A Mente não Mente


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13. Eu amei você... - I

23.11.15

"Uma mulher caminha pelas chamas. Ela usa um salto alto negro que combina com seu vestido longo tão escuro quanto seu coração. Ela ri dos gritos de angustia dos ossos daqueles que ela pisa sobre. O véu que cobre o seu rosto nada significa para ela. Isso é o diabo; que um dia fora chamado de Fiona pelas suas verdadeiras crianças. Mas não se pode falar delas. Porque Deus roubou todas elas. Deus é a causa de todo o sofrimento do diabo. Por que fizestes isso? Por quê? Ela era tão feliz com suas crianças inocentes. Nenhum mal ela fazia. Mas Deus também queria filhos. Então ele se auto intitulou de Inês, um nome mais "amigável", e sequestrou os preciosos bebês do diabo. E ele sofreu. Mas como Satanás sofreu. Causou males e discórdia por todo o mundo e busca daqueles que amava. Tudo em vão. Fora condenado a governar seu plano até o fim dos tempos. Isso foi há muito tempo. Antes mesmo de Adão e Eva. Agora, o que o diabo procura não é mais suas crianças; é vingança por todos aqueles que o aprisionaram naquele lugar e por todos aqueles que renegaram o seu amor. "Malditas Crianças", ela pensava sobre seus novos filhos, "Eu fiz o máximo que pude aqui no Inferno". O sorriso que estava em sua face se fora. Agora uma lágrima se pendurava no extremo de seus lábios vermelhos.

- Fodam-se vocês todos. Eu vou dominar essa porra toda. - Ela dizia em voz alta e limpava aquela gota antes que caísse. - Eu amei vocês e o que eu ganhei? Apenas dor e sofrimento. E é isso que vocês terão.

Deus, o Supremo, descia de seu trono no reino dos céus em busca de seu mais precioso pertence: Ann, uma negrinha que já esteve sob posse de Fiona. Ann era como sua filha. Tinham tanto em comum. Mesma cor de pele, mesmos gostos de artes. A negrinha até mesmo compusera uma música para sua mãe uma vez, uma música chamada "Pai, filho e espírito santo". Deus gostou tanto que mandou para suas crias, os homens. E eles transformaram isso numa prece. Cantando todos os dias para os céus em amor a entidade que lá estava.

Era uma pena que a negrinha agora voltou a ser uma escrava de Fiona. Perdeu o nome de Ann e ganhou o nome da função de tinha lá: Melody. Deus estava enfurecido. Ela não poderia fazer isso com a sua garotinha. O todo poderoso foi sozinho combater todo o mal que vivia no Inferno pela sua garotinha. Mal sabia Ele que tudo seria um fracasso. O diabo tem muitas Crianças, com letra maiúscula. Almas perdidas com poderes extraordinários vindos de Merlin capazes de derrotar até mesmo o Supremo. O diabo ria e ria em seu trono de ossos escondido. Ele pode ver tudo. Ele sabe de tudo. Ele é o diabo, querido. Mandou-se que Deus fosse esquartejado e que seu tronco fosse deixado para apodrecer na lava, afinal, Ele é imortal, não é? Mas as Crianças se recusaram. Disseram que isso seria muito e que Inês não merecia isso, ela era boa, diferente de todo o resto. Mas não poderia separar Inês de Deus! É a mesma pessoa! Não é?

- Podemos tentar alguma coisinha... - O diabo disse maliciosamente. Ele mesmo já havia feito isso várias vezes. Dividira-se em múltiplas personalidades ao ponto de restarem apenas duas: o Ódio e o Amor. Ele saberia como separar Inês de Deus e acabar com todo o reino dos céus e dominar o plano terrestre. Tendo bebês infinitos para cuidar. E assim foi feito.

O fim foi assim. Não mais houve amor. Não mais houve ódio. Todos os homens eram escravos de Fiona, mas ela os chamava de "bebês". Todas as suas Crianças ficaram caladas para a eternidade e Inês foi queimada no lugar de Deus, que agora serviria aos desejos sexuais de Satanás."

- É isso?

- É isso. Esse é o nosso futuro. - Simon declarou. - Se não intervirmos, isso tudo vai acontecer e vocês já sabem: Deus está vindo sozinho.

- E-eu não sei o que dizer... Somos capazes de acabar com a Suprema? - Melody está assustada com toda a situação.

- Sim. E se somos capazes de acabar com essa Suprema, por que não acabamos com a outra? - Marceline diz, confiante.

- É! Eu aprendi aquele lance dos lasers. Ela vai ver só! - Marshall continua.

- Todos estão nessa, mas ninguém se lembrou de que a Mamãe tem parte dos nossos poderes. Ela está pronta para uma rebelião. - Digo.

- Então precisamos arranjar mais poderes. Novos quem sabe. Treinar. Nos esconder. Dar um jeito. Mas creio que sejamos os únicos a poder acabar com a raça dela. - Beca comenta. - Vocês tem que saber: Deus está próximo.

- Não dará tempo de fazer nada. Precisaríamos enrolá-lo. Você tem mais daquela rosa, Marceline? - Tento desenvolver um plano.

- Tenho, mas...

- Então! Vamos usá-la para deixá-lo dormindo e assim a gente elabora outro plano!

- Você não entende, Dan. As rosas só funcionam uma vez em cada pessoa. Não funcionaria nem em Inês nem na Fiona! E essa última rosa é para o Marshall e eu.

- Por quê? - Isso não faz o menor sentido.

- Tem duas habilidades secretas. Trava Temporal, que vocês já conhecem, e Metamorfose. Ninguém deveria ter esses poderes, mas Marcy e eu fomos curiosos a ponto de buscar as famílias que tinham esses poderes e aprender com eles... - Marshall tentou se explicar. - Resumindo: é melhor que não nos irritem muito. Você e Simon quase me fizeram quebrar alguns crânios.

- Eu sabia que te conhecia! Você é o cara que me ameaçou na cruz! - Simon berrou. Parecia querer atacar o Marshall. Marceline segurou os braços dele. - Eu vou te matar pelo que você fez aquele outro cara!

- Não se eu te matar primeiro, bichinha! - Marshall retrucou. - Mas eu não vou. Sou mais homem do que você, mesmo morto.

- Quem é "aquele outro cara"? - Marcy perguntou.

- Só um dos experimentos da Mamãe que deram errado...

- Quem? Pode ser útil pra gente. - Marcy continua.

- Ele não tem poderes. Fiquem tranquilos. Aquele cara seria só uma pedra no nosso sapato. Vamos. Precisamos de um plano, não?

Algo toma conta de mim. Não consigo dizer o que é, mas palavras voam pela minha boca:

- Não.

- Não o que, cara? - Marshall fala.

- Ninguém pode ser inútil. Todos têm um valor. Vai deixá-lo morrer porque você acha que ele não é importante? E a família dele? E tudo que ele poderia fazer se ele vivesse mais um pouco? Eu vou salvá-lo, não me importa quem vem comigo. - Parece estar acabando. Minhas pernas amolecem e Rebeca grita:

- Deus sumiu!

Eu desmaio.

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