A Mente não Mente


0Likes
0Comentários
2145Views
AA

12. Eu só queria a tua rosa escarlate - III

21.11.15 e 22.11.15

"Você não presta, desgraçado", ainda consigo ouvir sua voz ecoando em minha mente. Achei que Beca estivesse morta, mas aparentemente eu estava enganado.

- Foque-se, Daniel. - Marshall me alerta. Ann está em minhas mãos, ela dorme como um anjo. Corremos para o caminho direto do Inferno: o pecado.

- Desculpa, Marshall. Ainda posso ouvir a voz de Beca na minha cabeça e...

- Eu sei. Eu estou nela. Agora por favor, vê se esfria essa cabeça por que sair daqui não vai ser fácil.

- O que você sugere? Vamos violar um dos Dez Mandamentos? Assassinar uma criança?

- Ela já está morta, amigo. Temos que fazer algo pior. Algo que nem o Deus que nós conhecemos possa suportar.

- O que nem a Suprema aceitaria?

- Não sei... Precisamos pensar em algo antes que eles acordem.

- Você é o brinquedo do Diabo! Não consegue pensar em nada mesmo?

- Não vou violar ninguém.

- Será que Deus gosta de pedofilia? Os pastores e padres do meu plano gostam bastante. Violar garotos quando ninguém está olhando...

- De onde você tirou essa ideia?! Não vou transar com uma criança!

- Não estou pedindo que o faça, apenas que finja fazer sexo com a Ann, aproveitando que ela está dormindo. A Suprema não aprovaria isso aqui no Céu.

Paramos. Ele volta-se para mim e arranca Ann do meu colo.

- Desde quando você se tornou assim? Pensando como a Mamãe...

"Eu nasci assim", quis falar, mas não é a verdade. É? Apenas fico em silêncio.

- Certo. Eu vou fazer isso, mas por que eu quero acabar com essa guerra mais do que ninguém. - Ele arria as calças e deita-se sobre o corpo mole de Ann. Seus lábios tocam o torso da negrinha enquanto suas mãos atingem todas as outras partes. Meus olhos se acendem. Foi assim que eu nasci?

Tenho vontade de vomitar quando percebo que Marshall está gostando daquilo.

- Isso é só uma encenação, se lembra? - Pergunto, mas ele não responde. Parece estar num transe. Ele beija os lábios secos dela e só aí percebo que devo intervir. - Isso não se faz, cara! Ela é sua irmã, lembra?! - Digo depois de chutá-lo para longe.

- Faz muito tempo... E preciso ser convincente. Ainda não voltamos para o Inferno, voltamos?

- Talvez a gente só volte se alguém flagrar a gente ou ela estiver acordada.

- Por que você acha que eu a beijei?

Ann começa a tossir.

Ela está acordando.

- O que pensa que está fazendo, moço? - Sua voz está fraca, mas ela tem coragem de perguntar.

- Estou te violando. - Marshall responde de forma sensual.

Ela grita tentando escapar das mãos astutas de Marshall, mas não é páreo para a força dele. A mesma luz que nos trouxe surge para nos levar para baixo. Marshall geme. Aquilo deveria ser falso, não? Ann parece começar a gostar. Talvez isso seja o pior. "Já faz tanto tempo...". Estamos descendo e vejo aquelas pétalas escarlate subindo distantes de mim. Nunca as alcançarei. Fico imaginando o que aqueles dois pombinhos devem estar vendo, mas percebo que isso pode ser errado. Numa das investidas de Marshall uma rosa escarlate cai do cabelo de Ann e ela tente a subir junto com as pétalas, mas eu não permito e guardo a flor junto de mim.

A temperatura aumenta. Chegamos. Estamos na Mansão da Mamãe, mais conhecida como Casa do Sexo, para aqueles que aqui vivem.

- Você não tem ideia de como eu senti a sua falta, Marshall. - Ann comenta.

- E eu senti a sua, minha pequena Melody. - Eles se beijam. Nojento. Melody está de volta?

- Quando foi que você voltou, Melody? - Pergunto, indiscretamente.

Ninguém me responde. Uma porta se abre e nos deixa assustados. Um rosto familiar aparece do outro lado. Ele procura por pessoas, mas nada encontra. Escondemo-nos muito bem atrás de uma estante.

- Ele não pode estar aqui... - Marshall sussurra.

- O que foi, cara? - Questiono.

- Tem alguém aí? - O cara pergunta. Aquele sotaque alemão me revela tudo.

- Simon?

- Daniel? - Ele está feliz em me ver. - Como estou feliz em te ver!

- Eu também! Com toda essa confusão eu até esqueci que você ia fazer uma surpresa pra Rebeca e ir pro Rio. Que saudades. - Damos um aperto de mão. Tinha o visto apenas uma vez e ele me ensinou o que era beber de verdade. Quem diria que Simon Kreuz iria parar no Inferno. - O que te trás aqui, amigo?

- Uma mulher quer algo de mim...

- O que é?

- Promete não me julgar nem nada? - Dou meu mindinho para ele. É assim que eu faço com os meus alunos. - Uma mulher quer meu poder de clarividência.

Nunca pensei que isso fosse possível. Logo Simon? Que incrível! Consigo demonstrar tudo isso com um sorriso que se desfaz no instante em que outra porta se abre e vejo Rebeca beijando Marceline.

- O que?! - Exclamo junto com Marshall que sai do esconderijo.

- Estamos felizes juntas - Beca diz. Sua voz está molenga. Ela está bêbada.

- Desculpem-me. Eu precisava acalmar os nervos dela. Você a decepcionou, Dan. Não sei como, mas você o fez. - Marcy diz. - Agora precisamos por o plano em prática. Melody está aqui?

A negrinha sai de trás da estante e acena para Marceline. Ela está tímida, mas Marcy a chama para perto e a abraça com vontade.

- Você não tem ideia do quanto eu senti sua falta, Melody. Você não tem ideia do quanto eu sofri ouvindo os seus gritos... - Marcy sussurrava.

- Eu sei... Eu consigo lembrar-me de tudo. - Melody respondeu.

- Qual ‘é o plano, Marcy? - Marshall perguntou.

Ela apenas sorriu e mexeu em sua rosa escarlate. Que vontade eu tinha de arrancar toda aquela roupa dela.

- Foi previsto que Mamãe virá para o meu quarto hoje e ela ainda não tem os poderes da família Kreuz. Temos uma chance de colocá-la para dormir e roubar o último "Olho de Hades" que ela mantém em seu pescoço. Eu já bloquei os pensamentos de todos vocês, assim ela não saberá que estão por perto. - Marcy explica.

- Mas o que a gente faz depois? - Pergunto.

- Oh, cale-se! - Rebeca argumenta. - Você sempre foi curioso, não é? Acho que é bem óbvio que vamos matar o diabo, otário.

- Não me chame assim!

- Ou o quê? Você não pode fazer nada comigo, amigo.

- Beca... Por favor...

Um som de madeira rangendo denuncia a chegada de alguém às escadas.

- Esconda-se no armário. Mamãe está vindo. - Marcy nos alertou.

- Com quem está falando, minha querida? - Mamãe pergunta escancarando a porta. Não deu tempo de Rebeca se esconder. - Trouxe um presentinho para mim? A garota desaparecida?

- Sim, Mamãe. Ela vai se divertir conosco esta noite. O que acha?

- Esplêndido.

Só agora vejo que Ela usa poucas roupas e que são de couro. Ela carrega um chicote numa mão e uma faca na outra.

- Podemos começar? - Ela pergunta.

- Claro. - Beca e Marcy respondem em uníssono.

As roupas de Beca somem com um estalo de dedos da Mamãe e Marcy instiga a mulher a despi-la com suas próprias mãos.

- Pela minha nova boneca, qualquer coisa.

Mamãe aproxima-se do vestido negro de Marcy e começa a beijar seu pescoço. A coisa vai esquentando ainda mais quando Beca pega nos seios Dela. Mamãe desce seus lábios por todo o corpo do seu novo brinquedo e rasga aquele vestido como se fosse uma folha de papel. A flor cai e Marceline a resgata. Como eu queria ser aquela rosa.

- Um brinde à eternidade. - Marcy ergue a rosa na altura de seus seios.

- À eternidade. - Mamãe continua e ela tira o véu, mas não consigo ver seu rosto. Ela beija o peito dela apaixonadamente e Marcy estoura a rosa escarlate em sua mão, liberando o pó que pôs a Suprema para dormir.

- Boa noite, Mamãe. - Marceline diz quando a mulher cai em seu colo. Ela pega seu vestido de volta e arranca o véu por completo Dela. - Você não vai mais precisar desse amuleto. O último "Olho de Hades" agora é meu, Fiona.

Marshall chuta a porta do armário e invoca um machado que encrava nas costas da mulher caída no chão.

- Você nunca mais fará mal a ninguém, Fiona. - Ele diz depois de apunhalá-la.

Fiona. Esse nome me é familiar. A voz dela. Aqueles cabelos ruivos e a pele pálida sedenta pelo toque humano. Onde eu já vi isso?

- Veja só, minha pequena flor. Pensou mesmo que seria tão fácil? - A voz de Fiona ecoa por todo o cômodo. "Droga", posso ver nos olhos de todos. - Ela era apenas a minha paixão. Você deveria saber disso, querida. Eu sempre mando meus sentimentos fazerem as coisas.

- Onde você está, Fiona? Para acabarmos com você de uma vez por todas. - Marshall grita para o teto.

- Eu estou em todo lugar, boneco. Eu sou tudo e todos. Eu sou o diabo. O que você esperava? Espero que esse falso "Olho de Hades" lhes sirva bem, porque é um dos últimos que tenho. Por algum motivo os outros sumiram, dá pra acreditar? Ah... Só mais uma coisa antes de eu começar uma guerra: Fiona não existe mais. Beijos e abraços, minhas crianças lindas.

O silêncio permaneceu por alguns instantes até eu quebrá-lo:

- Quem é Fiona?

- Era como Mamãe se chamava antes de toda essa loucura. Quando ela nos trouxe aqui pra baixo pedia que nós a chamássemos de Fiona. Com o tempo isso mudou e tornou-se Mamãe ou Ela com letras maiúsculas. - Marceline disse, decepcionada que seu plano dera errado.

Puxo-a para um canto e comento:

- Eu acho que a conheço...

- Impossível. Ela é uma entidade. A entidade que governa o Inferno desde o início dos tempos. Você não poderia conhecê-la.

- Seria estranho se eu conhecesse a Suprema também?

- Inês? Isso não é possível, Dan. Seria loucura.

- É... Esquece... - Marcy volta-se para o resto do pessoal mesmo aquele nome tendo me sido tão familiar quanto o nome da minha mãe é.

- O que você vê, Simon? Fiona ainda vence a guerra? - Ela pergunta.

- Mais rápido do que antes. Ela não tem mais paixão e derivados. Nós quase que a transformamos numa máquina de ódio.

- E os outros sentimentos? - Melody se questiona.

- Quieto, Simon. - Marshall o alerta.

- Marshall e Marceline acabaram com a maioria deles. Foi num passado não muito distante, mas por algum motivo não consigo alcançá-lo.

- Eu travei esses acontecimentos no tempo. - Marceline se desculpa. - Ninguém pode saber o que aconteceu nessa época. Ninguém.

- Então 'cê não confia nem na gente? - Beca pergunta num tom mais molenga ainda. Ela não obtém respostas. - Eu quase transei com uma mulher por você!

- E eu agradeço, Rebeca. Mas ninguém pode saber disso. Principalmente vocês que estão nessa sala. Seria muito perigoso.

- E o que faremos agora? - Melody pergunta assustada.

- Você sabe por que você está aqui? - Marcy retruca com um sorriso malicioso e a negrinha balança a cabeça negativamente. - Você é o plano B: trazer Deus ao Inferno, sem aviso prévio.

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...