Caleidoscópios


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1. Caleidoscópios

 

 

 

“Você pensa que eu estou sempre afim,

tome atitude, se um de nós

tem que mudar, que mude.”

(Guru: Dalto)

 

 

 

Muito provável que por volta das 22 horas, daquele domingo, ele estivesse acordado, mas era incerto saber se já havia lido o recado dela: “Passando para desejar um bom começo de semana e muita paz!”. Graças a uma dessas redes sociais, eles dois se “reencontraram”, quase um mês depois, mas, de qualquer forma, aquela mensagem o deixaria impressionado, visto que na única vez em que se viram, cumprimentaram-se apenas com um balançar de cabeças e nem sequer trocaram um “olá”. Isso aconteceu justamente, quando, no dia seguinte, ele foi até a casa onde Val estava hospedada e essa deu uma desculpa qualquer para não vê-lo. Perto de seguir o seu rumo, o sulista lhe perguntou:

-E aí?

-Nada.

-Eu sabia.

-Sabia?

- Foram falar: “Val, aquele cara está aí.”, e ela, negativamente, balançou a cabeça e perguntou para a prima dela se não estava a fim de conhecer você. Ela respondeu que não.

-Eu já esperava por isso. Ela é muito menina.

- E é virgem.

-Como sabe?

-Ela comentou com o pessoal aqui de casa.

-A troco de quê?

É possível que Val não tenha lido o seu recado,quando a encontrou na internet, pois nem se manifestou. Ao contrário da prima dela, que na verdade era irmã de criação, a quem ele puxou conversa:

-Tá lembrada de mim?

-Lembro sim, tudo bem?

-Tudo bem sim e você?

-Idem. Só muito trabalho.

-E a Val?

-Trabalhando muito, está namorando e ficou noiva.

Cada um, falou um pouco de sua vida: ele, divorciado, dirigia uma agência de publicidade; enquanto ela era enfermeira e estava conhecendo um cara.

 Lá estava ele, na praia, observando o jogo de futebol até ser convidado para participar. Após a partida, o cara do Sul, que o havia chamado para o jogo, perguntou-lhe:

-Estás aqui de férias também?

-Sim.

- Mas tu eis daqui?

-Sim.

-Estás hospedado onde?

-Perto da praça e você?

-Estou naquela casa._ Apontando para a casa em frente da praia.

O sulista o convidou a aparecer, de noite, por lá, pois fariam um lual na praia e acrescentou:

-Tem cada guria aqui em casa... Apareça!

-Está bem.

-Como tu chamas?

-Arnaud.

Quando o viu chegar, o sulista falou:

 -Seja bem vindo, Arnaud! Deixa eu te apresentar a uma guria.

Sentada na areia, pegou na mão dela, levantou-a e apresentou para ele. Os dois caminharam para um lugar discreto até sentarem e conversarem um pouco.  Constrangida, ela perguntou:

-Será que vai dar certo?Nós dois...

Ele não deu ouvidos até roubar-lhe um beijo. Apesar de vidrada, pedia para pararem, alegando que a sua irmã poderia ver e não gostar e, assim, foram embora.  O diálogo com a irmã dela parou ali, mas mantinham, via internet, algum contato esporádico. Na maioria das vezes, era ele quem tomava a iniciativa, mas tudo se resumia a um “Oi! Tudo bem? Como vai? Até logo!”. Ao retribuir o carinho, desejando-lhe o dobro, foi surpreendido,quando,num sábado, recebeu um recado dela: “Bom-dia!”.

 

 

 

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