Vida Espelhada

Catarina é aparentemente uma adolescente normal. Sua maior diferença para as outras meninas da sua idade é que seu pai, que ela acreditava ter morrido junto com a sua mãe, está vivo e observando todos seus passos a distancia. Um dia navegando pela internet ela descobriu uma série chamada 'Vida Espelhada' que é basicamente sua vida. Cabe a ela descobrir quem é o roteirista da série e confronta - los, afinal é sua vida e ninguém tem o direito de invadir ela. Nem mesmo alguém que deveria estar nela.

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1. Prólogo

'Eu corria como se não houvesse amanhã, aquelas meninas iriam me pegar hora ou outra e eu tomaria uma surra. O motivo? Simples: elas não gostam de mim. Eu nunca fiz nada a Pâmela e suas amigas, mas desde que entrei nessa maldita escola elas decidiram que me odeiam, e a diretora não facilita em nada minha vida. Já fui castigada diversas vezes sem ter culpa, simplesmente porque a diretora acha que Pâmela é mais sincera que eu. '

Catarina corria com dificuldade, era pequena e o sedentarismo tipico dos adolescentes a deixava muito molenga, não foi nada difícil para Pâmela, Giovana e Rebeca a alcançar. A líder do grupo empurrou a menina contra a parede e as outras duas a prenderam ali pelos braços. Ela deveria estar preparada para o que estava por vir na forma dos punhos de Pâmela, mas era uma tagarela nata. Devia aprender a ficar calada em certos momentos. Se soubesse fazer isso, não estaria naquela situação agora.

Catarina: Por favor Pâmela, não faz isso. Os pontos ainda nem cicatrizaram. 

Pâmela: Bom que com a dor você vai lembrar que eu mando nessa escola, você tem que ficar quietinha.

As duas carrascas que seguravam a menor riam como se estivessem vendo a coisa mais engraçada do mundo e aquilo irritava profundamente Catarina, como podiam ser tão cruéis? As três juntas davam dez dela. Era revoltante. A menina maior ergueu a mão e em seguida desferiu um soco contra a bochecha esquerda da menor que nenhum som emitiu mesmo sentindo a boca se encher novamente de sangue. Odiava aquele gosto, mas já estava se acostumando. Dois dias antes tinha apanhado da mesma forma e levado três pontos na parte interna da bochecha. Pâmela repetiu a agressão mais três vezes, todos os socos emitiam um som abafado e no fim do quarto soco as meninas soltaram Catarina que caiu ajoelhada no chão vendo tudo embaçado e sentindo o detestável gosto de sangue. O liquido vermelho escorria pelos dentes e a bochecha latejava de dor.

'Eu já tenho 17 anos e olha minha situação, deplorável. Sou uma franga, não consigo nem revidar os socos de uma valentona. Mamãe, você teria vergonha de mim.'

Pâmela: Aprendeu? Espero que não, para eu ter o prazer de te socas mais vezes.

As três meninas dispararam para a ala dos dormitórios, rindo com todas as forças quando ouviram o apito da inspetora ficar a cada silfo mais e mais alto. Marian era talvez a única pessoa que se preocupava com Catarina naquele lugar. Desde o inicio da sua estada no colégio, foi a única pessoa que se preocupou em saber sobre o estado da menina. Foi ela quem ajudou a pobrezinha quando começou a sangrar loucamente por entre as pernas e surtar no banheiro no melhor estilo 'Carrie- A estranha.'. A grande diferença é que ela não tinha poder de tele-cinese para ferrar com todo mundo. E novamente só Marian estava ali pra a ajudar.

Marian: Cate? Cate meu bem o que houve?

Catarina: Devia ter ficado calada como sempre.

Ela não falava nada. Sabia que a diretora protegia Pâmela, mas aquele era seu trabalho. E Cate devia aprender a ficar calada e ser mais passiva com Marian. A rainha da passividade. A mulher pegou a adolescente com a maior facilidade do mundo e a levou direto para a enfermaria, mais uma sessão de pontos na bochecha e dessa vez uma advertência sobre o ferimento.

Enfermeira: Catarina, se você romper esses pontos novamente antes da cicatrização pode pegar uma infecção na boca, evite comer alimentos ácidos. Aqui uma lista do que evitar.

'E para o meu azar encabeçando a lista estava o meu amado refrigerante de cola. Como eu poderia sobreviver dias sem tomar ele? Quase chorei quando li aquilo.' 

Marian caminhou ao lado de Cate durante o percurso de volta ao seu dormitório. A garota dividia o quarto com Issy. Essa por sua vez era o que de mais perto de uma amiga que Cate já teve. Issy era totalmente diferente da colega de quarto. Era muito sociável, todos a achavam atraente e ela nunca se encrencava. Mesmo assim as duas deram certo. Pelo menos o aceitável. Por isso quando Cate entrou no quarto com a bochecha direita roxa e inchada, segurando uma bolsa de gelo a menina loira saltou da cama assustada.

Issy: Cate, o que houve?

Catarina: A Pâmela houve.

Issy: Achei que estivesse melhor.

Catarina: Ela me bateu outra vez.

A loira não disse mais nada, só se sentou ao lado da outra na cama. Cate estava totalmente chocada com seu azar. O universo as vezes parecia conspirar para ela se ferrar em tudo. Desde pequena ela sempre se sentiu o ser mais azarado do mundo. Primeiro os pais, depois cada amigo ou paixonite que ela já teve acabou saindo de sua vida bruscamente.

'Eu só queria me afundar na minha cama, sentia meu rosto muito dolorido e formigando. Queria que não pudesse sentir mais nada. Ás vezes eu queria até morrer. Mas não sou suicida, sou covarde demais para fazer esse tipo de coisa. Eu queria, mas não conseguiria de forma alguma.'

Issy: Vai ficar tudo bem.

Catarina: Não, não vai. Nada vai ficar bem.

Issy olhou para a menina. Ela não entendeu toda aquela raiva da menina. Para Issy a vida não era tão ruim assim. Ela era a filha mais nova de três garotas. Sempre teve tudo que queria, sem esforço. Nunca entenderia toda aquela raiva. Por isso se limitou a acariciar o ombro a amiga e voltar a sua cama. As luzes se apagaram, mas nada de Cate conseguir dormir. Ela não dormiria tão cedo.

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