A Mente não Mente


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15. Sozinhos

26.11.15

Parece que ninguém sabia o que estava acontecendo. Os dias se passavam e eu era constantemente violentada por uma representação de Daniel. Depois de um tempo conseguimos estabelecer uma conexão mental uns com os outros. Todos estávamos presos em algum canto remoto dos mais variados planos. Marceline tinha de enfrentar seu medo de cobras numa floresta no plano terrestre. Marshall teria de assistir sua preciosa Melody ser degustada por padres. Todos enfrentávamos nossos piores pesadelos. Só não encontrávamos o verdadeiro Dan, tão perdido quanto Deus e o Diabo. Procurei com a minha visão, Simon com a sua clarividência e Marshall e Marceline com seus poderes psíquicos, mas tudo era em vão. Nosso amigo estava foragido e não havia nada que poderíamos fazer estando presos em nossas fobias.

 

27.11.15

Tudo está escuro. Não consigo ver nada a um palmo de distancia. Meus braços e pernas estão amarrados a um poste. Não consigo dormir pensando que a qualquer momento algo colidirá comigo. Este é meu pior pesadelo. Algumas horas uma luz se acende no além, mas ela está muito muito distante. Sinto que se passam anos ou até lustres, mas são apenas segundos e minutos. O tempo passa diferente aqui na minha insanidade.

Ouço tentativas de comunicação. Marceline, Beca, Simon, Marshall, todos gritando meu nome. Não tenho voz para respondê-los, nem mesmo em meus pensamentos.

Será que meus amigos têm noção do tempo? Ouço muito além de suas súplicas ("Dan"), como também eles contando os dias, as semanas e sabe-se lá o que vem depois. Palavras começam a me faltar. Minutos. Segundos. Milésimos. Ainda sei contar aquilo que vejo passando. Isso tudo não me parece mais de um dia. Mais do que o pior dia de todos. O dia que nunca deveria chegar:

 

28.11.15

Há quanto tempo estou aqui? O dia parece nunca chegar. Apenas a escuridão da noite permanece no céu. As estrelas me contam seus segredos antigos, mas sei que já estão mortas há muito tempo. Corro dos animais mais nocivos e pegajosos. Entretanto eles sempre estão lá. Cobras, aranhas, ursos, meus piores pesadelos. Sinto-me sozinha e sem saídas, até lembrar-me de que tenho minhas habilidades. Demorei, mas com o tempo consegui estabelecer uma conexão mental com meus colegas. Melody estava sendo abusada por padres, pastores e cardinais, enquanto Marshall era obrigado a assistir. Rebeca era constantemente degustada por uma representação infiel de Daniel. Totalmente violento e bruto. Simon estava no fundo do mar, fugindo de tubarões e baleias. Sinto-me culpada por não conseguir encontrar o meu bobão, “Ele está perdido por aí. Eu sei que posso encontrá-lo", eu pensava nos primeiros meses. Como eu fui tola.

Aquele covarde do Daniel com certeza nos ouve clamando por seu nome, mas nos ignora por estar vivendo uma vida melhor do que nunca. Tenho certeza disso, mas não quero acabar com as esperanças da Rebeca. Ela perdoou o pobre coitado por tudo porque finalmente percebeu que ele era um homem perfeito. Eu sempre soube disso. Meu pequeno mentiroso bobão, como eu sinto a sua falta.

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