Corações de Vidro

Vivi na escuridão por muito tempo, era como uma escrava para aqueles que diziam serem meus pais, mas um dia não aguentei, vi os grandes portões abertos e sabia que aquela seria minha única chance de fugir e quem sabe ter uma vida melhor, não pensei duas vezes e fugi daquele lugar, somente com as roupas do corpo e que infelizmente não eram quentes o suficiente para me aquecer naquele inverno...

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3. Corra Violet!

Na manhã seguinte.

Ao acordar olhei para os lados estranhando estar na cama, afinal, não me lembrava de ter ido deitar, a ultima coisa da qual me lembrava era de estar de pé enfrente a janela com a fita na mão, pensar nisso me fez olhar automaticamente para a janela e ao perceber que o dia já estava claro me levantei ficando rapidamente de pé e correndo até a porta, mas logo parei ao perceber que as dores das pernas, costas e cabeça não estavam mais presentes, respirei fundo e caminhei até as escadas descendo lentamente ainda sem entender o que havia acontecido na noite anterior.

Descendo o ultimo degrau da escada avistei Stefan dormindo sentado no sofá, me aproximei dele e não pude deixar de sorrir ao ver como ficava sereno ao dormir, chamei-o enquanto o balançava para acorda-lo aos poucos foi abrindo aquelas lindas esferas azuis, parecia um pouco desnorteado, mas olhar pra mim percebi seu olhar de preocupação.

— Se sente melhor? –perguntou passando a mão sobre meu rosto, seu toque me deixou tensa e acho que ele percebeu, pois retirou a mão e pediu que me sentasse.

— Eu não sei o que aconteceu ontem, mas eu não sinto mais nenhuma dor. –disse me sentando ao seu lado.

— Fiquei muito preocupado, você gemeu de dor a noite toda, não era só a cabeça... Não é? –neguei, não tinha porque mentir para ele, mas as coisas... Estranhas, eu iria omitir.

— Não, minhas pernas e costas doíam muito também.

— Em todo caso, fico feliz que esteja melhor. –deu um beijo na minha testa. — Nunca mais me assuste dessa forma! –ri e assenti.

— Não prometo nada! –levantei-me logo após ele.

— Tenho uma novidade... –falou virando-se para mim, o encarei com as sobrancelhas arqueadas o encorajando a prosseguir. — Sylvia virá aqui!

— Mas estou melhor...

— Não é para isso. –me cortou e entrou na cozinha. — Suco? –assenti.

— Então, porque ela virar?

— Ela tem uma missão especial, fará trajes de gala para nós, iremos a um baile na cidade. –o encarei incrédula, durante estes dois anos eu nunca havia saído da floresta, Stefan nunca me levava quando ia, e claro que as vezes que ia eram muito poucas.

— Na, na cidade? –perguntei encostando-me à mesa um tanto quanto desnorteada, e encarei-o vendo preparar o suco.

— Sim, será um baile de mascara, já foi em algum? –o encarei com uma sobrancelha arqueada e ele riu. — Desculpa, ignora está pergunta.

— Este baile é como o baile retratado no livro que você me emprestou? –perguntei curiosa.

— Basicamente, sim! Mas neste usamos mascaras, assim as pessoas nunca sabem quem é, a não ser que queiramos nos revelar, sei que tem medo de sair daqui... –ele estava certo, sempre tive medo de sair e me acharem. — Mas nesse caso, ninguém a reconhecerá, não saberão que é você e poderá conhecer a cidade em qual morou, mas nunca conheceu. –concluiu sorrindo e me servindo com o suco que acabara de fazer.

— E como iremos nos vestir? –perguntei lembrando-me dos longos e glamorosos vestidos que via minha mãe usando, sempre quis usar vestidos como aqueles, mas só tinhas vestidos simples, velhos e alguns rasgados.

— Roupas finas, feitas com os melhores tecidos e claro, feitos pela melhor costureira da cidade! –sentou-se a minha frente na mesa colocando alguns pães e me oferecendo, mas recusei. –Tem que comer Violett, mal comeu ontem.

— Não estou com fome... que cor será nossas roupas? –minha curiosidade estava a mil, seria o primeiro baile que iria e desejava que fosse perfeito, igual ao do livro.

— A que você quiser, a não ser que Sylvia insista que use uma cor, você sabe como ela é! –ri disso lembrando quando ela teimava em fazer camisetas de cores diferenciadas para mim, que sempre escolhia branca, azul ou preta.

— Eu sei. E as mascaras? –me inclinei sobre a mesa sorrindo o fazendo sorrir.

— Sylvia disse que nos surpreenderá.

— Aposto que sim!

[...] 

Sylvia subia as escadas carregando duas grandes malas de couro marrom, como sempre muito teimosa não permitiu que eu a ajudasse, logo deixou uma em meu quarto e levou a outra para o quarto de Stefan, ela me parecia muito animada já que falava sem parar que esse era o momento que mais esperava e que iria me deixar como uma princesa, o que para mim era impossível, mesmo que nunca tivesse visto a família real pessoalmente e ela ficasse em uma cidade mais afastada, sabia que ser como uma princesa era impossível, sem contar que a família real eram todos de cabelos claros e olhos claros também, eu ao contrário tinha cabelos castanhos tão escuros que muitas vezes pareciam negros e olhos no mesmo tom, nada de diferente ou realmente bonito.

Meus devaneios sobre beleza acabou sendo interrompido por duas palmas dadas por Sylvia ao entrar em meu quarto, ela sorria como sempre, pediu que sentasse em minha cama e levou a mala colocando-a em minha frente, na mesma estava com todos os seus materiais de costura, ela pegava tecidos e mais tecidos os colocando para fora.

— Já pensou em alguma cor querida? –perguntou-me entregando um tecido branco.

— Não sei, talvez azul ou preto. –Sylvia torceu o nariz e me entregou outro tecido, este rosa, mais macio que o anterior.

— Qual mais gostou? –perguntou sorrindo.

— Este... –estiquei o tecido em sua direção e ela pediu o branco o guardando, logo pegou outro tecido, esse por sua vez azul tão claro que poderia ser confundido com o branco.

— E agora? –peguei melhor no tecido azul, o mesmo era liso, de uma leveza sem igual, macio e parecia incrivelmente confortável.

— O azul!

— Ótima escolha! –sorriu pegando os tecidos.

— Será está à cor? –perguntei levantando-me.

— Não, ela combina contigo, mas não lhe da o brilho que desejo... –parou de falar enquanto me observava com o cenho franzido, alguns segundos após sorriu, de certa forma maldosa, logo pegando em minha mão me fazendo rodar. — Já sei a cor que ficará perfeita em você, dará destaque nessas cascatas maravilhosas! –concluiu passando as mãos sobre meus cabelos fazendo-me rir.

— E o que você pretende fazer para o Stefan? –perguntei a vendo pegar as coisas para tirar minhas medidas.

— Preciso primeiramente desenhar seu vestido, a veste dele será inspirada em seu vestido para combinarem já que irão juntos. –disse sorrindo. — Levante os braços querida.

— Terá muitas pessoas Sylvia? –pergunto enquanto ela media meu busto.

— Sim, provavelmente mais pessoas do que você já viu em um lugar só. –passou para cintura. — E muitos homens bonitos, Stefan que não tire os olhos de você lá, pois com certeza um pode conquista-la.

— Co-como assim? –perguntei vermelha enquanto ela ria.

— Ora querida, Stefan nunca lhe viu como uma mulher, não é verdade? –abaixei a cabeça e assenti. — Pois agora ele verá, principalmente quando muitos homens tira-la para dançar!

— Dançar? Mas... Mas eu não sei dançar Sylvia. –Ela pegou a ultima medida e parou em minha frente encarando-me nos olhos.

— Eu sei, teremos semanas cheias, além de desenhar as roupas e costura-las terei que ensina-la a dançar. –suspirou. — Se Stefan não fosse como um filho para mim, nunca me empenharia tanto assim em algo, sem contar, querida, que você é a garota mais determinada e gentil que eu conheço.

— Obrigada!

[...] 

Pela milésima vez ergui o arco mirando no alvo posto na arvore logo soltando a flecha que acertou á arvore um pouco atrás, suspirei me sentando no chão fazendo um pouco de poeira erguer−se.

— Você anda muito desconcentrada, o que tá acontecendo? –perguntou Stefan sentando-se ao meu lado.

— Não sei, eu não consigo me concentrar em nada, sem contar que estou tremendo, olha... –estiquei minha mão esquerda para ele ver a mesma tremendo. — É como se eu... Temesse alguma coisa, mas não faço ideia do que seja.

— Seria o baile? Medo de reencontrar seus pais? –perguntou−me

— Talvez, realmente Stefan, eu não sei!

— Você parece bem mais madura desde que a encontrei. –comentou sorrindo.

— Isso é graças a todos os animais que tive que matar, as escaladas nas arvores, aprender a montar no Cronos e principalmente graças aos livros, sei que muitos são fictícios, mas ensinaram muita coisa da qual não sabia. –disse olhando para o céu, me deitei no chão sem me importar de sujar meus cabelos e Stefan me encarou.

— Hoje você tem o direito a um pedido! –falou, parecia querer mudar de assunto.

— E por quê? –perguntei o encarando também.

— Porque hoje, faz exatamente dois anos que a encontrei, digamos que é como seu... Segundo aniversário. –ri do comentário.

— Pensava que já havia feito dois anos. –comentei.

— Hoje, faz dois anos! E então, o que quer pedir?

— Eu não preciso de nada Stefan, você sempre me deu tudo que preciso! –voltei a olhar o céu azul com poucas nuvens bem branquinhas.

— Não tem que ser, necessariamente, algo que você precise e sim que deseje. –explicou gesticulando.

— Você...

— Oque? –perguntou fazendo−me perceber que havia dito em voz alta.

— Você poderia me deixar pensar? –havia formulado a desculpa tão rápida e a dito também que pensei que ele não entenderia.

−Ah... –riu desconcertado coçando a nuca enquanto eu me sentava. — Claro, mas tente me dar a resposta hoje a noite!

— Eu estava pensando em quem sabe umas duas semanas para pensar... –disse pensativa.

— Porque tanto tempo? –perguntou curioso.

— Porque terá o baile, então verei a cidade e quem sabe não acabe vendo algo que me agrade?

— Entendi, mas você poderia fazer seu pedido hoje à noite e caso visse algo que lhe agradasse na cidade, poderia me pedir, não lhe negaria nada, jamais! Você sabe disso! –levantou−se estendendo a mão em minha direção qual peguei para que me ajudasse a levantar−me.

— Eu sei, mas você também sabe que eu não sou o tipo materialista, não preciso de muito, um pedido está de bom tamanho, tenho certeza que será algo especial! –falei sorrindo.

— E provavelmente trabalhoso como a penteadeira, não é? –perguntou brincalhão.

— Provavelmente!

[...] 

Sentada de frente a penteadeira eu olhava para minhas mãos que continuavam a tremer, uma angustia foi tomando aos poucos conta do meu coração dando−me um aperto no peito que me deixou sem ar por alguns segundos, encarei o espelho em minha frente vendo meu rosto pálido, mas os lábios tão vermelhos que pareciam terem sido tingidos por sangue um fio do liquido vermelho de meus lábios escorreu pelo canto da minha boca, de imediato passei meus dedos sobre os lábios, mas nada ali havia, encarei novamente o espelho onde os lábios ainda pareciam tingidos e a pele tão branca que parecia que todo o sangue de meu rosto saia pelos lábios;

Senti uma presença atrás de mim e pelo espelho via uma sombra, ao me virar assustada nada vi, olhei para o espelho de novo podendo ver a imagem estranha, tanto de mim mesma quanto do que havia atrás de mim, sem entender o porquê senti a necessidade de tocar o espelho e assim fiz, mas ao toca−lo uma dor forte atingiu meu peito fazendo−me soltar um grito de dor e fechar os olhos, ouvi meu grito ecoar algumas vezes e abri os olhos me deparando com um longo e escuro corredor, me virei assustada, mas o que encontrei foi apenas mais um caminho longo e escuro, ouvi alguns passos e temi pelo que pudesse ser, já que nada eu conseguia enxergar, respirei fundo dando alguns passos para trás.

— Olá? –disse tentando engolir o medo, o que não havia funcionado muito bem. — Tem alguém ai?

Algo passou por mim derrubando−me no chão, com medo encostei−me na parede, mas mãos me seguraram pelos ombros fazendo com que minhas costas fossem afundando juntamente com a parede, em desespero me debati e gritei tentando soltar−me daquelas mãos que pareciam me queimar, em poucos segundos percebi que mal podia me mexer, respirei fundo e olhei em volta vendo estar em um lugar completamente diferente, as paredes eram feitas de tijolos marrons e pareciam gastos, havia um único feche de luz que clareava o local e este vinha por uma fresta do telhado, o lugar era úmido e fedia, tossi um pouco por causa do cheiro e olhei para minhas mãos e as mesmas estavam amarradas por correntes na cama em qual estava deitada, puxei uma perna e senti a corrente prendendo−a pelo tornozelo, com um mínimo movimento na outra pude senti−la amarrada também.

Já havia passado longos minutos nos quais tentava me soltar mantendo a calma, mas a cada segundo que passava o desespero ia tomando conta de mim, as primeiras lagrimas começavam a escapar, parei por dez segundo e respirei fundo puxando os braços com toda força que tinha, o que me fez gritar por conta da dor, naquele momento o desespero já tomava conta de mim e os gritos de dor e agonia se misturavam as lagrimas e pedidos de socorro que eram em vão.

— Cale−se imunda! –gritou uma voz que não pude distinguir se era mulher ou homem.

— Quem está ai? Me solte! –gritei desesperada, mesmo no fundo sabendo que aquilo era ridículo.

— Violet, garota do sangue sujo! –falou outra voz, esta lembrava voz de alguém já velho e pela tosse seguida da frase, moribundo.

— Por favor, solte−me, o que querem comigo? –perguntei entre soluços.

— Solta−la? –perguntou a primeira voz. — Mas não está presa, querida.

Olhando para minhas mãos pude vê-las soltas, assustada passei a mão sobre os pulsos e os tornozelos também soltos.

— Quem são vocês? Onde eu estou? –uma risada vinda da segunda voz fez−me arrepiar.

— Procure a saída Violett, ou ficará presa para sempre, corra! –levantei−me e olhei para os lados, não havia ninguém, mas pude ver uma porta.

Corri até a porta e ao abri−la deparei−me com a floresta cinza, nebulosa e que parecia aceitar bem a morte, andei devagar até aproximar−me dela "procure a saída Violet..." ouvia alguém sussurrar, mas a voz não era a mesma da que ouvia na sala anterior, "Corra Violet, corra!" então corri, entre as arvores mortas, barulhos estranhos vinham de todos os lados, não tinha como não assustar−me a todo momento, um grito de dor vindo de um dos cantos da floresta de fez para, logo pude ouvir o grito novamente, desta vez acompanhada de risadas infantis, junto a sons de passos que quebravam as folhas secas caídas no chão, pedido de socorro, choros compulsivos de misturavam ao gritos e risadas, com as mãos nos olvidos ajoelhei−me tentando abafar o som, apertava a cada momento mais fazendo o possível para o som ser abafado, porém nada adiantava.

— Parem, parem, por favor... –murmurava sentindo uma grande angustia que era transmitida dos sons terríveis, parei por um momento e respirei fundo, soltando todo o ar de meus pulmões de uma vez. — PAREM!

— Violet! –abri os olhos e vi estar em meu quarto, encolhida no canto, Stefan estava na porta, parecia desesperado e pelo jeito havia acabado de entrar. — Violet, o que houve? –correu até mim ficando de joelhos em minha frente segurando meu rosto com as mãos, não consegui me controlar e comecei a chorar.

— Aquelas vozes não paravam, eu não sabia co-como sair de lá, eu pedia, mas eles não paravam. –disse entre soluços e Stefan me encarava sem entender, mas logo me abraçou encostando minha cabeça em seu ombro. — Era tudo horrível Stefan, e e-eu estava sozinha!

— Hei calma, está tudo bem agora, eu estou aqui com você! –disse acariciando meus cabelos. — Não chore...

Stefan se levantou ajudando−me a levantar também, eu olhei para os lados antes de dar o primeiro passo em direção a minha cama, estava com medo de ter algo ali, olhei para o espelho de penteadeira e tudo parecia normal, encostei a ponta dos meus dedos em meus lábios e vi os mesmo secos, respirei fundo e lentamente, tremendo, caminhei até minha cama onde me sentei, mantinha−me atenta a cada canto do quarto, qualquer coisa estranha que visse rapidamente me afastaria, meus olhos percorriam pelo quarto rápidos e atentos como olhos de uma coruja ao cair da noite.

— Violett, você está bem? –neguei lentamente com a cabeça, não sentia em condições de falar. — Quer me contar o que aconteceu? –simplesmente o encarei e logo fechei os olhos apertando os lábios com força por conta do medo de lembra−me das coisas que ouvi, vi e senti.

— E-eu... –por mais que tentasse não conseguia continuar.

— Esquece, conversaremos sobre isso amanhã. –sorriu de forma doce sentando−se ao meu lado. — Estarei aqui do lado, qualquer coisa, me chame. –beijou−me a testa e pôs-se a levantar, imediatamente segurei sua mão e impedindo.

— N-não vai... –pedi de cabeça baixa. — Por favor! –percebi que ele hesitou antes de responder, mas não queria ficar sozinha, não podia.

— Tudo bem... –agachou−se em minha frente e tirou as botas de meus pés. — Você está muito nervosa, vou preparar um banho para você, eu já volto, prometo. –disse cada palavra tentando passar o máximo de confiança e naquele momento acreditava que havia conseguido.

Ele logo levantou−se e saiu pela porta, novamente meus olhos correram pelo quarto, cada canto dele, até chegar a janela quando vi a ave da noite anterior sair voando, meu coração foi a mil como se a qualquer momento fosse sair pela boca, novamente aquele pássaro aparecia após algo estranho acontecer, cogitei na ideia de me levantar, mas desisti, me sentia fraca e cansada.

Não demorou muito para Stefan voltar ao meu quarto, sentou−se ao meu lado e soltou meus cabelos presos em trança como na noite anterior.

— Onde está a fita? –perguntou−me e no momento a única coisa que veio em minha cabeça. É que estaria na janela, trazida pelo pássaro de linda plumagem.

— Não sei. –respondi simplesmente.

Levantei−me com sua ajuda e levou−me até o banheiro, onde me deixou despir−me enquanto esperava do lado de fora, após de despir entrei na grande banheira cheia de espuma, passei as mãos sobre meus ombros e senti leve incomodo neles.

— Já está na banheira? –perguntou ainda do lado de fora.

— Estou. –respondi de forma vaga enquanto lembrava−me das mãos que me agarraram pelos ombros.

— Vou ajuda-la. –ouvi Stefan, virei o rosto vendo−o agachado ao lado da banheira, então pude entender o porquê do tanto de espuma, senti meu rosto queimar com a vergonha, mas não me importei tanto, o que mais me interessava naquele momento era conseguir esquecer as cenas que se repetiam em minha mente, simplesmente abracei minhas pernas repousando a cabeça nos joelhos.

Senti uma de suas mãos em meus cabelos os colocando para o lado, logo senti ele passando levemente a esponja em meus ombros e costas por alguns segundos, parando pegou em meu rosto e levantando−o começou a lavar meus cabelos, fecheis os olhos sentido seus dedos passarem em meus cabelos os massageando e causando alguns arrepios por meu corpo, depois de enxágua−los levantou meu rosto para ele fazendo−me o encarar, sorriu carinhosamente para mim e selou seu lábios em minha testa.

— Estarei aqui fora, qualquer coisa me chame! –assenti e o vi sair, respirei fundo evitando ter mais daquelas imagens em minha mente, terminei de me banhar e liguei o chuveiro tirando toda espuma do meu corpo, enrolei−me na toalha e sai do banheiro dando de cara com Stefan que caminhou comigo até a porta de meu quarto.

Entrei encostando a porta e fui me trocar, após me vestir sentei-me de frente a penteadeira, encarei o espelho por alguns minutos, tanto que assustei−me quando Stefan bateu na porta, disse para que entrasse e assim fez, quando ia começar a pentear meus cabelos ele pegou a escova de minha mão e começou a penteá-los.

— Obrigada. –disse o olhando pelo espelho.

— Pelo o que exatamente? –perguntou atento aos meus fios longos.

— Cuidar de mim, sempre cuidando de mim. –dei uma risada baixa e o vi sorrir.

— Lembra-se do que eu disse para você no dia em que te trouce pra cá? –perguntou colocando a escova na penteadeira e me encarando pelo espelho, eu simplesmente assenti. — E o que foi?

— Que nunca havia sentido que precisa cuidar de alguém, até me encontrar. –ele sorriu e continuou o que eu disse.

— E que cuidaria de você até meus últimos dias. –sorri para ele e sussurrei um "obrigada". — Boa noite, Violet!

— Boa noite, Stefan! –observei−o sair do meu quarto, apaguei as luzes e me dirigi a minha cama, apesar do medo que sentia, tentava ignora−lo até que realmente pegasse no sono, o que não demorou muito.

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