A Mente não Mente


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11. Eu só queria a tua rosa escarlate - II

I met God, she's black.

20.11.15

Ela estava tão bonita... O que foi que eu fiz? Eu a perdi para o Inferno mais uma vez. Como eu pude fazer isso? Eu a amava...? Não sei. Controle-se. Contenha-se. Você é submisso, Marshall. Você não pode sentir nada por ninguém. Mas Melody... Era tão jovem... O que foi que eu fiz? Ela desaparece.

- É "O Olho de Hades"? Como ela conseguiu?! Achei que só existissem três e a Mamãe possuísse todos! - Estou impressionado com o amuleto nas mãos de Daniel.

Pobre coitado. Acha que está protegido contra Ela... Queria poder alertá-lo e salvar uma vida pelo menos... Levo-nos para a casa dele onde questiono sobre seus planos para acabar com a guerra. Ele não sabe. É um problema. Conto a ele meu desejo. Por quê? Mamãe ainda tem meu coração. Ela me controla e me permite falar o que eu falo para ele naquele instante. Ela trama alguma coisa.

- ANJOS! - Grito uma hora. Mamãe está brava, talvez empolgada. Droga. Daniel está perdido...

Vejo o anjo protetor de Daniel surgindo. Ele diz nos levar para o Reino superior, contanto que eu não tente nada. Não posso prometer isso. Uma luz celestial nos rodeia, é como Daniel pensa: parece que estamos sendo abduzidos. Estamos subindo e várias pétalas escarlate caem. É isso o que eu quero e não posso ter. A flor do corpete de Marcy. Daniel estoura uma pétala tentando pegá-la e nosso guia explica para ele o que são aquelas coisas: nosso maior desejo. Ele também vê pétalas escarlate. Aproximamo-nos da origem da luz e as pétalas se cessam.

- Bem vindos aos Céus, o lar das almas tranquilas e do Supremo. - O anjo Lucas nos diz.

- Uau. - Daniel está impressionado. - Nunca pensei que esse plano seria assim.

- E você pensava que o Inferno... - Começo a falar, mas paro quando percebo que ninguém pode saber que ele já esteve lá embaixo.

- O que foi, senhor Marshall? - Lucas pergunta.

- Nada.

Vamos em direção a uma fortaleza de cores claras. Não consigo ver onde estou pisando, há uma névoa rasante.

- Peço que nos desculpem por isso. Recentemente ocorreu um problema com o Supremo e tudo virou de cabeça para baixo. - Lucas explica.

É tudo tão majestoso, angelical. Eu deveria estar aqui, não é? Por que Mamãe me levou para baixo? Eu queria ter paz, não começar uma guerra!

- Lucas, nós temos um pequeno problema. Meu amigo aqui, como você já sabe, vive no Inferno. Mas o lugar dele deveria ser aqui. Ele foi abusado e assassinado há vinte e um anos... - Daniel leu minha mente?

- Bem. Isso é algo que vocês têm que resolver com o Supremo, não com os meros anjos. Mas acho que é possível que ele more aqui conosco. Ele seria bem vindo se reivindicasse toda a raiva que ele ainda guarda.

- Eu não guardo raiva, amigo. - Comento, um pouco exaltado. - Fui jogado no Inferno por injustiça! Aquela puta quer os poderes de Merlin só pra ela e pra isso crianças tem que sofrer... - Paro de falar quando vejo uma garotinha distante. - Poderia ser?

- Mas que indecência! Senhor, se tentar alguma coisa temo que seja necessário... - O empurro.

- Foda-se você, viadinho. Tenho coisas mais importantes para fazer aqui do que me preocupar contigo. - Levanto voo e busco pela garota.

Poderia ser? Eu poderia finalmente tê-la encontrado? Não. Mamãe a queimou na fogueira, ela não pode estar aqui. Ou pode? Eu não sei. Eu só quero abraçá-la, dizer o quanto a amo, quanto senti sua falta... "Rápido! Supremo, um dos soldados Dela veio aqui roubar Ann!", ouço Lucas falando, mesmo longe. Ela está aqui. Aquela negrinha que eu tanto amava como minha irmã.

- Melody! Eu senti tanto a sua falta. - Exclamo enquanto abraço seu corpo, sem os cortes que Mamãe fizera nela. - Você está inteira... Poderia ser melhor? Você não mudou nada! Como fez isso? - Ela me olha estranho. - Você não se lembra de mim? - Ela nega com a cabeça. Está assustada. - Sou eu, Marcel! Você me chamava de Marshall, lembra? - Ouço guardas celestiais chegando. O tilintar de suas armaduras não é muito silencioso. - Venha comigo, eu vou fazê-la lembrar. - A agarro pelo braço e vamos nos esconder.

Não é possível. É a Melody, de verdade... Achei que eu tivesse perdido ela para sempre. Oh, minha irmãzinha... Como eu senti a sua falta.

- Moço. - Sua voz continua doce como eu me lembro. - Meu nome é Ann, eu sou a filha do Supremo. Você poderia me deixar, por favor? Eu quero ficar com ele. Se você não me devolver, isso pode trazer problemas pra você. - Consinto. Não posso trazer mais problemas.

Devolvo a garotinha para os guardas e me desculpo dizendo que me enganei, pensando que era outra pessoa. Eles não acreditam e me levam do beco em que estávamos para o palácio do Supremo.

Daniel já está lá, posso sentir o seu cheiro. As portas do salão principal se abrem e uma mulher está sentada no trono de nuvens.

- Uma mulher? Achei que fosse um homem! - Exclamo. Péssima escolha. Ela ordena que soquem minha face.

- Esse é o cara que tentou levar sua filha, Supremo. - Um dos guardas que me segura diz.

- Deixe-o aqui. Conversarei com ele daqui a pouco. - Disse a negra sentada no trono.

- Esse é o amigo de quem eu falava, Majestade. Ele é um pouco rebelde, me desculpe. - Daniel comenta.

- Oh! Esse ousado? Tudo bem... Ele quem foi colocado indevidamente no Inferno? - Balanço a cabeça. - Qual o seu nome, querido?

- Marcel Pacis.

- Vejo... Há quanto tempo não vejo alguém dessa família... Posso presumir que você tem um dos poderes de Merlin, não é? Por isso Ela te colocou lá.

- Sim... Agora ela me chama de Marshall. Sou o escravo sex...

- Não continue. Eu conheço os planos Dela. Reunir os poderes de Merlin para me derrotar numa guerra. Eu também estou numa missão, sabia? Eu salvo aqueles que Ela descarta. Veja Ann. Você diz que ela se chama Melody, mas ela não conhece essa pessoa. A Melody que você conhecia só existia pelo poder dela, agora ela é apenas Ann, minha filha. O poder se foi junto com as chamas eternas do Inferno. O poder dela ainda queima naquela fogueira.

- Eu sempre pensei isso...

- O que aconteceu com a sua filha, Supremo? - Daniel pergunta.

- Ela condenou minha filha às chamas eternas do Inferno. Pôs nela um dos olhos de Hades para que ela sofresse eternamente e o poder dela queimasse.

- Qual era o poder dela?

- Nunca morrer. - Respondo.

- Sim... Mas Ela absorveu quase toda essa habilidade da minha garota.

Lembro-me da briga que tive com Marceline dentro do espelho. Melody não era fraca, mas Mamãe acreditava que sim. Ela nunca soube o poder da coitada, nem nós, até continuarmos a ouvir seus gritos dentre as chamas no quarto ao lado. Ela implorava para que alguém a salvasse e nada podíamos fazer. Marcy e eu tínhamos doze anos e ela dez, nunca tivemos coragem de contar para Mamãe que ela ainda estava viva. Ouvir seus gritos parecia mostrar que ela ainda estava viva, mas o que nós não sabíamos era que ela nunca havia morrido.

- Não sei se essa é uma boa hora. - o Supremo e eu estamos lacrimejando quando Daniel começa a falar. - Mas eu tenho um daqueles amuletos. Estou aqui por isso, eu deveria estar morto.

- Como é? - a Majestade pergunta.

- Uma amiga minha, Marcela, foi condenada a viver lá embaixo para sempre, por minha causa, mas ela me deixou um "Olho de Hades" para Ela não me fazer mal.

- Como ela conseguiu uma destas joias? Minha irmã as guarda tão bem! Nenhum dos meus infiltrados nunca conseguiu achar, a Mansão dela é imensa e em cada quarto há uma aberração diferente.

- Não sei, mas eu gostaria que você ficasse com ele, Majestade. Dê para Ann, ou qualquer outro filho seu que venha a nascer. Não sei. Só sei que eu não quero isso. Eu quero morrer e salvar a minha amiga.

- Sinto que ela não é só uma amiga.

- Talvez... Eu não sei ainda no que isso vai dar...

- Eu sei. - Grita uma voz da entrada do salão. Seus cabelos têm a cor da lava, mas é difícil ver. A pessoa está nas sombras. - Isso vai dar no fim da nossa relação, Dan.

- Beca? Como você veio parar aqui?

- Marceline me deu outro "Olho de Hades" para eu usar depois que aparecesse na Mansão da Mamãe. Uns soldados me acharam e me levaram para a minha casa. "Vivos não devem estar aqui", eles disseram. Eu estava tão empolgada para poder te procurar, mas aí Marceline apareceu e disse que você estaria aqui. Agora vejo por que é um problema. Você não presta, desgraçado. - Ela bate as portas e algo cai do seu cabelo. Aproximo-me para ver. É aquela rosa escarlate que estava no vestido negro da Marcy. Sinto o cheiro dela na flor. É a primeira vez que sinto o cheiro de algo de Marcy. O odor se decodifica na minha mente: "Pegue Ann e saia daí. A Suprema não é tão boazinha quanto parece".

- O que foi? - Pergunta a mulher no trono. - Quem era aquela?

- CORRE, DANIEL! - Grito antes de atirar a flor naquela mulher. Ele sai do caminho da flor que explode e deixa a Suprema dormindo. Os guardas tentam se aproximar, mas acabam caindo no sono também. - Temos que pegar a Ann e levá-la pro Inferno.

- Por quê?

- Marceline tem um plano.

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