Cartada Final


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1. Cartada Final

 

“Ah, se eu soubesse lhe dizer
O que fazer pra todo mundo ficar junto
Todo mundo já estava há muito tempo.”

(Petróleo do Futuro: Renato Russo & Dado Villa- Lobos)

 

-Olá!

-O que está fazendo?

-Nada.

-Logo vi.

-O que foi?

-Ontem, eu percebi que fazemos parte de mundos diferentes. Você tem os seus objetivos e deve ir em busca deles, razão pela qual te admiro muito e por isso, vou tentar me afastar aos poucos. 
- Mas, eu te disse...

- Sem problemas, não estou te cobrando nada. Portanto, até mais. 

- Até mais coisa nenhuma! Espere aí.

- Não force a barra, por favor. Vai ser melhor assim.

- Que história é essa de que "fazemos parte de mundos diferentes"? Sabe o que eu acho?

- Não sei e nem quero saber. 

- Mas, vai saber. Vai saber_ Segurando-lhe o braço.

- Você não vai...

- Vou sim. Você não me disse tudo?  Agora, é a minha vez: ontem, eu te falei que não iria dar certo de nos vermos e havia dito isso, dias antes. Por isso, propus de nos vermos em outra ocasião e você até ficou de pensar.  

- Eu já pensei, não vai ter próxima vez.

- Por que?

-Porque não. Com licença.

- Eu ainda não terminei. 

- Mas, eu não quero ouvir.

- Mas, vai ouvir! _ Alterando a voz segurando-lhe o braço com toda força.

- Está bem, mas solte o meu braço.

-Prometo que serei breve.

-Acho bom.

-Desde já, me desculpe pela minha indelicadeza.

-Tá bom.

-Tenho plena convicção de estar, o tempo todo, jogando limpo com você e assim, venho fazendo. Mas, pelo jeito, você deve ter alguma dificuldade em ouvir “não”.  É isso, bastou eu dizer “não” para o tempo fechar para você. Acho que esse seja o seu problema. 

- Virou analista?

- Bem que eu gostaria de ser e tenho certeza de que Freud adoraria estudar o seu caso! Apesar de ter exposto os motivos que impossibilitavam de nos encontrarmos, você ainda fez questão de enviar uma mensagem dizendo: "Partiu cinema". Quantos anos você tem?

- Não é da sua conta.

- Pelo jeito, você não teve infância e nem adolescência. Minto, teve sim, mas não deve ter se tocado de que os tempos mudaram. 

- Sermão não, por favor. _ Saindo.

- Ainda não terminei. _ Segurando-lhe o braço.

- É até certo que apresentamos pontos de vistas diferentes, mas isso não significa que " sejamos de mundos diferentes". De onde você tirou isso? Lembre-se de que, algumas vezes, eu te chamei para sair e você declinou o meu convite alegando receio, fora outras desculpas. Ao contrário de você, eu respeitei a sua vontade. 

- Mas, eu não sou você. 

- E onde está o seu bom censo? Sem falar na sua alternância de humor: só nesta semana, eu observei o seu comportamento comigo. Francamente, eu não entendo? Isso só prova que você é nada mais e nada menos do que um ser humano. Sabe por quê? Porque é isso que todo mundo faz: tirar conclusões precipitadas. Além
desta sua insegurança. Sempre que te convidei para sair, você alegava “ter medo”.

 -  Não vou mentir que ainda sinto medo.

- Medo de quê?

- Medo.

- Mal começamos e você já está com medo?

- Quem sabe, não seja melhor assim?

- Realmente, você não difere de nenhum outro mortal que na primeira rebordose, decide entregar os pontos. Eu te aconselho a ter muito cuidado e se é desse jeito que você se sente melhor, espero que tal atitude tenha sido bem pensada.

- Terminou?

- Sim.

- Tchau. _ Saindo.

- Espere.

-O que foi?

- Nada.

- Então, tchau.

- Mas...

 

 

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