancei a cabeça negativamente. — Nunca mais quero fazer isso na minha vida inteira.
       — Calma, daqui dois anos já poderá aparatar... 

       Meneei a cabeça. — Se não for melhor do que viajar com flú imagino que não irá me ajudar em muita coisa.
       Meu tio riu e apertou meu ombro, me incentivando a levantar a cabeça e endireitar a coluna. — Seus primos já devem saber que chegamos, não quer que te vejam verde, certo?
       Fiz careta e o empurrei, fazendo-o soltar um riso abafado. Mas, antes que começássemos a brincar feito dois moleques, tivemos que nos recompor : alguém estava estrando no cômodo. — Bom dia — disse tio Louis, com sua voz grave.
       — Olá — ajeitei minhas vestes —, como vai, tio Louis?
       Seu lábios, sempre retos fazendo jus a sua seriedade, curvaram-se lentamente em um sorriso sútil. — Bem, obrigado. Como foi a viagem? — ele indicou a lareira atrás de nós com a cabeça.
       — Ah...— crispei os lábios — foi bem...diferente.
       — Julie, querida, que saudades! — minha tia, Martha, entrou empurrando o marido e vindo me sufocar em um abraço apertado antes mesmo deu terminar de falar. A sala parecia muito mais colorida com toda aquela energia que ela conseguia exalar. — Queria ter presenciado sua primeira viagem com flú — admitiu, depois de me soltar e dar uma boa olhada no meu rosto enquanto apertava meus ombros.
       — Vai ter uma próxima vez... — murmurei, torcendo para que eu estivesse enganada.
       — Ah, finalmente! Esperamos a manhã toda por você.
       — E a tarde também.
       — Por que demoraram tanto?
       Gui e Sam vieram com toda aquela agitação que herdaram da mãe, lotando a saleta. Demos um abraço triplo, jogando tia Martha para o lado.
       — Eu pensei que não iria dar tempo de chegar para o jantar de boas vindas  — Gui declarou.
       Franzi o cenho. — Jantar de boas vindas? — olhei para tio Henry, que se apoiava desanimado na lareira e não me deu muita atenção.
       — Não é um jantar de boas vindas. É o jantar, normal — explicou Sam. — Não sei da onde esse garoto tirou isso.
       — Depois conversamos sobre isso — tia Martha interveio, agitando as mãozinhas pequenas —, agora seria mais apropriado levar suas malas para o quarto, e Pluma para o corujal...
       Arqueei as sobrancelhas. — Aqui tem um corujal ?
       — Ah, mas é claro que tem! — tia Martha riu. — Gui e Sam vão tratar de apresentar a casa para você. Aliás, está com fome? Pode comer um lanchinho antes do jantar, acabou de chegar de viagem, irá te fazer bem.
       —...eu estou bem — murmurei, já sabendo que tia Martha não me daria ouvidos.
       — Desculpe não te dar atenção agora querida, temos de resolver algumas coisas, te vejo mais tarde — ela me deu dois tapinhas no ombro e se dirigiu para a porta junto com tio Louis, antes de sair se virou para tio Henry. — Henrique — chamou, com uma firmeza que chegou a gelar meu estômago — temos que conversar. 

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