Paper Souls * Calum Hood

"Tu és tão misteriosa e pensativa. Queria estar na tua cabeça nestes momentos, e saber o que pensas." "Oh, ninguém vai saber o que eu penso, Calum. Muito menos tu." Plágio é crime Copyright © 2015 All Rights Reserved by Cakeslittlegirl

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7. 06. Beside you

Ainda um pouco antes das quatro da tarde, Calum foi embora, indo até ao suposto bar central, onde se iria encontrar com os restantes membros da sua banda para ensaiarem para o concerto de mais tarde. Sendo assim, fiquei sozinha em casa, esperando que às oito da noite a minha mãe chegasse.

Abri o computador e instalei-me na cama. Não pude deixar de pensar, enquanto este ligava, na maneira de ser de Calum e naquilo que ele fez hoje.

Odeio-me por me estar a envolver socialmente com alguém. Odeio-me porque é um rapaz. Odeio-me porque ele parece ser uma boa pessoa. Uma pessoa melhor que eu, como todos são.

O skype abriu em primeiro plano quando o computador iniciou, finalmente, sessão. Logo fui bombardeada por mensagens de Clarke que, em vez de lhe responder, liguei de imediato a web.

Do outro lado ela recebia-me com um sorriso amigável, embora isso não tivesse durado muito, pois logo a sua expressão mudou para algo semelhante a um agente do FBI pronto para colocar umas vinte mil questões. 
- Como estão a correr as coisas aí em Sydney? - Perguntou, deixando o seu rosto apoderar-se de uma melancolia notória.

- Bem.

Para além de todas as memórias e questões suicidas que habitam em mim; para além de todas as recordações que eu desejava serem o meu presente e não o passado; para além da antiga Faith Miller, eu estou bem. Para além da vida, eu estou bem. Estou normal. Estou viva.

- Vi o Tyler está manhã. - Avançou receosa. - Ele perguntou-me por ti.

Repentinamente calei-me, sendo possuída por uma falta de ar imensa, incontrolável. Tyler, Tyler. É sempre ele. E vai ser sempre ele.

- Eu disse-lhe que foste para Sydney. - Completou.

- E ele? - Deixei a minha curiosidade fluir.

- Pareceu-me triste.

A antiga Faith iria ver isto como uma luz, como uma esperança de que ele ainda se importa comigo; de que ele algum dia se importou comigo. Mas agora? Agora não. Depois disto tudo, não. Tyler Parker, ainda que para além daqueles olhos castanhos claro que sempre que pestanejavam eu via estrelas. Via o céu no seu olhar, Tyler era fogo que me incendiava; me matava. Mas ele perguntou por mim... ele ainda sabe que eu existo. Ele ainda se lembra de mim, mesmo estando com outra.

PARA FAITH! O Tyler não te quer; nunca te quis; nunca te vai querer. Olha para ti, ainda apaixonada e a milhas de distância dele. Olha para ti, a vê-lo como um anjo enquanto ele te vê como uma diversão. PARA FAITH! Estás a pensar no passado e estás a matar-te lentamente. É isso que queres? Morrer? Sim, talvez queira morrer. Por ele? Oh, por ele... Não. Por algo que valha a pena.

- Faith! - Despertei com um grito de Clarke. - Não vais ficar em baixo por causa dele, pois não?

- Não! Claro que não! - Respondi, mentindo, com um sorriso. Claro que não, claro que não. O pior é que eu já estava no fundo.

É um sentimento tão difícil de explicitar, aquele que me corrói agora e anteriormente me felicitou por todos os segundos que eu passei com ele. 
É um sentimento tão duro. Porque é que o estou a sentir? Não é, nem de perto nem de longe, justo. Eu não deveria estar a lembrar-me dele ou de quando ele me ia levar a casa; eu não me devia estar a lembrar de quando ele sorria para mim e o meu mundo ruía. Eu não me devia lembrar de nada. 
Cada vez mais poderia aceitar um coma induzido. Não faço falta neste mundo e acabava numa cama, onde ninguém ne podia chatear - que eu notasse.

- Ugh, lembraste do Josh? - Questionou. - Aquele que quase me partiu o nariz com o cotovelo, de tão alto que ele é?

- Como me poderia esquecer? Falaste disso as férias todas. - RI, ainda que com as lágrimas nos olhos.

Olho para o relógio. São oito menos cinco da noite e ouço a porta da frente abrir, permitindo-me saber que a minha mãe havia chegado a casa.

- Ele está na minha turma! Reprovou o ano passado. - Informou. - Urgh, e entrou uma tal de Jessica para a turma também. Ela está a fazer-se a ele! - Dramatizou como uma louca.

- Podemos continuar esta conversa depois? Tenho de ir jantar. - Pedi.

- Depois do jantar vens para o computador?

- Não sei. Talvez. Estou cansada. - Misturei todas as minhas questões numa só resposta, não sabendo também o que queria dizer de verdade.

Os passos que a minha mãe dava pelo corredor eram um sinônimo de cansaço que eu já conhecia desde pequena. 
Os suspiros dela eram pesados e tristes. Como sempre. Pelo menos desde Peter.

- Faith! - Gritou invadindo todos os espaços mortos desta casa.

- Já vou. - Gritei de volta despedindo-me de imediato de Clarke. - Diz!

Num ápice alcancei o corredor, onde ela se descalçava das suas botas pretas, semelhantes às da tropa, e desapertava as calças azuis escuras da sua farda. 
Encarou-me com uma expressão meiga que misturava um trago de culpa. O que se passará?

- Correu bem o teu dia? - Começou por perguntar.

- Sim. Porquê?

Estranhei a pergunta, sendo que - tal como disse a Calum - ela já não se importa comigo à muito tempo. Posso jurar que já se passaram anos desde a última vez que ela perguntou como havia sido o meu dia. E nesse dianesse dia eu fiquei a saber que os meus pais se iam divorciar.

- O Peter... Foi ao meu local de trabalho hoje. - Suspirou, puxando-me para si e guiando-me até ao quarto dela. - E deu-me aquele ramo de flores!

Bela está excitadissima com aquilo. Os seus olhos brilhavam como estrelas e ela aparentava estar feliz. Questiono-me porquê e a minha raiva sobe à cabeça. Porquê? Porquê? 
Ele foi o homem que lhe fez mal, que nos fez mal. Qual será a desculpa dela agora? Só por ele lhe ter levado um ramo de flores? Todos os homens são capazes de o fazer para agradar alguém e para voltar a ter alguém. Para voltar e voltar a fazer mal às pessoas que um dia já fizeram.

Sim, e? - Retorqui ironicamente. - Estás a pensar voltar a metê-lo na tua casa novamente? Estás a pensar fazer isso para voltarmos a fugir e a mudar de cidade mais uma vez?

Estou revoltada. É normal. Ela encolhe os ombros e deixa-me a pensar que é isso que ela realmente quer. 
Para ela isto é uma questão que não passa de feição. Bela estava afeiçoada a ele e a não estar sozinha, e agora que se depara solitária, só quer um ombro. Um porto seguro onde ela possa chorar; proteger. 
Entendo, juro que entendo essa necessidade. Só não entendo o porque dele ela ver nos olhos de Peter as respostas a isso. Ele NÃO é as respostas para nada. Ele tentou matar-nos!

- Não tens emenda, pois não mãe? - Indaguei. - Enfim.

Suspirei, agoniada, indo num passo acelerado até ao quarto. Merda, merda, merda. 
Olho para a cama desfeita, para o computador fechado com a luz azul a piscar, e para as paredes. Para as paredes pintadas em tons de morte. De medo. De dor. As minhas paredes. 
A porta fechada era invadida por semi-arrombadelas dadas pela minha mãe, totalmente eufórica, do outro lado.

Faith, abre a porta. - Ela gritava.

- Pára de ser histérica! Já te disse o que te tinha a dizer! - Avancei até ela. Abri a porta e encarei-a cruelmente. - E fica já sabendo que se meteres aquele homem aqui em casa, é ele a entrar e eu a sair. Ficas por tua conta. Desculpa, mas eu não vou viver por baixo do mesmo teto da pessoa que me tentou matar.

Telemóvel num bolso das calças, chaves na outra. Cruzo a minha mãe que chora desenfreadamente. Fui cruel, mas ainda assim acho que ela o mereceu ouvir.

- Onde vais, Faith? - Questionou.

- Queres mesmo saber? Estás importada comigo agora? Não preciso que te preocupes, obrigada.

[...]

Vagueio pelas ruas de Sydney, embora não esteja muito longe de minha casa. São dez da noite e cá fora já se começam a ser ouvidas as músicas dos bares. Lembro-me de Calum e do seu convite. No bar central. No bar por onde passo agora. 
Deverei entrar? O que acontecerá se eu o fizer? E se não o fizer? Não importa, vou entrar.

Cá dentro estava pouco gente. Cálculo que isto vá encher mais um pouco. 
Numa mesa a um canto estavam umas raparigas, ao balcão estava um senhor a preparar cocktails, penso, e no palco estava o Calum com mais uns três rapazes. Já eu, arrastava-me pelo espaço livre que ali havia. Pensei em chamar por Calum, mas ele estava concentrado demais, então não ousei fazê-lo. 

- Faith!!! - Ouvi chamarem. Ouvi-o chamar-me. - Pensei que não vinhas.

- Mudei de ideias. - Informei. - Não tinha nada que fazer, então decidi passar por aqui.

- Acho que fizeste muito bem. - Sorriu, arqueando-se para me beijar na bochecha.

Repentinamente ouço alguém gritar. Parece que vem do palco, então olho para lá. Realmente era de lá. Era um rapaz, provavelmente da idade do Calum, que descera o palco e nos alcançara sobre gritos, onde dizia: "AHH, arranjaste alguém finalmente? E não dizes nada? Pensei que fossemos amigos."
Fiquei confusa, de nada me pronunciei. Olhei para eles os dois, e mentalmente ri um pouco.

- Não! Ela é apenas uma amiga. Da minha turma. - Calum respondeu, tentado esconder o embaraço em que se encontrava. Assenti com a cabeça, confirmando a situação.

[...]

São quase onze horas e o concerto deles começou à pouco mais de dois minutos. Eles ainda tocam a primeira música, e eu estou aqui, encostada ao balcão a olhar para o palco e a abanar-me lentamente ao som do acordes tocados, como se me estivesse a divertir. 

Na hora anterior eu pude conhecer os outros elementos da banda que, tal como Michael - o rapaz de cabelo roxo que correra até nos - acharam que eu e Calum tinhamos um caso, pois pelos vistos sou a primeira pessoa que lhes é apresentada. Amiga.

Luke era o loiro de olhos azuis e o vocalista da banda, que neste momento se apoderava do palco para tocar na sua guitarra e invadir as paredes deste bar com a sua bonita voz. Michael era o guitarrista e a pessoa excêntrica do grupo, que também pode ser considerado como a animação total do mesmo. Embora, pelo que parece, a combinação de todos eles é estrondosa ao ponto de ser a perfeita para que ninguém morra entediado no meio deles. Ashton, o baterista, era o - aparentemente - mais calmo. O mais meigo. O mais como eu. Ou como o meu antigo eu.

- Hum... Olá. - Felicitou Calum para as pessoas que o ouviam. - A próxima música é especial, e eu vou dedicá-la a uma pessoa que está aqui hoje. Obrigada por teres vindo. Faith. - Olhou-me e piscou-me o olho, rindo-se angelicamente para mim. - Esta musica chama-se "Beside You".

 
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