2016. Ano de eleições.

Reflexões impertinentes (ou pertinentes?) sobre as eleições brasileiras.

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1. 2016. Ano de eleições.

Temos de fazer algumas considerações a respeito da justiça eleitoral brasileira.

Há, no Brasil, muitas regras, e absurdas, em sua maioria – para não dizer que todas o são. No que concerne à justiça eleitoral, quase todas as regras impedem os brasileiros de conhecerem a verdadeira face dos políticos, durante o processo eleitoral.

Por que digo isso?

Explico:

Muitas das regras que controlam a conduta dos candidatos estabelecem certas exigências que visam impedir que eles incorram em atos que possam exibir, deles, ao povo brasileiro, a verdadeira fazer. Muita gente pensa que a lei eleitoral propõe a elevação do debate político ao obrigar os candidatos a esclarecerem aos eleitores as suas (dos candidatos) políticas. Mas não é isso o que se ouve. O que se ouve são promessas vazias, polidez artificial... Em resumo, uma farsa, uma simulação de debate, todos os candidatos a tratarem de irrelevâncias, e a esquivarem-se do que é importante para a vida de duzentos milhões de patrícios.

A lei eleitoral poupa os candidatos dos seus erros, do seu caráter, da sua postura corrupta e corruptora. Se os candidatos tivessem a liberdade, ampla e irrestrita, de se manifestarem sem cerceamento legal, apresentar-se-iam com a verdadeira face deles. Seria uma maravilha. Além de se divertirem com o ridículo, o absurdo, com a ignorância e o despreparo dos candidatos, os brasileiros conheceríamos, deles, a mentalidade sem peias. Os que são pérfidos, corruptos, maus caráter, se apresentariam como o são, e não como as propagandas os apresentam. A lei eleitoral, posso declarar, protege os maus políticos, que, impedidos de se exibirem como são, contratam marqueteiros para deles melhorarem a imagem. E os brasileiros caímos na ladainha toda eleição. Os candidatos não se esforçam para se apresentarem aos brasileiros com uma imagem favorável; a justiça eleitoral os obriga a isso; e eles, em atendimento à lei, assumem conduta que não lhes é natural.

Prestaria a justiça eleitoral brasileira um inestimável serviço aos brasileiros se permitisse que os candidatos se ofendessem, se engalfinhassem, se insultassem um a mãe do outro, se levantassem insinuações sobre a sexualidade uns as dos outros, e sobre a dos filhos, a da esposa, a da (ou do) amante (ou amantes). Que os candidatos se trucidem ao vivo e em cores. Só assim os brasileiros conhecê-los-íamos em sua integridade. Mas, em nome do bom tom, das políticas propositivas, é-nos negada a verdade.

Agora, imaginemos um debate eleitoral sem as regras da justiça eleitoral, que são absurdas, supostamente estabelecidas em nome da civilidade:

Em um debate, dois candidatos - sem um intermediador - sentados, à mesa retangular, cada um em um lado dela, de frente um para o outro. Sobre a mesa, duas facas calibre 38, dois revólveres afiadíssimos... aliás, dois revólveres calibre 38, duas facas afiadíssimas, dois machados, dois tacos de beisebol, dois socos-inglês, duas foices, duas serras-elétricas, duas metralhadoras HK-47, duas bananas de dinamite e duas Bíblias.

E os dois candidatos principiam o debate.

Decorridos vinte minutos, a discussão acalorada, ambos os candidatos com os nervos à flor da pele, os olhos injetados de cólera, furiosos, bufando de raiva, olhos nos olhos, rosto rubro congestionado de sangue, as veias intumescidas, a arrostarem-se, a insultarem-se, a ameaçarem-se, com o dedo em riste um na cara do outro.

E o que eles fazem, descontrolados, os instintos animais a lhes governarem o comportamento?

Eles avançam às Bíblias, e cada um deles pega uma delas, e com elas golpeiam-se até a morte.

É esse o único uso que os políticos brasileiros dão a Bíblia.

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