Paper Souls * Calum Hood

"Tu és tão misteriosa e pensativa. Queria estar na tua cabeça nestes momentos, e saber o que pensas." "Oh, ninguém vai saber o que eu penso, Calum. Muito menos tu." Plágio é crime Copyright © 2015 All Rights Reserved by Cakeslittlegirl

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11. 10. A Tracy... Tracy Montgomery

- Desculpa, Calum. - Acordei dizendo, ainda que sem forças e com os olhos aguados de lágrimas. - Desculpa. - Voltei a repetir. 

O sentimento que percorria o meu corpo, depois deste ser revolvido por espasmos e choro, por ansiedade e vontade de morrer naquele momento, era enorme. Era gigante e ardia no meu peito. Não o conseguia controlar. Como tudo na minha vida, à minha volta. 

- Shiuu. - Num ápice senti-o ao meu lado. Sentou-se na beira da cama e afagou-me o cabelo carinhosamente. - Foi um longo dia, Faith. E eu não devia ter feito força contigo. Eu levo-te a casa.

- Não! - Despertei, tendo feito um maior esforço para gritar. Não quero ir para casa. - Por favor. Estou com um mau pressentimento. Não quero ir para casa. 

- Tens de ir para casa. Precisas descansar.

Calmamente deitou-se do meu lado, puxando-me para os seus braços. Achava tão reconfortante estar assim, sem qualquer tipo de malícia ou segundas intenções. Apenas amizade e o conforto dos braços de alguém que, aparentemente, se importa de verdade. 
Ouvi o seu coração palpitar e recostei-me, deitando a cabeça no seu peito, ouvindo-o bater calmamente. Não havia nenhuma ansiedade naquele momento em nós. 

- Deixa-me ir contigo... ao bar. - Pedi. - Por favor, Calum. Deixa-me ir contigo. Não me sinto confortável a ir para casa.

- E eu não me sinto confortável ao saber que estás assim e não estás a descansar. - Reforçou.

- Desde que esteja contigo, eu estou bem. Apenas não me peças mais para te contar o meu passado. - Pedi, olhando-o nos olhos.

Será que com isto ele se irá afastar? Será que com isto eu perco tudo? É com pequenos detalhes que uma história de faz, que um erro se comete. Que uma pessoa morre.

Não estou a fazer nada do que o que devia. A verdade é que o medo é maior e isso aumenta a minha ansiedade. O medo que eu tenho por me estar a aproximar demais. A verdade é que não me quero apaixonar. 
Não digo que o vá fazer, mas nós não escolhemos, então, sim, eu tenho medo. Tenho medo de gostar, de sentir falta e dependência.

Um desejo que eu tenho é poder saber o futuro e consequentemente saber por quem me haverei de apaixonar. 
Quero alguém que me queira e não me parta o coração. Quero alguém que me abrigue, que me iluda de amor verdadeiro. Quero alguém para mim. Alguém que me proteja nas noites de trovoada, que me limpe as lágrimas. Que me ensine os seus erros e corrija os meus. Só preciso de alguém. Verdadeiro. Alguém que não me lembre o Tyler. Alguem real.

- Tive medo, Faith. Medo do estado em que estavas. - Pronunciou, agarrando-me com força. - O Ashton também tem ataques de pânico. A última vez que os teve, foi parar ao hospital. Não iria suportar ver-te como o vi. Naquelas camas, naqueles quartos sem vida. Naquele sítio sem cor. Ligada aquelas máquinas.

- Shiu...- levantei-me e beijei a sua testa. - Eu estou bem. Só preciso espairecer.

[...]

- Se alguma coisa te acontecer, eu mato-te. - Sussurrou-me ao ouvido quando entramos no bar. 
Ashton, Michael e Luke arranjavam já o palco. As mesmas raparigas estavam na última mesa do bar. Eu podia ver que estavam interessadas em algum deles. Pelo menos uma, que quando Calum entrou ela saltou da cadeira. Reviro os olhos. Típica rapariga que anda atrás dos elementos de uma banda, pensando que eles vão ser os badboys que elas sonham. Ah!. 
- Olha quem é ela! - Ouvesse Michael a gritar e saltar do palco, vindo em nossa direção. - Hum... Será que se vai tornar um hábito a tua vinda aqui? - Tocou-me no braço, brincando com a minha manga e despenteando o meu cabelo.

Uma pessoa que não estivesse habituada a lidar com eles, como eu, provavelmente iria ver-se muito chateada com estes atos. Mas a minha pessoa não. Não quando na minha casa, na minha verdadeira casa que Melbourne é, tenho Clarke. E o Michael faz-me lembrar tanto ela.

- Michael! - Calum guinchou dando-lhe um pequeno soco no peito que os fez rir.

- O que foi? Gosto de a ter cá. Pelo menos temos uma fã!

- Não sou a única. - Com o queixo apontei para a mesa habitada pelas duas raparigas.

Uma tinha cabelos loiros, e essa olhava para mim com uma expressão mortífera de quem estava a comer-me com o olhar. Oh, merda. Não suporto isto. Deixa-me nervosa, ansiosa. 
Calum foi embora depois de me dar um beijo na testa, e Michael abandonou o local em seguida a este, sem antes me segredar ao ouvido: - Elas são inúteis. Não ligues. Prefiro o Calum contigo.

Oh, o quê? Ri interiormente e não pude de criar uma faceta mental para o Michael. Michael, a casamenteira. Não. Não mesmo. Com o Calum não. 
Desde a primeira vista que criamos uma aliança de amizade, não de amor.

Olho para eles, os quatro no palco a rirem e a ensaiarem minutos antes do concerto. Ficam todos tão apaixonados. Quem me dera poder apaixonar por algo que me deixasse feliz. Oh, isso é impossível Faith.

Ashton e Luke não tinham vindo à minha beira, mas olharam para mim agora. Ashton Sorriu e acenou alegremente, já Luke deixou a guitarra suspensa no pescoço e abanou os dois braços bem no ar. Duas vezes. Creio que à segunda já não era para mim e sim para a rapariga que estava atrás. Conheço esta cara. 
Ele saltou do palco e vinha em minha direção. Em direção a ela. 
- Olá Ariel. - Ouvi-o dizer.

- Esta é a namorada do Luke. Ela é da nossa turma. - quando reparo, Calum está a sussurrar-me ao ouvido os detalhes do que de passa à minha volta.

- Olá Faith! - Ela comprimentou-me com alegria e a minha única  reacção foi olhar ligeiramente de lado. Como ela sabia o meu nome? Eu não me relaciono. - És Faith, certo? Oh, merda. Eu e os nomes não nos damos bem. - A rapariga disse atrapalhada.

- Sim. - Ri da sua reacção.

A rapariga, também esta loira  de cor mais escura - o chamado loiro sujo - mostrou-se descansada por estar certa quanto a quem eu sou. 

Há primeira vista Ariel parecia-me bastante simpática e amigável, mas como tudo na vida fico de pé atrás pois as linhas que pisei antigamente, todas elas, ditavam a desilusão e a amargura. 

- Ela não foi sempre assim. - Novamente ao meu ouvido, Calum segredou calmamente. Creio que para não me assustar. 

Eu admirava Ariel quando ele teve este ato, e juro que ele me leu a mente quando decidiu desvendar um pouco do que ela parecia ser ou ter sido. 

- Vais entender, com o tempo, que no meu grupo de amigos todos temos uma parte de um passado dificil. Só te cabe a ti decidires se queres ultrapassá-lo ou não. 

- Talvez noutra altura. - Voltei-me para Calum que me amparou as costas com a palma das suas mãos. 

O aroma a café e a alcool pairavam no ar, no bar. Era agradável para uma viciada em café como eu. Hum... Sabia tão bem um café agora. Sorri para Calum, trincando o lábio, revolvida pela vontade que percorria o meu corpo.

- Dá-me um cigarro, por favor. - Pedi-lhe. - Estou com vontade de fumar um cigarro e beber um café. 

- Café!? - Indagou. - Não agora. Muito menos tabaco!

- O quê? Porquê? - Invadida por um mau humor instantaneo, causado pelas restrições de Calum, decidi sentar-me nas cadeiras do balcão. - Odeio-te. - Rodei nela, virando-lhe as costas. 

- Sou como uma quarta-feira, não é? - Gargalhou. - Faith, não te vou deixar ficar mal novamente. O café aumenta o batimento cardíaco, logo aumenta a ansiedade. E fumar... bem, tu sabes que eu não gosto que fumes. Que alguma rapariga fume. 

- Oh, outra vez essa conversa. - Revirei os olhos perante aqueles argumentos. - Já te disse também que não te pedi para gostares, ok? E... eu estou bem. Eu estou muito bem agora. 

Para a minha mão ele passou um cigarro e o esqueiro, quase que a medo, mas eu não posso negar que na cara dele, Calum se via por vencido com a minha pequena argumentação. Nada de especial, mas devia lhe tocar no peito, deixando-o devastado com a capacidade que tenho de o poder ver as coisas de uma maneira oposta à sua visão. 

- Obrigada! - Num pulo saltei da cadeira, beijei a sua bochecha, e dirigi-me para a entrada do bar. Sozinha. Gosto de fumar sozinha, no meu canto, a reflectir enquanto o fumo me corroí os pulmões. 

Sentei-me na beira da janela do bar, ouvindo o som vindo de dentro, das guitarras a serem afinadas e o som das vozes melodicamente coordenadas dos rapazes que, também eles, se afinavam. 

- Posso? - Perguntou Ariel aproximando-se, notoriamente, a medo. 

- Claro! 

- Oh. Estás a fumar. - Baixou a cabeça. - Não gosto muito de levar com o fumo e assim. - Informou, baralhada. 

- Estou quase a acabar. - Soltei um sorriso envergonhado. - Enquanto isso, mantêm distancia. - Disse-lhe num tom de brincadeira, e ambas nos rimos da minha tentativa de piada. 

Haveria uma caracteristica em comum entre todos nós, como realmente Calum havia realçado, eu poderia ver a semelhança entre mim e Ariel no seu olhar, quase como se pudesse eu acreditar vivamente que ela era como eu antes. Que ela era renegada pela vida, desiludida por esta e atraiçoada por outros. Quase que podia acreditar nisso e que a recuperação dela foi o Luke. Bem vi o beijo apaixonado que dera e a cumplicidade que eles tem. Bem vi que aquilo era mais que um mero casal de namorados. Era também um casal de amigos, melhores amigos. Uma cumplicidade verdadeira, forte. Uma cumplicidade que eu nunca irei ter com ninguém pois o meu medo não permite. O medo que Tyler me instalou. O medo que, embora isto não exista por ele me ter maltratado, mas sim por ele nunca me ter amado. 

- Posso fazer-te uma pergunta? - Ela disse. 

- Sim, claro. 

- Tu e o Calum... vocês... vocês faltaram juntos, hoje? - Perguntou a prestações, de pé atrás com aquilo que haveria de dizer. A distinção entre o certo e o errado. 

- Mais ao menos. - Sim, ela estava a julgar que eu sou má influência. De certeza. - Fui ao médico. Sozinha. Mas... ele apareceu lá. Dificil de explicar. - Apaguei o cigarro e abanei as mãos, revolvida pela hesitação constante de querer falar e não querer falar ao mesmo tempo. 

- Oh! Não quero que me justifiques! - Lançou um sorriso calmo. - Só queria saber se ele estava em boas mãos. - Piscou-me o olho. - E eu não sou controladora com as faltas de alguém. Se ele faltou, faltou porque quis. Oh, e sim. Tenho a certeza que contigo ele estava em boas mãos. 

Num passo semelhante uma há outra, caminhamos de volta para o interior do bar.

- Juro que mal te vi a entrar naquela sala pude reparar que tu eras perfeita para completar este grupo. Aliás, eu estou a precisar de mais uma rapariga neste grupo, Faith! Não me desiludas. Aturar estas quatro pestes sozinha tem muito que se lhe diga. - Gargalhou, fazendo-me ter a mesma reação. - Oh, merda. - Ouvia dizer. - Se eu não estivesse a ver com os meus próprios olhos, diria que era mentira. - O copo de água vazio que a rapariga segurava caiu automaticamente ao chão e eu não me havia apercebido do porquê. 

- Que se passa? - Ri, achando que isto era uma brincadeira qualquer vinda dela, ao ver, provavelmente, alguma "asneira" que os rapazes fizeram. 

- A Tracy... Tracy Montgomery. Ela e o Calum estão a beijar-se. 

Encarei o caminho em frente vendo, no horizonte, uma loira - a loira que me havia olhado de lado anteriormente - pendurada e agarrada a Calum. Estes beijava-se, sem algum tipo de paixão aparente. Bem, cada um faz aquilo que quer, não é verdade? 

- Acho que já arranjaste a outra rapariga para te ajudar a aturar os rapazes. - Engoli em seco. De facto esta visão não era agradável de se ver quando, literalmente, eles se comiam e não se beijavam. Eles comiam-se. Vivos. 

- Estás a brincar, não? - Ela arregalou os seus olhos azuis e puxou o meu braço como se estivesse prestes a ditar um aviso. - Esta rapariga é uma puta. A sério! Tem fama disso! - Franziu o cenho e fez-me sentar ao lado dela, numa mesa perto da entrada. Ariel estava realmente zangada. - Não sabes o quão bem eu quero para o Calum. Ele é um irmão. Conheço-o desde o décimo ano e embora só sejam três anos, acredita, é muito quando convives todos os dias com uma pessoa. Vê-lo com ela é desgastante. E saber que ele vai acabar como o ex dela... é aterrorizante. 

- O que... o que se passou com o ex dela? - Questionei a medo. Já só de olhar para aquela loira me mete uma certa raiva, sabendo que coisas más aconteceram anteriormente a partir dela. Mas porquê? Porque é que tem de ser sempre loiras oxigenadas? Com o Tyler foi exatamente igual. 

- Ela acabou com ele porque ele não tinha mais dinheiro. - Foi direta. - Ela é obcecada por dinheiro, sexo e fama! Deixou-o com dividas. E abandonou-o mesmo quando os pais dele haviam morrido num acidente de carro. Há duas semanas.

 
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